Ensinando
Educação Física e Indicando Exercicios em uma
Situação Estruturada e em um Contexto Comunicativo:
Foco na Integração Social
Marialice de Castro Vatavuk
Barcelona '96 Congresso Autismo - Europa
O principal objetivo desta apresentação é definir
alguns princípios e considerações práticas
a respeito do desenvolvimento e da implantação da educação
física e programas de exercícios para pessoas com autismo,
destacando as posibilidades do uso social das habilidades estimuladas,
e assim aumentando a qualidade de vida. Inicialmente, é essencial
conhecer como é cada aluno individualmente no contexto geral
do autismo. De acordo com nossa experiência, os dois primeros
passos para o desenvolvimento de uma boa e significativa habilidade
motora é conhecer com detalhes as habilidades motoras atuais,
o interesse e a capacidade comunicativa, para ter segurança
de que a pessoa será absolutamente bem sucedida nas tarefas
propostas para construção da motivação,
obediência, auto-estima e desempenho independente. Em segundo
lugar, para que isso seja "divertido", é decisiva
a facilidade de entendimento do que é esperado. Os elementos
estruturais têm um papel importante neste jogo. Os professores
têm que saber distrair e divertir, mantendo uma relação
positiva com: cada aluno, pares de alunos, o grupo, os alunos e seus
colegas não deficientes, irmãos, irmãs e os pais.
Em terceiro lugar, recomendamos atividades compatíveis com
a cultura de cada comunidade em particular - no nosso caso São
Paulo-Brasil - para facilitar a integração. Nossa instituição
optou por cooper, treinamentos em circuitos em ambientes internos
e externos, patinação, natação, ginástica,
brincadeiras de imitações, relaxamento, massagem e uso
de música. Finalmente, mas não menos importante, freqüência,
duração, intensidade e medicação devem
ser considerados. Barcelona '96 Congresso Autismo - Europa Título:
Ensinando Educação Física e Indicando Exercícios
em uma Situação Estruturada e em um Contexto Comunicativo:
Foco na Integração Social Autora: Marialice de Castro
Vatavuk Existe uma grande preocupação neste campo a
respeito da falta de dados baseados em pesquisas envolvendo pessoas
com autismo e a coordenação motora, assim como uma convicção
geral de que os educadores físicos têm pouco a contribuir
no que se refere a sugestões de programas, principios de ensino
ou desempenho motor de pessoas com autismo e, além disso, têm
sido propositadamente silenciosos a respeito do papel das atividades
de movimentos para esta "população" (Crowe,
Auxter & Pyfer, 1981; Reid & Morin, 1981; Seaman & De
Pauw, 1982; Reid, Collier & Morin, 1983, Morin & Reid, 1985,
Collier & Reid, 1987). Quem quer que se aventure em uma busca
profunda da gênese do autismo poderia correr o risco de ser
remetido aos primórdios da humanidade. Acompanhando o tempo
na filogenía e a uma espantosa velocidade, houve uma crescente
demanda por habilidades adaptativas e perícias cujos desempenhos
são fundamentais para um representante livre da espécie
humana. Fazem já 53 anos desde que Leo Kanner em Baltimore
publicou seu primeiro artigo com a descrição original
de autismo, e durante este meio século temos sido testemunhas
da luta de pesquisadores e profissionais de várias áreas
para compreender a real natureza do autismo, especialmente na batalha
quase desesperada para encontrar seus denominadores comuns. Atualmente,
parece que quanto mais tentamos "fechar o cerco", cada vez
mais se alargam as questões relativas ao autismo. Sob as asas
do desenvolvimento de transtornos profundos (Volkmar et cols, 1984)
com a tendência de ser vista como uma síndrome comportamental
à sombra de outros distúrbios de empatía (Gillberg,
1992), o "contínuo autista" (Wing, 1989) ou o "espectro
do autismo" (Gillberg & Gilberg, 1989) envolve três
tipos de áreas afetadas, comumente denominadas uma "tríade"
(Wing,1981a; Wing & Gould, 1979) de deficiências sociais,
comunicacionais e comportamentais. Para ser mais objetivo, os "denominadores
comuns", até agora, apontam para graves prejuízos
em: 1) relacionamento específico com outras pessoas, 2) comunicação
verbal e não verbal, e 3) no ajuste do repertório comportamental
à demanda variável de novas situações
sociais (Gillberg, 1993). Portanto, além de não haver
especificidade no diagnóstico em sí, este tampouco proporciona
condições para o estabelecimento de prognósticos
e estratégias de tratamentos adequados(Assunção
Jr., 1995). No entanto, intervenções educativas amplas
precoces, ainda são as melhores tentativas documentadas no
tratamento do autismo (Howlin & Rutter, 1987; Schopler, 1989;
Lovaas et al. 1989; Howlin & Yates, 1989). Em nossa instituição,
uma seção da AMA - Associação de Amigos
do Autista de São Paulo, Brasil -, depois de vários
anos na busca de uma forma de tratamento que fosse suficientemente
flexível para integrar este grupo e suas famílias, adotamos
em sua maioria a filosofía e os princípios da abordagem
do TEACCH (Rutter, 1978; Schopler et al, 1980, 1984; TEACCH, 1991),
ainda que com uma estrutura administrativa muito menos complexa. É
muito importante ter em mente que estes princípios devem ser
constantemente revisados à luz dos desenvolvimentos atuais,
dos quais or principais e mais duradouros são: 1. a percepção
do autismo como uma incapacidade orgânica, em que o processamento
de informações e a compreensão do mundo ocorrem
de maneira totalmente distinta da que ocorre nas pessoas não
prejudicadas. Assim, o objetivo principal é a compreensão
das implicações de suas limitações centrais,
e assim poder fazer a ponte entre a percepção destes
indivíduos e aquela compartilhada pelo restante da sociedade;
2. colaboração entre pais e profissionais; esta colaboração
não só é estrategicamente forte, como também
crucial para a garantia de programas válidos para cada criança
individualmente; 3. os autistas e suas famílias requerem um
"contínuo" de serviços amplos e duradouros
fundamentados nas demandas de cada comunidade em particular; 4. Individualização:
é a chave para estabelecer estratégias específicas
para habilidades, forças, interesses e necessidades particulares
do indivíduo e sua família; 5. um modelo interativo,
em que a otimização do tratamento irá depender
de: interações (sob uma ótica recíproca)
entre pais e profissionais, pais/profissional e com o individuo com
autismo, e a avaliação da intervenção
educacional/terapêutica será baseada em A x B, onde A
está no autista - a melhor combinação para aumentar
suas capacidades e conseqüentemente promover a adaptação
e minimizar os problemas comportamentais - e B no ambente - as adaptações
aplicadas na escola, casa e comunidade em aceitar e reconhecer as
necessidades especiais para promover a integração (que
não pode ser encarada como "normalização");
6. um modelo generalizador; em vez de muita concentração
em um aspecto único do aluno ou de uma forma estreita sob óptica
de uma disciplina particular, se faz necessária uma ampla visão
do autismo, das necesidades da pessoa e da família, concentrando-se
na organização da informação e a prescrição
do tratamento nessas prioridades centrais. Voltando à primeira
questão proposta: Os problemas na coordenação
motora são centrais no autismo? O conhecimento específico
da coordenação motora e a concentração
neste aspecto seriam suficentes para o desenvolvimento significativo
de programas de educação física e de exercícios?
E qual poderia ser o papel de atividades motoras para pessoas com
autismo? Em seu artigo clássico, Kanner (1943) notou que o
desenvolvimento e a coordenação motora eram normais
nos autistas e, ainda que desajeitados na forma de andar e com movimentos
rudes, eles eram bastante habilidosos. Esta observação
clínica permaneceu durante mais de trinta anos, quando pesquisadores
começaram a questionar a consistência e correspondência
do desenvolvimento com a idade cronológica (Lotter, 1966; Wing,
1976; Ornitz et.al 1977; Geddes, 1977). Estudos mais sistemáticos
e/ou específicos sobre o desempenho das pessoas com autismo
(De Myer, 1976,1980; Singlenton, 1974; Jones & Prior, 1985; Maurer
& Damasio, 1982; Reid, Collier & Morin,1983 ; Morin &
Reid, 1985) trouxeram resultados "desconcertantes": quando
comparados com retardados e não retardados, sujeitos com autismo
mostraram menores pontuações nas medidas de aptidão
indicadas a seguir: graça corporal, força de apreensão
nas mãos, força e flexibilidade abdominal, especialmente
para flexão do tronco. Eles ficaram abaixo do nível
da idade cronológica em tarefas que requeriam atitudes de integração
física, bastante abaixo do nível de alunos normais e
retardados em tarefas de imitação corporal (movimentos
estáticos e dinâmicos) em desempenhos motores qualitativos:
padrões motores imaturos para lançamentos, saltos, corridas
- acompanhados por movimentos de braço inapropriados e não
funcionais. Os sujeitos com autismo, ainda que demostrando desempenho
qualitativo significativamente superior no balanço dinâmico,
essencialmente se moveram em uma velocidade menor e mais controlada.
Foram encontradas diferenças mínimas no desempenho na
maioria das tarefas quando comparados grupos de indivíduos
autistas mais velhos com mais novos. Também foram achadas aptidões
danificadas, produção energética diminuída,
baixo funcionamento em relação à imagem corporal,
anormalidades na fixação e correção da
postura, bradinesia, aquinesia, distonía, hertonía e
hipotonía. Alguns perquisadores tendem a vincular estes baixos
desempenhos do autismo com o retardo mental (75% a 90%). Por outro
lado, outros acharam que existem dificuldades com tarefas complexas
de coordenação motora - mesmo no alto desempenho parecem
haver problemas do sistema nervoso central. Em um dos estudos que
compararam pessoas com autismo com altos, médios e baixos desempenhos
com pessoas com retardo moderado, pessoas com autismo têm baixas
pontuações, exceto para a tarefa na escada (subir e
descer). Curiosamente nesta tarefa, os indivíduos autistas
de desempenho médio foram os melhores de todos os grupos. De
acordo com alguns autores, do ponto de vista do desenvolvimento, a
fórmula "desenvolvimento normal em ritmo desacelerado"
não se aplica, já que eles progridem em diferentes velocidades
e alguns comportamentos motores são extranhos a qualquer etapa
do desenvolvimento normal. Reid (1981) sugeriu que "a diminuição
motora pode ser uma expressão equivocada para o que, na realidade,
é um baixo processamento perceptivo". Depois desta breve
revisão de alguns dados de pesquisas sobre o domínio
motor de pessoas com autismo, não é precipitado concluir
que os problemas críticos são predominantemente manifestações
de deficiências centrais no autismo e que a individualização
é a chave para o aprimoramento. Em nossa opinião, programas
de educação física e exercícios não
devem se concentrar no ensino de movimentos como fins em si, mas na
utilidade de seu aprendizado, destacando as possibilidades de avanços
em adaptação, usos sociais das atividades promovidas,
e aumento na qualidade de vida (Haracopos, 1989). Sem levar em conta
o contexto, em outras palavras, as necessidades particulares de cada
indivíduo para uma vida mais independente em comunidade, esta
técnica se torna uma noção vazia, que seria tranformada
em uma mais fonte de aborrecimentos na vida da pessoa autista. O primeiro
passo é conhecer como é cada pessoa individualmente
no contexto geral do autismo, e as interações emaranhadas
e criativas entre as caraterísticas autistas e outras qualidades
do individuo, desta maneira: não há duas pessoas com
autismo que sejam iguais (Sacks, 1994). De acordo com nossa experiência,
para desenvolver boas e significativas habilidades motoras, é
decisivo conhecer em detalhes as habilidades motoras atuais, estilos
cognitivos, interesses e capacidades comunicativas de cada aluno.
Para abordar esta questão, sugerimos o uso de dados de alguns
instrumentos: análises cuidadosas durante a aplicação
ou dos resultados nos ítens CARS (Schopler et al, 1988): relacionados
a pessoas, imitação, respostas emocionais, uso corporal,
uso de objetos, adaptações a mudanças, respostas
visuais, respostas auditivas, uso de sentidos proximais, medo ou nervoso,
o PEP-R (Schopler et. al, 1990) o AAPEP (Mesibov et al, 1987) para
informações específicas relacionadas ao desenvolvimento
em diferentes áreas funcionais, assim como caraterísticas
comportamentais, uma avaliação da capacidade de comunicação
espontânea no cotidiano (Lord et al, 1989). É indispensavel
conversar com a família para avaliar o interesse e expectativas
da pessoa para atividades em tempo livre, assim como expectativas
e preocupações da família sobre atividades motoras/recreio
que gostariam de compartilhar com ele. Não menos importante
é envolver toda a família desde o início, assim
como pensar em atividades que seriam compativeis com a cultura e a
comunidade em particular. Para explorar as capacidades motoras atuais,
o estilo cognitivo, o nível de segurança em resolver
problemas motores, niveis estruturais necessários para auto-orientação,
grau de atenção sem muita ajuda do instrutor, nível
de "pensamento concreto", motivadores e interesses diretos,
é muito útil aplicar algumas seções de
avaliação informal nas situações onde
as atividades serão aplicadas, em nosso caso em ambientes internos
e externos. As situações são propositadamente
criadas, com base nas informações previamente coletadas:
a) Em forma de circuitos de obstáculos, onde o començo
e o final são claramente indicados e são apresentados
alguns problemas "reais" e "armadilhas", e podem
requerer: mudanças de direção e planos, escaladas,
descidas, equilíbrio, saltos, se pendurar, "saltar a mula",
transporte de objetos, equilibrios estáticos e dinâmicos,
jogos de bola, lançamentos, etc; b) A mesma situação,
mas com seu grupo (ex. em uma gincana); c) Situações
mais livres, com algumas sugestões apresentadas pela disposição
dos materiais, com o professor, para capacidades específicas,
ex. imitação (dinâmica e estática), jogos
de bola (rolar, agarrar, chutar, esquivar); d) Outras situações
que demandem proximidade e/ou cooperação com o professor
ou colegas; e) Avaliação física: peso, altura,
dobradura cutánea (quando possível no contato inicial),
rítmo cardíaco e pressão sanguínea, em
repouso, durante o exercício e depois do mesmo. Durante estas
situações, o professor tem que estar concentrado na
observação de : 1) como o aluno resolve os problemas
e explora o ambiente; 2) em quais recursos ele se baseia para fazer
aquilo: retroalimentação motora (auto-percepção),
percepção visual ou outros; 3) que tipo de dicas obtidas
do ambiente e dadas pelo professor foram mais relevantes; 4) se o
aluno "pediu" algum tipo de ajuda e como ele se comunicou
(funções e categorias semânticas usadas); 5) quais
habilidades motoras são boas, em desenvolvimento ou deficentes;
6) se ele foi capaz de modular ritmos adequadamente; 7) qual foi sua
resistência à frustração; 8) qual foi o
nível ou estilo de interações estabelecidas entre
o professor, o aluno e os colegas; 9) se o aluno demonstrou qualquer
tipo de interesse ou satisfação durante as seções;
10) qual tipo de estímulo distraiu (ou andou neste sentido)
e atraiu o aluno; 11) se o aluno foi motivado por elogio (entendido
como qualquer maneira de comunicação verbal ou não
verbal dirigida pelo prefessor para estimular positivamente o aluno).
A aquisição de habilidades motoras envolve um processo
de ensino-aprendizado, cujo objetivo máximo é solucionar
uma tarefa motora proposta, a qual é apresentada pelo ambiente
externo (Tani, 1989). Para encontrar uma solução, o
indivíduo deve processar a informação recolhida
do ambiente externo e de seu próprio corpo (auto-perceptivo)
e fazer os ajustes necessários. Este envolve um vasto conjunto
de interações bastante elaboradas entre os receptores
sensitivos, os mecanismos de percepção, os circuitos
de retroalimentação, o sistema muscular, além
de fatores motivacionais. Há uma relação direta
com a atenção, integração e processamento
da informação, seqüenciamento e memória.
Ótimos avanços em desempenho são obtidos se a
solução da tarefa motora, uma vez obtida, é repetida
para sua fixação. Neste proceso, erros de desempenho
podem ocorrer em três eixos: 1. através do indivíduo
que transmite a informação, 2. através do ambiente
e 3. através da pessoa que recebe, processa e aplica a informação
para a resolução do problema. No autismo, junto com
o trio de deficencias, independentemente do QI, temos deficiências
cognitivas, sensoriais, organizacionais, assim como desenvolvimentos
marcadamente desiguais entre e nas varias áreas funcionais
e do desenvolvimento. Por tanto, temos na realidade um problema com
o "eixo 3" e fizemos toda esta exposição para
obter um "perfil" do mesmo. Desta maneira, o sistema para
a aquisição de um aprendizado adequado está desequilibrado,
ou fora de modulação. Como resultado, o próximo
passo é fazer uma revisão para ajustar os eixos 1 e
2 respectivamente. Este demanda certa criatividade do professor para
fazer constantes manipulações ambientais, selecionar
estratégias flexíveis, e organizar atividades. Além
disto, se o eixo 3 muda sua posição - ou seja, os alunos
ganham adaptações - os eixos 1 e 2 têm que atualizar
suas aquisições. Por tanto, não há lugar
para "inatividade". Se às pessoas com autismo falta
a "Teoria da Mente" (Leslie, 1987, 1988; Frith, 1989), um
desafiante início é exercitar nossa capacidade inata
de "nos colocarmos na situação do outro",
e o admiravel enigma a decifrar seria os limites entre a falta de
empatia e a capacidade de união e apego. O professor deve ser
alguém que divida suas experiências com os alunos, não
sendo uma "pessoa boa", mas sim uma pessoa amável;
um "facilitador" que ajuste sua comunicação
para cada situação particular, sendo econômico
e concreto quando fizer uso da linguagem verbal e priorizando os modos
de comunicação utilizados por cada aluno: gestos instrumentais,
posturas corporais, expressões faciais... A instrução
irá abranger o uso de várias sugestões e dicas
combinadas: a) manipulação física completa/parcial,
manipulação sugestiva, orientação mínima;
b) modelo ou demonstração de perícia completa/parcial;
c) dicas gestuais; d) instruções diretas ou dicas; e)
dicas indiretas ou f) ausência de dicas ou sugestões:
iniciação imitativa e/ou imitação espontânea.
Em algumas circunstâncias, onde a imitação e a
demostração são usadas, algum "espírito
de ação" e mímica concreta podem ajudar
a destacar explícitas definições das posições
e movimentos principais, assim como sua natureza (frágil ou
poderosa). Sons também podem ser sutilmente usados para indicar
os objetivos desejados: palmas, enumerações, dicas ao
reproduzir o som de uma bola quicando, etc. O professor e os instrutores
devem ser bons jogadores, construindo nas aulas uma relação
associativa positiva com cada aluno, com os alunos em duplas, com
o grupo, com os alunos e os colegas não deficientes, irmãos,
pais e simpatizantes. Em nossa instituição, grande parte
dos alunos são beneficiados com estas sessões em que
participam irmãos, colegas não deficientes, outros membros
da equipe, parentes e pais. Observamos surpreendentes melhoras no
desempenho durante estas sessões. Antes de participar, todos
devem conhecer as regras do jogo para "capturar a essência
do jogo". O eixo 2, o elemento estrutural do ambiente, desempenha
sua função oferecendo redundância das informações
importantes. Para que seja entretido, é decisivo que seja facilmente
compreendido o que se espera dele. Os elementos principais são:
"divisião" visual do espaço em áreas,
disposição física dos materiais, programação
das aulas, rotinas e seqüências, organização
e insinuação visual, estrutura de tarefas individuais
e sistemas comunicativos. Algumas idéias provenientes de uma
perspetiva ecológica são de grande valia para a construção
do ambiente e para a estruturação das tarefas. Este
sublinha a relação pessoa-ambiente. Segundo Gibsom (1977,
1979), o ambiente é notado em função de sua utilidade
para o observador. Nesta mesma linha de pensamento, outros autores
crêem que a coordenação do movimento e do controle
emergem das restrições mútuas da percepção
e ação (Fitch, Tuller & Turugy, 1982). Se estamos
tratando com pessoas que necessitam de uma coerência central,
as quais têm dificultade de fazer uma percepção
do mundo exterior (Frith, 1989), então os objetos irrelevantes
que puedem ser manipulados devem ser removidos, enquanto objetos que
são usados em uma determinada tarefa devem ser modificados
para acentuar ou incrementar sua atração de ser manipulados
(Burton, 1987). Por nossa parte, conhecemos a natureza concreta do
movimento, o que nos proporciona uma indicação imediata
de êxito ou fracasso (Mosher, 1981). A flexibilidade das tarefas
motoras, de organização encadeada, ou seja não
separadas ou dispersas no espaço, permite ao prefessor definir
os objetivos através de ajustes, mesmo durante sua execução,
proporcionando assim uma retroalimentação instantânea
e garantindo, especialmente no inicio, que a pessoa terá êxito
quase com certeza. A experiência repetida do sucesso que acompanha
uma tarefa, proporciona não só uma recompensa intrínseca,
como também a oportunidade para o professor responder com aprovação
às ações do aluno. A manutenção
da motivação e disciplina são relacionadas positivamente
com o êxito (O'Dell, Dunlap & Koegel, 1983) e são
essenciais para a construção da auto-estima e para um
desempenho independente. Em outros estudos, alguns autores postularam
que o baixo nível de motivação evidente em alunos
com autismo, poderia inibir a obtenção de novas habilidades
e a manutenção de habilidades já adquiridas (Koegel
& Mentis, 1985). Outros sugeriram que repetidas experiências
de fracassos poderiam diminuir a motivação e o desenpenho,
aumentando ao mesmo tempo a quantidade de vezes que o aluno evita
tarefas (Clark & Rutter, 1979; MacMillian, 1971; Rodda, 1977).
Para a seleção das atividades consideramos: a adequação
com a idade cronológica, informação total a partir
de avaliações e sua compatibilidade com os fatores culturais
e familiares, podendo assim proporcionar às pessoas com autismo
as ferramentas necessárias para mantê-los aptos e aumentar
sua qualidade de vida social. Necessidades particulares são
completamente consideradas; um de nossos alunos está agora
acompanhando uma escola normal, onde está aprendendo a jogar
futebol. Ainda que seja muito habilidoso, ele tem algumas "dificuldades
típicas do autismo", como reconhecer qual lado deve ser
atacado, e pensa que não é importante a localização
do goleiro (por exemplo atrás da linha do gol), se ele toma
a posse da bola, não acontece o gol. Neste caso, o programa
para ele é principalmente de apoio, que consiste em uma série
de tarefas motoras práticas para ajudá-lo a aprender
as regras. Optamos por caminhadas, cooper, atividades de circuitos,
treinamentos de circuito, patinação, natação,
mímicas, ginástica, jogos de relaxamento, massagens
e o uso de música adequada o máximo possível.
Para organizar e apresentar as tarefas é utilizada principalmente
uma abordagem específica de tarefas (Auxter & Pyfer, 1985)
mais que um abordagem do desenvolvimento. Concentra-se assim no ensino
de uma habilidade específica ou de uma cadeia de habilidades
diretamente, em um contexto tão normal quanto possível,
e voltando a atenção para habilidades gerais ou ao sistema
básico de entradas/saídas apenas se este se mostre necessário
para o desenvolvimento de uma habilidade em particular. A estrutura
das aulas é estabelecida seguindo os princípios técnicos
normais da educação física e treinamentos. A
seqüência de uma aula básica é: 1. aquecimento
(articular, muscular e cardiovascular); 2. atividades principais (mais
extensas) e 3. relaxamento (massagem, ginástica específica,
alongamento...). A duração de cada aula é de
duas horas e as atividades principais - por exemplo circuito, natação,
basquete e patinação - são distribuídas
durante a semana de uma forma equilibrada (exposição
suficente para o aprendizado). A ação indispensavel
inicial em uma aula é apresentar aos alunos uma "seqüência
cronológica", garantindo assim a comunicação
do que irá ocorrer, através de uma programação
adaptada às necesidades individuais: com objetos, com representações,
instruções escritas ou uma combinação
destes. Em minha experência, se a comunicação
do que irá a acontecer é garantida, mudanças
freqüêntes na rotina são bem vindas. Dependendo
do grupo, este pode ser feito individualmente, em duplas ou com o
grupo todo, sendo a programação apresentada já
pronta ou feita pelo professor com os alunos. Os programas são
oportunidades potenciais para ensinar a eles astúcia: avaliar
os avanços e introduzir novos desafios. Por exemplo, dar as
oportunidades de escolha dentro de uma seqüência de atividades
durante a parte principal da aula, de modo que a última das
atividades será realizada somente se houver tempo (para haver
espaço para um possível aluno de alto desempenho). Há
várias razões para apresentar as tarefas em forma de
circuitos com etapas variadas: 1. oferece oportunidades instantâneas
para um desempenho auto-orientado; 2. apresenta uma situação
concreta com um inicio e fim claros;
3. o aluno pode ter uma resposta imediata de seu desempenho e a oportunidade
de fazer varias revisiões, podendo assim resolver o problema
à sua maneira; 4. oferece uma infinidade de posibilidades de
combinação de categorias variadas de habilidades, assim
oferecendo experiências motoras relevantes e dinâmicas;
5. ao conectar física e visualmente peças isoladas da
equipe, aumenta o número de posibilidades referentes à
disposição espacial, variação de orentação,
combinação de habilidades emergentes e as já
dominadas, e combinação dos gostos, interesses e níveis
de habilidades de cada aluno; 6. proporciona oportunidades para ambos
grupos trabalhar em vários níveis e adaptações
individuais usando os mesmos materiais, apresentando tarefas distintas
de acordo com as habilidades individuais. O nível de "densidade"
dos materiais e sua disposição espacial deve ser proporcional
à piora simbólica e representativa da pessoa com autismo:
por tanto pode-se usar materiais densos com nexo real (cadeiras, bancos,
pneus de carro ou de bicicleta, barras de ginástica; cordas
...), materiais não tão densos e com nexo visual (rastros,
tracks1), indicações gráficas (setas, números
...), fotografias, desenhos, notas, outras dicas particulares diretamente
ligadas com o que eles estão aprendendo na classe, etc. Para
desenvolver a flexibilidade e ajudar a generalização,
o professor deve tentar tanto o uso dos mesmos materiais para diferentes
propósitos, como o uso de diferentes materiais para o mesmo
propósito. Os circuitos podem ser empregados para ensinar habilidades
fundamentais, para atividades do desenvolvimento, assim como para
o aprendizado de novas habilidades, e para o treinamento daquilo que
eles já dominavam. Estes circuitos podem ser "abertos"
(uma direção), em estações, ou contínuos.
Os circuitos contínuos são fechados e, portanto, o professor
deve propor ou estabelecer o número de voltas que os alunos
devem realizar e achar uma boa maneira de o fazer claramente. Uma
maneira de fazer isto é ter uma caixinha para cada aluno (com
sua foto ou nome) sobre uma mesa "em circuito" com o número
de bilhetes ou checkers correspondentes ao número de voltas.
Cada vez que um aluno passa pela mesa, pega um bilhete e põe
num pequeno pote. Quando terminam os checkers o jogo acaba. Isto dá
oportunidade para os alunos poderem pedir mais checkers ou devolver
alguns ao professor. Em circuitos contínuos - no geral mais
adequados para o treinamento - a medida não é o número
de voltas, mas sim a duração (o tempo empregado). Circuitos
de estações são apresentados em estações
em seqüência onde os alunos (normalmente em duplas) permanecem
realizando o mesmo movimento, ou uma curta seqüência de
movimentos por algum tempo ou por algum número de vezes. Exemplo,
para adolecentes: a. bicicleta (2 bicicletas ergométricas),
b. infrabdominais (aparelhos específicos), c. saltos (2 cordas)
e d. treinamento de força: tronco (2 pack-decks). Para desenvolver
as habilidades iniciais, obter avanços no desempenho e empregar
significativamente as habilidades aprendidas, este processo de aprendizado
é seguido; o aluno necessita aprender: 1. os movimentos necessários,
2. suas combinações na situação proposta,
3. repetição para fixação, 4. repetição,
no melhor momento para a situação, 5. repetição,
no melhor momento e com duração adequada para a situação
(Le Boulch, 1984). É muito importante aplicar "sabotagens"
sistemáticas para superar sua rigidez, atualizar as adaptações
obtidas, colocando sempre novos desafios, pois é difícil
supor com precisão seus limites, e não se deve perder
tão preciosas oportunidades. As prioridades selecionadas são:
treinamento de exercícios aeróbicos para adolescentes/adultos
e atividades motoras funcionais/do desenvolvimento para os mais jovens.
Estudos empregando vários destes exercícios registraram
que um amplo espectro de populações clínicas
teve associadas reduções em sintomas negativos comportamentais
e afetivos. Outros estudos mostraram melhoras nas habilidades sociais
através de programas de exercícios estruturados, mesmo
considerando que não era uma atividade aeróbica intensa
(Elliot, Dobbin, Rose & Soper, 1994; Andel & Austin, 1984).
Resultados semelhantes foram obtidos em estudos direcionados principalmente
a alunos com autismo (Watters & Watters, 1980; Kerm et al. ,1982,
1984). Os únicos estudos que utilizaram adultos (n=6) e pré-adolescentes
(n=3) (Elliot, Dobbin, Rose & Soper, 1994; Levinson, L.J. &
Reid, G., 1993), sugeriram que exercícios aeróbicos
intensos poderiam ser uma ferramenta preciosa na redução
de comportamentos estereotipados e não adaptativos, facilitando
assim a integração da comunidade. Finalmente, mas não
menos importante, as variáves dos treinamentos e medicações
devem ser consideradas para cada modalidade. A implicação
mais óbvia seria familiarizar-se com as técnicas de
treinamento da aptidão física. Desde que o treinamento
na modalidade aeróbica é planejado para ativar o sistema
cardiovascular em aproximadamente 70% de sua capacidade máxima
por um período mínimo de 15 a 20 minutos (Cooper, 1978),
e geralmente a intensidade varia de 60 a 70% da capacidade funcional
máxima (Americam College of Sports Medicine, 1986), é
importante ter um profundo entendimento da fisiologia do exercício,
da prevenção e dos tratamentos nos acidentes do esporte,
assim como os procedimentos de emergência. A periodicidade do
treinamento deve ser planejada com as máximas precauções
de segurança, pois eles não podem dizer o que sentem:
freqüência, duração, intensidade, graduação
nas prescrições dos programas de exercício, adequação
nutricional, conhecimento dos sinais mais precoces do treinamento
excessivo, recolhimento sistemático e supervisão. Os
exercícios físicos aumentam a produção
de noraepinefrina com resultados semelhantes aos obtidos com o uso
de anfetaminas e existem vários relatos de "vício
negativo ao exercício" ou síntomas similares à
dependência química (Morgan, 1979b). Exercícios
intensos resultam em um aumento do nível de (-endorfina plasmática
(Borttz et al., 1981). De acordo com Sahley and Panksepp (1987), este
seria benéfico para diminuir o comportamento estereotipado
em pessoas com autismo. As investigações demonstram
que exercícios intensos podem aumentar a sensibilidade da pessoa
a os agentes farmacológicos. Assim, a supervisão de
profissionais médicos especializados é fortemente recomendada.
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Física e Indicando Exercícios em uma Situação
Estruturada e em um Contexto Comunicativo:
Foco na Integração Social Marialice de Castro Vatavuk