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As
Novas Tecnologias na Escola e no Mundo Atual: Autor:
Teófilo Alves Galvão Filho Para
que possamos prever ou avaliar os benefícios das Novas Tecnologias
da Informação e da Comunicação, no processo
de inclusão social de alunos com necessidades educacionais especiais,
é vital detectar o contexto dentro do qual essas tecnologias são
inseridas, tanto o educacional, quanto o contexto social. Buscamos, aqui,
justamente introduzir essa análise de contexto. Por meio dela,
podemos constatar que, com paradigmas baseados na padronização
arbitrária de expectativas e resultados e na memorização
de informações, a tendência é a exclusão
social do aluno, pelo reforço a sua dependência e passividade.
De outra forma, quando as interações ocorrem a partir de
modelos que valorizem a iniciativa e a autonomia desse aluno, como sujeito
na construção dos seus conhecimentos, é possível
percebermos passos efetivos em direção à sua inclusão
social.
Philippe Perrenoud, comentando sobre o novo mundo em que crescem as crianças
de hoje, um mundo no qual elas dominam desde muito cedo as novas tecnologias,
que influem determinantemente em seus cotidianos ( "As crianças
nascem em uma cultura em que se clica..."), faz a seguinte afirmação: Sim, deveria. Mas, infelizmente, um conjunto de circunstâncias fazem com que esse alerta de Perrenoud se torne dramaticamente atual e pertinente. Embora já se multipliquem os movimentos para transformar o modelo educacional escolar no qual estamos imersos, premidos pelas aceleradas transformações que ocorrem nas sociedades e culturas e que o tornam mais evidentemente estéril, esse modelo ainda é marcadamente caracterizado pela rigidez, pela padronização massificada, pela transmissão e memorização de informações.
Como faz notar Mantoan: Se pensarmos no homem do século XIX ou mesmo do início do século XX, perceberemos que para que este homem fosse considerado "formado", ou "capacitado", em uma determinada área do conhecimento, era suficiente que dominasse, ou retivesse na memória, ou mesmo tivesse rápido acesso a uma considerável quantidade de informações, que corresponderia ao saber acumulado, sistematizado e disponível em seu tempo, sobre a referida área. E isto era alcançado com alguns anos de estudos, utilizando principalmente a literatura mais recente e reconhecida sobre os assuntos estudados. E, a grosso modo, os conhecimentos que adquirisse em uma faculdade, por exemplo, continuariam válidos e úteis por praticamente toda a sua vida laboral. O saber e os conhecimentos disponíveis, portanto, eram bastante estáveis e perenes. Mudavam num ritmo lento. Cada nova descoberta e informação permanecia válida e atual por um período de tempo bem largo, demorando muito para ser superada e ficar defasada. Pensemos, por exemplo, em um laboratório de pesquisas, no início do século passado, em qualquer cidadezinha da França, que houvesse chegado a determinadas descobertas científicas. Essas novas descobertas, normalmente, deveriam ser apresentadas em congressos, publicadas em mídias especializadas, circular primeiro no meio científico, para, a seguir, serem publicadas para o grande público. Depois, viriam as traduções para outros idiomas e, só então, a circulação em outros países. Todo esse processo podia fazer com que se passassem muitos anos, até que essas novas descobertas pudessem efetivamente beneficiar populações de países mais longínquos, como o Brasil, por exemplo. As mudanças, portanto, eram bem lentas e um modelo educacional baseado na retenção e manipulação de informações transmitidas e memorizadas, podia, até certo ponto, dar conta das necessidades da sociedade daquela época. Hoje, isto já não acontece. Em primeiro lugar, hoje as informações válidas, úteis, são muito mais efêmeras. Muito mais rapidamente ficam defasadas, superadas, inúteis mesmo, a partir de novas descobertas que as atropelam e superam, quase que a cada instante... Uma nova descoberta científica encontrada, em qualquer centro de pesquisa no mundo, tem possibilidades de ser acompanhada, em tempo real, por qualquer outro laboratório ou universidade, situado em qualquer país, no mesmo instante em que esta descoberta está acontecendo, via Internet. E a partir dela, novas pesquisas são geradas, levando a novas descobertas também imediatamente disseminadas, superando as anteriores e assim por diante. O ritmo das mudanças é vertiginoso. Não existe mais aquele volume sólido e quase imutável de informações, já que novas informações são constantemente produzidas, experimentadas e disseminadas a nível mundial, e que também rapidamente se tornam defasadas. Em segundo lugar, é praticamente imensurável o volume de informações imediatamente disponível em cada área do conhecimento, hoje em dia. E isto faz com que nenhum profissional consiga, ao contrário de antigamente, ter o domínio e o controle de todas as informações relevantes geradas em sua área de atuação, por mais capacitado que seja esse profissional. Há sempre muitas e novas informações que lhe escapam. Portanto, já não é mais possível nem útil formar um profissional a partir da transmissão e retenção das informações mais importantes de cada área.
Então, quem é esse homem considerado formado, capacitado,
segundo as necessidades e possibilidades da sociedade de hoje? Depois de analisar a evolução de diferentes sistemas de produção encontrados na história do homem (produção artesanal, produção em massa e produção "enxuta"), Valente (1999) propõe comparar os processos de mudança na Educação, traçando um paralelo com as mudanças ocorridas nos modelos produtivos na história. Analisando, em rápidas pinceladas, os três modelos de produção citados, vemos que as características do modelo de produção chamado de produção artesanal incluíam uma alta capacitação e habilidade do artesão, ferramentas flexíveis, produção personalizada e sob encomenda, qualidade excelente, pequenas quantidades e custo elevado. Somente uma minoria tinha acesso aos bens produzidos. Já a produção em massa surgiu a partir do processo de industrialização, com o objetivo de aumentar e padronizar essa produção, reduzindo os custos do produto, atingindo um maior número de consumidores, mas também com a possibilidade da diminuição da qualidade em relação à produção artesanal. Neste caso, na produção em massa, não é mais o consumidor que solicita a produção de determinado item, mas são técnicos que projetam o produto em função de sua possível aceitação no mercado, para depois oferecer o mesmo a este mercado. Segundo VALENTE (1999) o modelo da produção em massa é o empurrar (push): "o planejamento da produção é 'empurrado' para os operários, que 'empurram' as subpartes na linha de montagem e o produto final é 'empurrado' para o cliente, que deve ser convencido de consumí-lo." É o modelo chamado "taylorista-fordista".
Segundo define Antunes: Se o modelo fordista, ou de produção em massa, era baseado no "empurrar" (push), como vimos antes, já o modelo enxuto é caracterizado pelo "puxar" (pull) a produção, como chama a atenção Valente (1999), significando que o início da cadeia produtiva é iniciada pelo cliente, que demanda determinado produto e essa demanda "puxa" toda a produção. Com esse tipo de produção, se eliminam desperdícios e estoques, já que a produção ocorre somente quando há a demanda - produção just in time.
Sobre as novas tecnologias relacionadas a este modelo, esclarece Márcia
de Paula Leite que: Traçando, então, um paralelo entre essas mudanças nos modelos produtivos com o que tem ocorrido na Educação (VALENTE, 1999) vemos que, quando da vigência do modelo produtivo artesanal, o modelo educacional correspondente era o mentoreado, uma educação também "artesanal", com professores particulares (mentores) para uma minoria previlegiada, membros da corte ou de famílias ricas. Já com o modelo de produção em massa, o fordismo, surgiu um modelo de educação também de massa, mais urbano que o anterior, com a escola visando "empurrar" informações a um número cada vez maior de alunos. A escola seria uma espécie de "linha de montagem", onde o aluno vai sendo "montado", ou (in)formado, pelos professores, passando por diversas fases.
O grande problema é que a realidade da educação escolar
praticamente "estacionou" neste modelo padronizante há
mais de um século, tornando-se quase impermeável à
realidade das mudanças que têm ocorrido no mundo. Conforme
Mantoan: Como seria, então, esse modelo de "educação enxuta", que responderia às necessidades do indivíduo no mundo atual? Como seria esse indivíduo formado hoje? Antes, porém, analisemos os diferentes percursos e etapas vivenciados pelo aluno, em seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. b) Aprendizagem significativa Comentando sobre a importância da ludicidade e do envolvimento pessoal do aluno para o seu processo de aprendizagem, afirma Bruner: "acredito que a brincadeira seja essencial para a evolução do uso de instrumentos (BRUNER, 1976). Mas é interessante notar a mudança brusca, em seu modelo de aprendizagem, quando uma criança é introduzida no ensino formal, na escola. Até ingressar na escola, a criança aprende diversas coisas, como salientou Piaget, sem ser formalmente ensinada. O aprendizado ocorre por livre exploração, por imitação, e, fundamentalmente, por brincadeiras e jogos. A partir dessas atividades ela aprende a caminhar, a falar, a usar diferentes ferramentas e utensílios, aprende o sentido de diferentes conceitos, etc. Quando ingressa na escola, parece que toda essa metodologia própria da criança no seu aprendizado é bruscamente desvalorizada, quase desconsiderada. A partir daí, a criança deve ficar geralmente sentada, quieta, escutando e "aprendendo" aquilo que o professor e a escola acham que é importante que ela aprenda e da forma como eles acham que deve aprender... Toda aquela curiosidade natural da criança em pesquisar e testar seu meio, toda aquela metodologia que tanto a ajudou em seu desenvolvimento e aprendizado até aquele momento, parece que não tem mais valor. Tornar-se adulto, ou aprender, parece que é entendido como sinônimo de "deixar de brincar", deixar de "pesquisar" movido pela curiosidade... Quanto não teremos perdido nós, adultos, em potencial de aprendizagem, por termos sido condicionados a "desaprender de brincar"?... E, assim, por longos anos, a escola "atrofia" no aluno o seu impulso natural para o aprendizado movido pela curiosidade, o seu impulso para a exploração do mundo e para a pesquisa, o seu impulso para a construção de uma aprendizagem significativa e diretamente relacionada com o seu ambiente, com os seus gostos e necessidades, diretamente relacionada com a realidade que o cerca. E a escola sai, então, atrás de "novos métodos" educacionais, desesperada por manter a motivação e o interesse do aluno, novos métodos que, muitas vezes, prometem "revoluções" na educação. Mas, se examinados mais de perto, verificamos que muitos desses "novos métodos" nem de longe analisam, ou questionam, os paradigmas educacionais em cima dos quais eles estão estruturados. Acontece, então, frequentemente, que modelos do século passado, que já não respondem às necessidades e anseios do homem e da sociedade de hoje, são ratificados, confirmados, por esses "novos métodos", que na verdade muitas vezes não passam apenas de novas roupagens mais vistosas, novas "cascas", colocadas em velhos e decrépitos paradigmas, totalmente defasados em relação a realidade atual. Após esses longos anos de um modelo de ensino massificado e padronizante, a escola só começa a oferecer ao aluno uma possibilidade séria de retornar, de forma aproximada, ao modelo de aprendizagem da primeira infância, somente na pós-graduação... Ou seja, somente na pós-graduação é novamente oferecida ao aluno a possibilidade de aprender e produzir conhecimento através da exploração e da pesquisa, E o aluno passa, então, a ser chamado de "pesquisador"... Mas, chegando a este nível, com sua capacidade de pensar livremente atrofiada por longos anos de memorizações e de passividade, frequentemente o aluno só consegue produzir mesmo são repetições e "mesmices", necessitando de um grande esforço para novamente libertar o seu potencial exploratório e criador, por tantos anos reprimido. Por quê, então, essa aprendizagem significativa e contextualizada, construída através da metodologia própria da primeira infância (obviamente que elaborada de forma bem mais sistemática agora) só pode ser retomada, a sério, depois de tantos anos de ensino formal? Claro que há matizes e brechas em todos esses anos da aprendizagem escolar, através das quais o aluno consegue manter ainda vivo o seu espírito curioso e inquieto, ajudando-o a fazer as transferências necessárias que contextualizem, pelo menos em parte, as informações memorizadas. Sem falar em todos os outros ambientes, fora da escola, que favorecem uma aprendizagem significativa, os quais se multiplicam no mundo de hoje, e deixam a escola tradicional cada vez mais isolada e inócua.
Mas por quê isso tem que ser vivenciado a despeito da escola? Por
quê não construir uma aprendizagem significativa dentro da
escola, em toda a sua trajetória, da educação infantil
até a pós-graduação? Por quê não
assumir, no ensino formal, um paradigma que confie e aposte no potencial
e capacidades do aprendiz, que valorize sua iniciativa, sua curiosidade
e desejo de pesquisar e aprender, que valorize os contextos de mundo nos
quais está inserido, em todas as etapas de seu processo de aprendizado?
Em seu questionamento ao modelo escolar tradicional, Papert declara:
Onde nos levaria um paradigma educacional diferente, através do
qual fosse admitida uma maior flexibilização da esperada
uniformidade de resultados? Onde fosse admitido que os alunos pudessem
chegar a "lugares diferentes" uns dos outros, atingissem diferentes
níveis em função de seus diferentes potenciais e
diferentes "amplitudes" de suas "zonas de desenvolvimento
proximal"(VYGOTSKY, 1989), sem a preocupação excessiva
da uniformidade e de uma rígida e burocrática seriação
curricular? E não estaria, assim, mais de acordo com as novas formas
de aprender e interagir, utilizando os novos recursos que o mundo de hoje
oferece?
Por este motivo, fica difícil falar em uma "educação
inclusiva" sem uma crítica e uma transformação
radical deste modelo padronizante, o qual não suporta as diferenças.
Não basta apenas encontrar professores de boa vontade e bem intencionados.
Como alerta Apolônio do Carmo (2001), os que forçam essa
prática de uma inclusão escolar no ensino regular, de alunos
com necessidades educacionais especiais, de forma indiscriminada, de forma
"xiita", "forçam e colocam em prática uma
ação completamente desarticulada e sem compromisso com a
realidade objetiva das escolas regulares brasileiras", porque, na
realidade, segundo Carmo, "...deixam de considerar que as escolas
públicas e privadas na forma como se apresentam, historicamente,
têm cumprido dentre outras funções a de perpetuar
as desigualdades sociais" (CARMO, 2001). Exatamente pelas dificuldades e atrasos que esses alunos com necessidades especiais frequentemente apresentam em seu desenvolvimento global, é vital, com muito mais ênfase nesses casos, oferecer-lhes um ambiente de aprendizagem que os ajude a abandonar essa postura passiva de receptores de conhecimento. Um ambiente onde sejam valorizadas e estimuladas a sua criatividade e iniciativa, possibilitando uma maior interação com as pessoas e com o meio em que vivem, partindo não de suas limitações e dificuldades, mas da ênfase no potencial de desenvolvimento que cada um trás em si, confiando e apostando nas suas capacidades, aspirações mais profundas e desejos de crescimento e integração na comunidade.
Para que o aprendiz seja, portanto, esse sujeito ativo na construção
do próprio conhecimento, é vital que vivencie condições
e situações nas quais ele possa, a partir de seus próprios
interesses e dos conhecimentos específicos que já traga
consigo, exercitar sua capacidade de pensar, comparar, formular e testar
ele mesmo suas hipóteses, relacionando conteúdos e conceitos.
E possa também errar, para que reformule e reconstrua suas hipóteses,
depurando-as. Baethge alerta que: "Só quem utiliza o computador como um meio auxiliar para a formação independente de juízos, emprega-o corretamente e com sucesso." (BAETHGE, 1989) Essa busca ainda embrionária de uma educação transformada e transformadora, que responda aos anseios e necessidades do homem imerso na chamada sociedade do conhecimento, tem gerado inúmeras experiências que vão abrindo novos caminhos. A idéia do aprendizado através de projetos, a chamada "pedagogia de projetos", é um exemplo de uma forma de criar ambientes de aprendizagem informatizados abertos, com a finalidade de ir aprofundando conceitos e construindo os conhecimentos. Em nosso trabalho educacional utilizando o computador e a telemática na Educação Especial (http://infoesp.vila.bol.com.br), diferentes conteúdos são desenvolvidos pelos alunos através de projetos. Verificamos que as novas tecnologias da informação e da comunicação, as NTIC, podem ser aliadas poderosas na construção de ambientes de aprendizagem ricos, que favoreçam o pensamento livre e autônomo do aluno. No modelo educacional pelo qual optamos, em cada projeto desenvolvido, a ênfase não é colocada no produto que a pessoa realiza, mas no processo pelo qual ela atinge seus objetivos. Por isso, o erro deixa de ser algo passível de punição, e passa a ser um momento rico de reavaliação, de depuração, pelo aluno, de suas próprias hipóteses. Esta reavaliação e depuração é um momento privilegiado para o aprendizado, pois no momento em que revê suas hipóteses, que foram testadas por ele mesmo em seu projeto, fica desafiado, a partir da identificação e análise do seu erro, a elaborar novas hipóteses e novas estratégias para a solução dos problemas. Ele tem o interesse em descobrir a solução para as dificuldades que encontra, pois os objetivos a que deve chegar são definidos por ele mesmo e não impostos por outros. O aluno começa a pensar sobre sua forma de pensar. É importante também, nesse modelo, que o professor conheça melhor o seu aluno: "é imprescindível, para o facilitador, o conhecimento sobre o aluno, sua história, seu meio social, sua forma e estilo de interagir e construir o conhecimento." (GALVÃO FILHO, 2001). Somente assim poderá intervir no sentido do desenvolvimento do pensamento autônomo desse aluno. Manipulando preferencialmente softwares e sistemas abertos, ou seja, aqueles que permitam ao aluno o desenvolvimento de projetos em diferentes áreas do conhecimento (software de autoria, por exemplo), recorrendo, para isto, a sua criatividade e mecanismos internos de construção desse conhecimento e resolução de problemas, estaremos, com mais facilidade, trabalhando segundo esse modelo proposto.
Para exemplificar, se pensarmos em atividades que objetivem o desenvolvimento
da leitura e da escrita, ou mesmo de outros conteúdos e conceitos,
os alunos podem trabalhar, por exemplo, com projetos de criação,
redação e leitura de histórias, utilizando, entre
várias opções:
É importante destacar que, na aprendizagem através de projetos,
como unidade de trabalho, conteúdos de diferentes áreas
estarão sendo trabalhados, de forma interdisciplinar, no desenvolvimento
de um mesmo projeto. É vital que o facilitador tenha a sensibilidade
de ajudar o aluno a explicitar esses conteúdos. Nas palavras de
Prado: Trabalhando desta maneira, o aluno estará utilizando diferentes recursos computacionais e telemáticos, mas dentro de um mesmo paradigma valorizador de suas capacidades e iniciativa. E o computador e a telemática serão utilizados como recursos, ou como um ambiente (em se tratando de Internet), através dos quais esse aluno irá construindo o seu conhecimento. É superada, portanto, a concepção do computador como uma "máquina de ensinar", na qual eram introduzidas informações, para que depois fossem repassadas, "ensinadas", ao aprendiz. Com essa metodologia não é, portanto, o computador que ensina o aluno, mas sim o aluno que aprende "ensinando o computador", ou seja, criando, desenvolvendo novos projetos. Outro recurso proporcionado pelas novas tecnologias para a autonomia, para o processo de aprendizagem e para a inclusão social da pessoa com necessidades educacionais especiais, são as adaptações de acessibilidade e tecnologias assistivas.
Como vimos anteriormente, freqüentemente as limitações
físicas ou sensoriais da pessoa portadora de deficiência
tendem a tornar-se um obstáculo para o seu processo de aprendizagem.
Também com freqüencia são fontes de exclusões
e preconceitos. Em muitos casos o uso dessas tecnologias tem se constituido na única maneira pela qual diversas pessoas podem comunicar-se com o mundo exterior, podendo explicitar seus desejos e pensamentos. É o caso, por exemplo, de um aluno nosso, com 37 anos de idade, que começa agora, através dessas adaptações, a poder expressar melhor todo o seu potencial cognitivo, iniciando a aprender a ler e escrever. Esse aluno, que é tetraplégico, consegue utilizar o computador através de um programa especial que lhe possibilita transmitir seus comandos somente através de sopros em um microfone. Isto lhe tem permitido agora, pela primeira vez na vida, escrever, desenhar, jogar e realizar diversas atividades que antes lhe eram impossíveis. Ou seja, horizontes totalmente novos lhe foram abertos, possibilitando que sua inteligência, antes aprisionada por um corpo extremamente limitado, encontrasse novos canais de expressão e desenvolvimento.
Da mesma forma, diferentes alunos fazem uso de outras adaptações,
em função das necessidades específicas de cada um,
tais como: máscaras de teclado (colméias), estabilizador
de punho, abdutor de polegar, simuladores de teclado, simulador de mouse,
opções de acessibilidade do Windows e outras. Como faz notar
Capovilla: Certamente que não. Não podemos fazer essa afirmação, assim, de forma generalizada, por tudo o que foi colocado anteriormente sobre a situação da educação escolar no nosso país. Existem, como já colocamos, inúmeras formas de utilização das NTIC que enriquecem, de forma muito significativa, o processo de inclusão social desses alunos. Mas também existem, infelizmente, outras formas que podem causar o efeito exatamente contrário. Ou seja, a exclusão social, a falta de iniciativa, a passividade e a dependência do aluno. Quando o computador, por exemplo, é "enxertado" dentro de uma prática escolar tradicional, dentro de um modelo "instrucionista", padronizante, que valoriza quase que exclusivamente o repasse de "pacotes de informação" e a memorização, esse computador é normalmente utilizado como uma "máquina de ensinar", com as informações sendo colocadas dentro da máquina, utilizando software "fechados", para que depois sejam repassadas aos alunos, que as recebem e memorizam, de forma passiva, através de tutoriais ou exercícios multimídia, com cores, animações, músicas e outros sons, etc. Então, o computador é comemorado como um novo "chamariz" para motivar e atrair a atenção do aluno para o estudo... Mas, na verdade, está sendo utilizado como uma nova "maquiagem" que disfarça o velho e decrépito modelo, atrasando ainda mais as transformações estruturais necessárias. O computador, utilizado dessa forma, torna-se mais um obstáculo para o verdadeiro aprendizado significativo do aluno, porque reforça e acrescenta algum tempo de sobrevida ao moribundo modelo educacional tradicional, que é cada vez mais estéril.
Esta seria, portanto, uma forma de reforço da exclusão social,
na medida em que reforça a passividade e a dependência. Educar
para a autonomia e para o pensamento livre, utilizando as NTIC, como já
vimos, seria algo totalmente diferente. Como destaca Perrenoud: Se, por um lado, é verdadeiro que esse acesso ainda não é majoritário no caso da realidade brasileira, por outro lado, tudo leva a crer que, assim como ocorreu com outras tecnologias (TV, vídeo, etc), este acesso tende a popularizar-se e massificar-se rapidamente. Esse raciocínio é confirmado também por diversas políticas oficiais que visam o barateamento e o acesso massivo às novas tecnologias, tanto na educação como em outros setores da sociedade brasileira.
Como outro aspecto levantado pelos críticos das NTIC, colocando-as
como fator de exclusão social, é inquestionavelmente verdadeiro
que essas tecnologias, colocadas a serviço do modelo econômico
neoliberal e hegemônico, têm ampliado os efeitos nefastos
do capitalismo, causando um aumento significativo do desemprego. Como
faz notar Jane Kenway: Publicado em 31 de julho de 2006
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