A Importância das Tecnologias Assistivas

Autora: Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni

RESUMO:
Hoje com a inclusão social, bate em nossas portas a necessidade cada vez maior de colocarmos em ação as freqüentes palavras muitas vezes ditas e poucas praticadas como solidariedade, direitos iguais, amor, fraternidade, etc.
Chegou o momento das novas tecnologias serem os instrumentos de trabalho, estudo e lazer das pessoas com necessidades especiais, oferecendo conhecimentos, autonomia e diversão, tornando possível com a utilização dessas tecnologias o acesso a uma liberdade que até então não passava de sonhos.

Para começarmos esse artigo vamos entender primeiramente o que significa Tecnologia Assistiva.
"Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social" (Secretaria de Direitos Humanos, 2007).

Como bem salientado por Francisco Godinho em seu livro (On line: Internet para necessidades especiais, 1999). “Para a maioria das pessoas, a tecnologia torna a vida mais fácil, para uma pessoa com necessidades especiais, a tecnologia torna as coisas possíveis.”

As pessoas com necessidades especiais possuem limitações motoras, com dificuldades de movimentos, impossibilitando assim a utilização dos meios de comunicação. Através dessas tecnologias assistivas, as pessoas com necessidades especiais, participarão de atividades envolvendo trabalho, estudo e lazer. Com isso dar condições, desenvolvendo novas técnicas é uma maneira de amenizar os problemas causados pelas deficiências e colocar o indivíduo em contato com o mundo, para que ele possa transformar o seu potencial em aprendizagem, através desses recursos ele estará interagindo e tendo a oportunidade de expressar seus pensamentos e derrubar o preconceito muitas vezes existente. Com a acessibilidade ás tecnologias assistivas, as pessoas terão melhor qualidade de vida a que todos tem direito, tornando a vida mais fácil e prazerosa. A utilização dessas tecnologias permite ás pessoas aumentarem suas fontes de (in)formação, exercendo atividades alternativas, construindo uma vida com maior significado.

“A educação é o desenvolvimento no homem de toda a perfeição de que sua natureza é capaz.”
Immanuel Kant

Quando falamos em tecnologia assistiva, não podemos deixar em dar ênfase ao trabalho realizado pela INATEL (2010) aonde com a participação do professor José Maria de Souza, que é integrante do Grupo de Estudos de Engenharia Biomédica do Inatel realizam inúmeros projetos, onde podemos destacar três deles que é voltado ás pessoas com necessidades especiais. O andador microcontrolado que foi desenvolvido pelos alunos Marcel da Silva, Danilo Pereira e Diego Marcel, facilitando aos pacientes com dificuldades de locomoção, pois não é necessário levantar o andador na hora de mudar o passo. A cadeira microcontrolada com comando de joystick (também conhecido como manete no Brasil) é um periférico de computador e videogame pessoal ou um dispositivo geral de controle que consistem em uma vara vertical na qual os pivôs se aproximam de uma extremidade e transmitem seu ângulo em duas ou três dimensões a um computador. O joystick é usado freqüentemente para controlar os jogos de vídeo, e têm geralmente um ou mais botões de pressão cujo estado pode também ser lido pelo computador. Foi idealizado pelo professor José Maria da Silva Souza, onde obedece comando por joystick e comando de voz, para pessoas paraplégicas e tetraplégicas, com o objetivo de solucionar problemas, trazendo qualificação de vida para a sociedade. E o elevador ortostático, sendo um novo tratamento, o qual propõe uma reeducação da marcha para pessoas com lesão de medula, onde salienta a fisioterapeuta Claudia Garcez. (Inatel desenvolve projetos para atender pessoas com deficiência, 2010).

Segundo (Glennen citado por Bersch, 2008), falando em tecnologias assistivas podemos também citar a Comunicação Alternativa que é uma forma de comunicação através de gestos, língua de sinais, expressões faciais, prancha de alfabeto, símbolos pictográficos e computador com voz sintetizada. Dentro da Comunicação Alternativa temos três tipos: A Comunicação Aumentativa e Alternativa; A Comunicação Suplementar e Alternativa; A Comunicação Ampliada e Alternativa.

Para podermos entender com facilidade vamos descrever cada uma delas.

- Comunicação Aumentativa e Alternativa: destinada a atender pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. Recursos como as pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica (BLISS, PCS e outros), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo usuário da CAA para expressar suas questões, desejos, sentimentos, entendimentos. A alta tecnologia dos vocalizadores (pranchas com produção de voz) ou o computador com softwares específicos garantem eficiência á função comunicativa. (Bersch, 2008).

- Comunicação Suplementar e Alternativa: é definida como uma área de atuação clínica que objetiva compensar temporária ou permanentemente dificuldades de indivíduos com desordens severas de expressão. Apesar de a Comunicação Alternativa e Suplementar estar tradicionalmente associada ao trabalho com pessoas com paralisia cerebral, que podem beneficiar-se de soluções tecnológicas, tanto para fins de locomoção quanto de controle de ambiente e comunicação, é cada vez maior o número e a variedade de pacientes indicados para intervenção com Comunicação Alternativa. (Gonçalves, 2008)

- Comunicação Ampliada e Alternativa: A CAA pode ser definida como uma área de conhecimento clínico, terapêutico e educacional que reúne material gráfico, como o PCS (Picture Communication Symbols) e Blissymbols, além de desenhos, fotos e escrita combinados a estratégias de elaboração e acesso aos símbolos gráficos dispostos em pranchas de comunicação de alta à baixa tecnologia. Das técnicas específicas são abordadas as estratégias de elaboração e desenvolvimento de pranchas de comunicação, aspectos motores de acesso aos símbolos gráficos e recursos concernentes a tecnologia assistiva. (Panhan, 2010).)

A inclusão escolar só terá sucesso se houver uma união de fatores, dentre eles é a necessidade de recursos e alternativas para auxiliarem as dificuldades existentes na sala de aula e fora dela também. Pois o que se observa na maioria das escolas é a falta desses recursos, tanto no que se diz respeito às atividades relacionadas dentro da sala de aula, quanto fora no prédio.

É considerado tecnologia assistiva desde uma fita para segurar a folha de atividades sobre a mesa do aluno para que ela não escorregue fora da mesa com movimentos involuntários, até a mais moderna invenção criada para facilitar a aprendizagem do aluno.

“A educação é a mais poderosa arma pela qual se pode mudar o mundo.”
Nelson Mandela

Segundo o Conceito Brasileiro sobre tecnologias assistivas diz que de acordo com o CAT (Comitê de Ajudas Técnicas), o Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, no uso das suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 21 da Lei nº 10.098, de 20 de dezembro de 2000 e no art. 66 do Decreto nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004, e, considerando ainda, que as ajudas técnicas fazem parte das estratégias de acessibilidade, equiparação de oportunidades e inclusão das pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida.

“A cada dois meses, um grupo de educadores, médicos, fonoaudiólogos, engenheiros, cientistas e profissionais da informática se reúne em Brasília para discutir soluções de acessibilidade. Eles são membros do Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), instituído, no final do ano passado, para consolidar o know how brasileiro da inclusão social de pessoas com necessidades especiais, ou portadoras de deficiências AREDE (Tecnologia para Inclusão Social)”.

O objetivo da Tecnologia Assistiva é proporcionar ás pessoas com necessidades especiais, melhor qualidade de vida, maior independência e uma inclusão social com maior mobilidade, melhor ampliação da comunicação, controle dos seus desejos e sentimentos, melhor aprendizado, integração familiar e na sociedade.

As novas tecnologias assistivas estão sendo verdadeiras ferramentas para se obter uma melhor perspectiva de vida, direcionando a uma construção de conhecimentos cada vez mais ampla e rica das pessoas com necessidades especiais.

Como citado por Lévy (1993):

“Um dos principais agentes de transformação das sociedades atuais é a técnica, ou melhor, as técnicas, sob suas diferentes formas, com seus usos diversos, e todas as implicações que elas têm sobre o nosso cotidiano e nossas atividades. Por trás daquilo que são óbvias estas técnicas trazem consigo outras modificações menos perceptíveis, mas bastante pervarsivas: alterações em nosso meio de conhecer o mundo, na forma de representar este conhecimento, e na transmissão destas representações através da linguagem.”

Com a nova era das tecnologias assistivas, chega o momento de grandes mudanças na educação, onde existe a necessidade de uma pedagogia transformadora, onde o educador deixa de ser somente um instrumento de informação, de saber e passa a ser um “trampolim”, um mediador, aonde através dele se chegará a diversas conquistas, deixando para trás as metodologias tradicionais.

Através dessas tecnologias a educação passa a dar maiores oportunidades de desenvolvimento com novas maneiras de convivência e em sequência abrem-se as portas da sociedade, para que assim as pessoas tenham oportunidades de mostrar o seu potencial e encontrarem o seu espaço diante de todos, vencendo os obstáculos que a vida impõe.

Conforme Santarosa (1995) acredita-se que:

“os estudos já avançaram suficientemente e também já é ponto pacífico que a aprendizagem não pode ser explicada exclusivamente a partir da perspectiva cognitiva/individualista, envolvendo também a dimensão social e afetiva, onde os processos de interação com o objeto social desempenham um papel fundamental.”

Fernando Cesar Capovilla (1997), pesquisando na área de diagnóstico, tratamento e reabilitação de pessoas com distúrbios de comunicação e linguagem, faz notar que:

"Já temos no Brasil um acervo considerável, e em acelerado crescimento, de recursos tecnológicos que permitem aperfeiçoar a qualidade das interações entre pesquisadores, clínicos, professores, alunos e pais na área da Educação Especial, bem como de aumentar o rendimento do trabalho de cada um deles."

“O verdadeiro conhecimento vem de dentro.”
Sócrates

As tecnologias assistivas em sala de aula

Como a educação inclusiva já faz parte de nossas vidas, cada vez mais alunos com necessidades especiais estão em salas regulares, cabe á todos da educação adaptar-se para atendê-los, proporcionando uma educação de qualidade, possibilitando aos alunos com necessidades especiais, meios para que eles sejam inseridos na sociedade, fazendo com que suas dificuldades sejam cada vez mais minimizadas e preparando-os para uma integração social através das tecnologias assistivas (TA), que surgiu para ser uma facilitadora da inclusão, tentando vencer ou facilitar as limitações das pessoas com necessidades especiais.

Para implantar as tecnologias assistivas em sala de aula, os educadores precisam unir criatividade e disposição para que encontre juntamente com os alunos o melhor caminho que possibilite vencer os obstáculos com sucesso.

A escola e educadores precisam rever seus conceitos enquanto profissionais para poderem colocar em prática esse novo sistema, que são as tecnologias assistivas.

Para apoiar os sistemas de ensino, a Secretaria de Educação Especial (2010) desenvolve o Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial - presencialmente e a distância -, Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, Programa Escola Acessível (adequação de prédios escolares para a acessibilidade), Programa BPC na Escola e Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, que forma gestores e educadores para o desenvolvimento de sistemas educacionais inclusivos.

Com o surgimento das tecnologias assistivas, nota-se a capacidade criativa do ser humano que cada vez inventa meios diversificados para agir e interagir em contextos diferenciados e desafiadores, procurando romper barreiras e encontrar soluções, construindo uma nova sociedade transformadora para todos.

“Somos diferentes, mas não queremos ser transformados em Desiguais. As nossas vidas só precisam ser acrescidas de recursos especiais.”
(Peça de teatro: Vozes da Consciência, BH)

Conclusão:

Conclui-se que a limitação da pessoa com necessidades especiais, tende a dificultar o seu aprendizado, pois, para se ter uma aprendizagem escolar e social, é necessária a capacidade de comunicação, pois assim é de suma importância a utilização de novas técnicas de comunicação para poder ajudar as pessoas se expressarem.

Além de todas as tecnologias, deve-se ter como objetivo principal da comunicação alternativa, a participação e a autonomia para escolher e decidir fatos de sua vida.

Com a atual inclusão de alunos com necessidades especiais é necessário que todos os profissionais da área da educação se atualizem para favorecer uma melhor participação desses alunos e melhores oportunidades para a inclusão social.

Com as tecnologias adaptadas os alunos com necessidades especiais têm a oportunidade de realizar as atividades em sala de aula. Apesar de muitos avanços durante as últimas décadas, com que se diz respeito ás informações, ainda a educação continua centrada nos métodos tradicionais, não conseguem encontrar um caminho de transformações com idéias inovadoras, com uma educação de qualidade.

A partir dos dados acima citados, foi mostrado o valor das tecnologias assistivas, criadas para resolver ou dar melhores condições de vida ás pessoas com necessidades especiais, valorizando o potencial de cada ser humano. Pois é através dessas técnicas que as pessoas podem agir e interagir, compartilhando idéias e superando barreiras e assim construindo uma sociedade com respeito á todos.

Referências:
BERSCH, Rita. Centro Especializado em Desenvolvimento Infantil, 2008. Disponível na internet via WWW URL: http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:XZDcgSoagPAJ:www.assistiva.com.br/Introducao%2520TA%2520Rita%2520Bersch.pdf+categorias+de+tecnologia+assistiva&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESi_ulUShH-BYNZv4yPwNHRk8Q5HgHyrN0aPDIIy99yqkdaGlAM6nC2zOokVNbt0cDk_g1dItJRxu3jxDxXnRCQC2gZQaOkexPvPfg-RZAPpui640Gw4tU-nPDVhc0t1Q3tnIkG5&sig=AHIEtbT7zuIiU8EcxaGNqV245vh9cmHY_Q
CAPOVILLA, Fernando C. Pesquisa e desenvolvimento de novos recursos tecnológicos para a Educação Especial: boas novas para pesquisadores, clínicos, professores, pais e alunos. Boletim Educação/UNESP, n. 1, 1997. Disponível na internet via WWW URL: http://www.educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=32:as-novas-tecnologias-e-as-tecnologias-assistivas-utilizando-os-recursos-de-acessibilidade-na-educacao-especial&catid=5:educacao-especial&Itemid=16
DUTRA, Cláudia Pereira. Secretaria de Educação Especial, 2010. Disponível na internet via WWW URL: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=288&Itemid=825
GODINHO, Francisco. On line: Internet para necessidades especiais, 1999. Disponível na internet via WWW URL: http://www.acessibilidade.net/web/ine/livro.html
GONÇALVES, Maria de Jesus. Comunicação alternativa na fonoaudiologia: uma área em expansão, 2008. Disponível na internet via URL: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-18462008000300002&script=sci_arttext
LÉVY, Pierre. AS TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA: O Futuro do Pensamento na Era da Informática, 1993. Disponível na internet via WWW URL: http://www.scribd.com/doc/17394163/As-Tecnologias-da-Inteligencia
PANHAN, Helena. Comunicação Ampliada e Alternativa, 2010. Disponível na internet via WWW URL: http://www.goiania.apaebrasil.org.br/noticia.phtml/30256/COMUNICACAO+AMPLIADA+E+ALTERNATIVA.html
SANTAROSA, Lucila Maria Costi. ESCOLA VIRTUAL: AMBIENTES DE APRENDIZAGEM TELEMÁTICOS PARA A EDUCAÇÃO GERAL E ESPECIAL, 1995. Disponível na internet via WWW URL: http://www.c5.cl/ieinvestiga/actas/ribie98/229.html
_______Secretaria de Direitos Humanos. Ata VII Reunião do Comitê de Ajudas Técnicas – CAT. Realizada nos dias 13 e 14 de dezembro de 2007. Disponível na internet via WWW URL: http://www.direitoshumanos.gov.br/pessoas-com-deficiencia-1/conheca-seus-direitos
_______Inatel desenvolve projetos para atender pessoas com deficiência, 2010. Disponível na internet via WWW URL: http://www.inatel.br/inatel-noticias/inatel-desenvolve-projetos-para-atender-pessoas-com-deficiencia
_______AREDE (Tecnologia para Inclusão Social). O comitê da acessibilidade, 2010. Disponível na internet via WWW URL: http://www.arede.inf.br/inclusao/edicoes-anteriores/78-%20/897

Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni - Pedagoga com especialização em Psicopedagogia e em Educação Especial, trabalhando há quinze anos em escola com múltiplas deficiências.

Publicado em 04 de janeiro de 2012