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Dislexia: Um Desafio para Pais e Eucadores Autora: Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni Resumo: “Não
há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.” Quando falamos em “dislexia”, é necessário que saibamos que é uma das mais comuns deficiências de aprendizado, e também para que pais e educadores não confundam dislexia com preguiça ou má disciplina. Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente. Para que possamos entender como uma pessoa disléxica aprende é necessário que saibamos que a “Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social”.
Não tem como causa falta de interesse, de motivação,
de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade
visual ou auditiva. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes
graus, é característica evidenciada em cerca de 80%
dos disléxicos.
- Disgrafia: é caracterizada por problemas com a Linguagem
Escrita, que dificulta a comunicação de idéias
e de conhecimentos através desse específico canal de
comunicação. Para melhor entendermos como o cérebro de uma pessoa disléxica e de uma pessoa não disléxica processa as informações é necessário que saibamos que os dois cérebros são iguais, a única diferença está nas conexões feitas por eles. Por exemplo: durante a leitura de uma pessoa sem dislexia, as áreas que ligam a visão ao som e ao significado é que são ativadas e de uma pessoa com dislexia existe uma diminuição nas atividades das áreas que ligam a linguagem a visão. Segundo a ABD (Associação Brasileira de Dislexia) aproximadamente 20% da população mundial sofre deste mal. Os sintomas dependem muito da idade e os primeiros sinais geralmente aparecem nas salas de aula – A disfunção geralmente caracteriza-se pela dificuldade na decodificação das palavras, como trocar letras ou até mesmo escrevê-las na ordem inversa, e também dificuldades na leitura e fala. No entanto, esses sintomas não são determinantes para identificá-la, sendo necessário um diagnóstico e acompanhamento médico e psicológico. Como detectar os sintomas da dislexia? (Sagostinho, 2010) De acordo com a ABD, depois de diagnosticado a dislexia, o encaminhamento permitirá que o profissional que irá acompanhar o caso tenha mais eficácia e aproveitamento, pois terá em suas mãos um relatório que identificará as causas das dificuldades apresentadas. Com isso, a próxima etapa a seguir é encontrar um método correto para trabalhar com a criança disléxica, não se esquecendo que cada caso tem sua individualidade. Em sala de aula, o educador precisa entender o aluno disléxico, respeitando suas diferenças de aprendizagem, transformando isso num desafio, onde lhe trará novas experiências, mostrando a toda classe como conviver com as diferenças.O papel dos educadores é importantíssimo para dar continuidade ao trabalho multidisciplinar. A escola que conhecemos, certamente não foi feita para trabalhar com a diversidade, por isso que é necessário a mudança dos conteúdos, das metodologias, dos objetivos, da organização, do funcionamento e da avaliação, somente com essa mudança o educador conseguirá adequar a sua aula a todos os alunos e assim haverá uma aprendizagem de qualidade. Com a necessidade de uma mudança para construir uma escola inclusiva chegou a hora de especificar o papel da escola, de sua organização, dos educadores e de todos os profissionais que nela atuam. Segundo Kaléria (2007, citado por Bayer, 2006), ao discutir a inclusão, são apontas algumas mudanças necessárias, e que já vem sendo implementadas, para atender os alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares, considerando os dois princípios fundamentais: a convivência construtiva dos alunos e aprendizagem comum (e que atenda também ás especificidades pedagógicas). As condições apontadas são: a individualização do ensino, que significa a individualização dos alvos, da didática e da avaliação; o sistema de bidocência; o conceito de educação especial subsidiária. Acreditamos que a Constituição Federal e a Legislação do Conselho Nacional de Educação, dão amplo amparo aos casos de dificuldades de aprendizagem relacionadas com a linguagem. Segundo a Legislação de apoio para o atendimento ao disléxico no parecer CNE/CEB n 17/2001, Resolução CNE/CEB n 2, de 11 de setembro de 2001: “ O quadro das dificuldades de aprendizagem absorve uma diversidade de necessidades educacionais, destacadamente aquelas associadas a: dificuldades específicas de aprendizagem como a dislexia e disfunções correlatas; problemas de atenção, perceptivos, emocionais, de memória, cognitivos, psicolingüísticos, psicomotores, motores, de comportamento; e ainda há fatores ecológicos e socioeconômicos, como as privações de caráter sociocultural e nutricional.” Como também citado por Jucelino Gadelha no Projeto de lei n 86/06. Programa de Apoio ao Aluno Portador de Distúrbios Específicos de Aprendizagem Diagnósticos como Dislexia. A Câmara Municipal decreta: Parágrafo Único: A Municipalidade firmará parcerias e convênios com instituições especializadas e associações afins. (Gadelha, 2006) “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda.” Paulo Freire O IMPORTANTE PAPEL DA ESCOLA E DO EDUCADOR: O papel da escola e dos professores é essencial para a identificação dos sintomas e no auxílio do tratamento do aluno disléxico. Os professores devem se inteirar a respeito do que é dislexia, conhecer melhor a disfunção e saber como atuar didaticamente, oferecendo estímulo, apoio e inclusão destes alunos na vida escolar. O papel dos professores é importantíssimo para dar continuidade ao trabalho multidisciplinar. Dar apoio e compreensão, evitar rótulos, estimular a leitura e a escrita, exigir a auto-correção dos erros ortográficos e entender os altos e baixos no aproveitamento são algumas ações que dão um suporte essencial ao tratamento do disléxico. (Espaço Educativo Vivendo e Aprendendo, 2008) Para o educador poder detectar a dislexia é preciso observar seus alunos em sala de aula, se apresentam dificuldades com a linguagem, dificuldades em escrever, dificuldades com a escrita ou lentidão na aprendizagem da leitura.
Quanto antes a dislexia for detectada melhores serão os resultados,
pois assim a criança não se sentirá desestimulada
nos estudos, não ficará frustrada e nem sofrerá
rejeições. O despreparo de muitas escolas com relação
a dislexia, muitas vezes acabam criando ou reforçando a evasão
escolar. Como
saber se seu filho é disléxico? A
partir dos 12 anos Conclusão: Os pais são as pessoas que passam o maior tempo com seus filhos, pois é fundamental que eles observem e fiquem atentos em alguns comportamentos tais como: se seu filho quando pequeno demorou a aprender a falar, depois quando seu filho estiver maior prestar muita atenção se ele apresenta dificuldades em chutar bola ou pular corda quando está brincando e também se ele não consegue reconhecer horas e amarrar os sapatos. Quando a criança já estiver na escola é necessário que tanto os educadores quanto os pais fiquem atentos com relação á sua aprendizagem, pois se a criança estiver com dificuldades em escrever as letras do alfabeto; os meses do ano; sílabas de palavras longas; escrever os numerais corretamente ou diferenciar entre direita e esquerda pode ser uma pista para que você procure um profissional que seja qualificado. Quanto antes a dislexia for detectada, melhores serão os progressos de seus filhos. Pais e educadores devem se esforçar para identificar e tratar a dislexia, pois se desde cedo forem tratadas as crianças disléxicas podem superar o problema e se igualar a outras crianças que nunca tiveram qualquer dificuldade de aprendizagem. Muitos casos de dislexia passam desapercebidos em nossas escolas, pois crianças inteligentes, mas que são disléxicas se confundem com péssimos alunos, onde acabam abandonando a escola devido a suas dificuldades de serem compreendidas. E muitos pais, por falta de conhecimento sobre o assunto, se sentem envergonhados por terem um filho com dislexia e evitam tratar do problema.
'' ... O mundo está nas mãos daqueles que tem a coragem
de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos ... '' Referências Bibliográficas:
GADELHA, Juscelino. Programa de Apoio ao Aluno Portador de Distúrbios
Específicos de Aprendizagem Diagnósticos como Dislexia,
2006. Disponível na internet via WWW URL: http://www.dislexia.org.br/leis/lei008.html Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni - Pedagoga com especialização em Psicopedagogia e em Educação Especial, trabalhando há quinze anos em escola com múltiplas deficiências. Publicado em 18 de junho de 2011
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