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| O Processo de Inclusão de Pessoas com Paralisia Cerebral Autora: Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni Resumo
Neste artigo pretendemos trazer conhecimentos e informações
sobre o que é Paralisia Cerebral, sua etiologia, classificação
e prevenção, desfazendo o pré-conceito sobre
os portadores, destacando assim as suas capacidades e potencialidades,
sendo incluídos na sociedade com todos os direitos de qualquer
outro indivíduo. Quando realmente abraçamos a causa “inclusão”, percebemos que é necessário mudar a sociedade, em que o deficiente vive e não o próprio deficiente, para que assim ele possa se desenvolver como cidadão. Para entendermos melhor o que é Paralisia Cerebral, buscamos tornar claro sua definição, que segundo Hagberg e Col (citado por ALMEIDA, 2009), é “(...) definida por um prejuízo permanente do movimento ou da postura que resulta de uma desordem encefálica não progressiva. Esta desordem pode ser causada por fatores hereditários ou eventos ocorridos durante a gravidez, parto, período neonatal ou durante os dois primeiros anos de vida.”. Segundo a Associação de Paralisia Cerebral do Brasil (APCB, 2009) as principais causas da paralisia cerebral são divididas em três formas:
-Antes do nascimento: quando ocorre ameaça de aborto, choque
direto no abdômen da mãe, exposição ao
raio X nos primeiros meses de gravidez, incompatibilidade entre Rh
da mãe e do pai, infecções contraídas
pela mãe durante a gravidez, mãe portadora de diabetes
ou com toxemia de gravidez, pressão alta da gestante. -Depois do nascimento: na presença de febre prolongada e muito alta, desidratação com perda significativa de líquidos, infecções cerebrais causadas por meningite ou encefalite, ferimento ou traumatismo na cabeça, falta de oxigênio por afogamento, envenenamento por gás, por chumbo (contidos em esmalte cerâmico, nos pesticidas agrícolas ou outros venenos), sarampo, traumatismo crânio-encefálico até os três anos de idade. Sabe-se que a Paralisia Cerebral: “(...) atinge diversas regiões do cérebro. Dependendo de onde ocorre a lesão e da quantidade de células atingidas, diferentes partes do corpo podem ser afetadas, alterando o tônus muscular, a postura e provocando dificuldades funcionais nos movimentos. Pode gerar movimentos involuntários, alterações do equilíbrio, do caminhar, da fala, da visão, da audição, da expressão facial. Em casos mais graves pode haver comprometimento mental.” ( DEFNET, 2009) De acordo com Kok (citado por SILVA, 2007) é necessário conhecer que “uma lesão no sistema nervoso central pode afetar a parte motora ou mental da pessoa e quando esta lesão só atinge a parte motora, denomina-se paralisia cerebral” diferenciando a deficiência intelectual da paralisia cerebral, porém ambas as lesões podem ocorrer, assim como mencionado por Leite, “Todas as formas de paralisia cerebral podem ter problemas associados, incluindo retardo mental (em mais de 50% dos pacientes), um desalinhamento dos olhos chamado estrabismo (50%), epilepsia ou ataques epiléticos (30%), e desordens visuais ou auditivas (20%).” sendo que existem quatro tipos básicos de paralisia cerebral, consideradas como: a Paralisia Cerebral Espástica, Paralisia Cerebral Discinética ou Atetóide, Paralisia Cerebral Atáxica e Paralisia Cerebral Mista. A Paralisia Cerebral Espástica “é o tipo mais comum de paralisia cerebral (aproximadamente 50%) na qual os membros afetados são espásticos, ou seja, significa que os músculos são duros e resistem ao serem esticados. Os braços e as pernas também tem ‘reflexos tendinosos profundos’ reativos (contrações musculares involuntárias em resposta a um estímulo).”( LEITE, 2009) A Paralisia Cerebral Discinética ou Atetóide é a “forma menos comum (aproximadamente 20%) (...)” que é “caracterizada por movimentos involuntários da face, tronco e membro que freqüentemente interferem com a fala e a alimentação.” (LEITE, 2009). A Paralisia Cerebral Atáxica “é incomum e normalmente envolve uma lesão do cérebro na parte responsável pela coordenação (chamada de cerebelo).” (LEITE, 2009).
A paralisia Cerebral Mista é “uma combinação
de sintomas de pelo menos dois dos subtipos anteriores.” (LEITE,
2009). De acordo com as pessoas com necessidades especiais recebidas em escolas regulares, as atitudes de aceitação representam um importante fator para o seu sucesso ou fracasso na escola inclusiva. Assim como o mencionado por Lobo (2008), “(...) a inclusão na escola de uma pessoa com estas necessidades educacionais especiais não é tarefa fácil nem para a escola nem para a própria família, pelo receio que seu filho não seja compreendido (...)”, e, portanto cabe a nós, deixar de lado os preconceitos e formar pessoas que compreendam que as diferenças servem para enriquecer a aprendizagem. Devemos nos conscientizar que com essa mudança de valores eliminaremos muitas barreiras sendo assim possível a realização do processo ensino-aprendizagem, sabendo que “Ao refletir sobre a inclusão de crianças portadoras de necessidades educativas especiais no ensino regular, é possível reconhecer a importância e a responsabilidade da escola em poder atender a esses indivíduos em sua totalidade.” (HOFFMANN, 2009). Porém muitos profissionais da educação desconhecem as leis sobre o: “(...) direito de toda criança à educação, consignado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (UNITED NATIONS, 1948), foi reiterado pela Declaração Mundial sobre Educação para Todos (UNESCO, 1990). Mais recentemente, com a Declaração Mundial de Salamanca (UNESCO, 1994), este direito também foi assegurado para um segmento escolar que, até então, era pouco considerado: trata-se dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais (PNEE). No Brasil, um passo importante para assegurar o direito à educação sem exclusão para os PNEE se deu com a promulgação da lei n.º 9394/96 - Nova Lei de Diretrizes e Bases Nacional (LDB) (BRASIL, 1996). Em seu Artigo 4.º, a LDB determina que deve haver "atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino", e, no seu Artigo 58.º, estabelece, também, que educação especial é "a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais". (ABPEE, 2006) Segundo Gomes (2006), a “Dissonância entre as dimensões afetiva, cognitiva e denotativa das atitudes dos professores foi constatada, a discordância e a dissonância evidenciado podem representar barreiras quanto à inclusão escolar de portadores de paralisia cerebral” aumentando assim a dificuldade do professor em relação à inclusão escolar, que assim como mencionado por Hoffmann (2009), já encontra em seu princípio o “(...) desafio de desenvolver uma pedagogia centrada no educando, uma pedagogia capaz de educar com êxito todos os seus educandos, incluindo aqueles com deficiências e desvantagens severas.”. È de nosso conhecimento que a inclusão necessita ainda de muitas mudanças para ser o que diz na lei, e que precisamos preparar nossos professores para que além de serem profissionais, sejam também conscientes, pois estão trabalhando com seres humanos que precisam de amor e carinho como todos para conseguirem ultrapassar seus obstáculos com dignidade. Contudo os profissionais ainda não possuem o conhecimento, a formação e o apoio adequado para essa inclusão, pois seriam necessários novos sistemas de aulas e materiais, para obter bons resultados. Conforme o mencionado em Paralisia Cerebral: Mito e Realidade um bom exemplo de luta, dignidade e perseverança que nos descreve Sueli Harumi Satow (SILVA, 2007): “(...) comunicadora e filósofa Suely Harumi Satow, 54 anos, com mestrado e doutorado em Psicologia Social, pela PUC de São Paulo. Apesar da titulação, ela destaca que, em geral, os atendentes de lojas e médicos a tratam como se tivesse deficiência intelectual. Ela atribui seu desenvolvimento ao apoio da família. Seus pais a incentivavam sempre, mesmo nas situações mais difíceis. "Na escola também havia um outro extremo, na classe me consideravam a aluna exemplar por causa das seqüelas, mas na hora do lanche eu ficava com as excluídas (a mais gorda, a mais feia, etc.). Estas circunstâncias levaram-me a um desequilíbrio psíquico muito forte, que quase me colocaram em um hospício", afirma. Suely gostaria que a sociedade a tratasse como as outras pessoas, vendo-a como ser humano, apesar das diferenças, e não como um ser incapaz com necessidade de tutela. ‘A sociedade deveria rever sua hipocrisia, fingindo que não é preconceituosa, e olhar profundamente para ela mesma, os indivíduos que a compõem, e se conhecer melhor. Talvez, agindo assim, as diferenças diminuiriam gradativamente’(...)”. Segundo
Leite (2009) “A brincadeira ao ar livre é de grande importância
para a criança com mobilidade reduzida, pois além de
ser uma forma de lazer, ela também contribui para a sua reabilitação.”,
ou seja, “(...) a criança tem oportunidade de crescer
muito mais saudável e de se integrar na sociedade.” tendo
incluído em seu “(...) universo seus limites, desafios
e outras crianças.”. Com esse objetivo existe o projeto
de Utilização de brinquedos para inclusão de
crianças com paralisia cerebral: desenvolvimento de um balanço
ergonômico que ajuda para uma melhor qualidade de vida do portador
de paralisia cerebral e de sua família, proporcionando um processo
efetivo de inclusão social participativa e consciente. Este
projeto visa a construção de brinquedos ergonômicos
(brinquedos adaptados a todos os possíveis usuários)
como forma de inclusão a sociedade, onde devemos lembrar que
mesmo existindo diferenças entre as pessoas, todos precisam
de oportunidades para um desenvolvimento “pleno” de suas
potencialidades. “(...) desenvolvem a apreciação pela diversidade individual; adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas; demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos; estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificada através da educação especial; podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas” Mas, para Fischer (citado por HOFFMAN, 2009), infelizmente é notório que “(...) não só falta preparo profissional, mas também informação quanto à paralisia cerebral.” sendo que “A grande maioria dos professores sequer conhece ou teve contato com um PPC”, sendo considerado por “tratar-se de uma população com padrões e características corporais atípicas e bastante salientadas, requer, necessariamente, uma preparação diferenciada do educador para lidar com estes alunos.”. De acordo com Kok (citado por SILVA, 2007) um importante fator a ser comentado é que existe uma diferenciação entre paralisia cerebral de deficiência intelectual, onde o primeiro é ocasionado por uma lesão que atinge a parte motora e o segundo a lesão atinge a parte mental, onde é acrescentado por Leite (2009) que todas as formas de paralisia cerebral podem ter problemas associados. Segundo Lobo, a inclusão é um desafio complexo, não só para os educadores, como para os próprios portadores de necessidades educativas especiais e também para suas famílias, pois para todos incluir é conviver com o estranho, ou seja, com o novo, com o diferente.
Os estudos nos mostram que existe uma grande procura por melhorias
a favor das pessoas com necessidades especiais, o que favorece bastante
em questão, o crescimento de pesquisas e investimentos, favorecendo
a inclusão dos mesmos, e como mencionados por Hoffmann (2009),
a carência de profissionais especializados torna-se um dos maiores
desafios a ser enfrentado.
Tendo como ponto de vista a inclusão de pessoas com Paralisia
Cerebral, nota-se que existem várias pesquisas direcionadas
ao tema, porém criar “mecanismos” para realização
deste objetivo vai de conhecimentos teóricos, pois cada pesquisador
busca métodos de inclusão seguindo seu próprio
ponto de vista, mas pouco se sabe sobre a interação
dos mesmos com as pessoas com necessidades especiais. Não se
pode negar que essas pesquisas são de grande importância
para o desenvolvimento sobre o tema, possibilitando novas perspectivas. Chegamos a um consenso que as pesquisas e o desenvolvimento de novos métodos para a inclusão de pessoas com dificuldades especiais terão grande influência em nossa sociedade, já que cada vez mais está sendo comentado entre as pessoas, mas que a divulgação e a luta para que haja um progresso é de nossa responsabilidade, pois nossa formação nos facilitará a lidar com esse contexto, ou seja, temos novos conhecimentos e iremos divulgá-los enquanto educadores e cidadãos.
ABPEE, Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação
Especial. Inclusão escolar do portador de paralisia cerebral:
atitudes de professores do ensino fundamental. Rev. Brás. educ.
espec. vol.12 no.1 Marília Jan./Apr. 2006. Disponível
na internet via WWW URL: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-65382006000100007&script=sci_arttext&tlng=pt>
Capturado em 01/02/2009 ás 23h: 50 min. Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni - Pedagoga com especialização em Psicopedagogia e em Educação Especial, trabalhando há quinze anos em escola com múltiplas deficiências. Publicado em 28 de Abril de 2010
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