História de Vida de um Jovem Portador de Surdez: Estudo de Caso

Autores: Sidcley Cavalcante da Silva, Maria Auxiliadora Diniz e Ednaldo Cavalcante de Araújo

LIVE HISTORY OF A YOUNG OF DEAFNESS CARRIER: REPORT STUDY

RESUMO

Além de vários aspectos envolvidos na família a respeito dos jovens surdos, foi abordado nessa pesquisa, o relacionamento desses jovens com os pais, com os amigos e o seu universo paralelo com os jovens que escutam, mostrando as dificuldades encontradas no decorrer da história de vida do jovem surdo. O desenvolvimento sócio-afetivo do jovem surdo está atrelado à capacidade de aprendizado, pois muitos se utilizam da Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), e muitos ainda se comunicam a partir de gestos e sinais. Trata-se de um estudo de caso, desenvolvido numa abordagem qualitativa que se caracteriza como pesquisa diagnóstica da situação de saúde. O estudo foi realizado numa comunidade de pescadores da cidade de Goiana (PE). Para isto, foi aplicado um instrumento de pesquisa elaborado com questões abertas contemplando as seguintes variáveis: sexo, idade, estado civil e história de vida. Os dados foram transcritos, organizados, procedendo-se à discussão com a literatura pertinente. A guisa de consideração final, os pais e os profissionais que trabalham com crianças e jovens surdos, devem ter a consciência do que a surdez pode acarretar, das dificuldades existentes para se adquirir a comunicação com os outros.

INTRODUÇÃO

O ser humano é um ser social, cultural, com regras e costumes. No seu processo de desenvolvimento, a aquisição da fala está fortemente atrelada ao seu momento e ao mundo com o qual as pessoas que estão ao seu redor vivem e convivem entre si. Segundo Skliar, (1999, p. 30) “a surdez faz os surdos como são: pessoas diferentes com formas próprias de assimilar e expressar o mundo”. Com identidade própria, singular, de cada um, cuja identidade “se constrói dentro de uma cultura visual”.

A situação pode ser complicada se adquirirem modelos de comportamentos e diferentes percepções, levando as famílias a adquirirem um suporte para melhor ajustamento e aceitação da aprendizagem de novas habilidades. Glat e Duque (2003, p. 18) afirmam: “a família começa a se adaptar à presença desse membro especial, e todos, da melhor forma possível, aprendem a conviver com essa realidade”. A grande barreira da comunicação se dá pela dificuldade dessa aquisição, onde a comunidade ouvinte está movida com todas as situações que garantem a ela sua aquisição natural de uma língua, que através dessa língua esse ser vai construindo seu mundo, quer na família, na escola ou sociedade.

Marconi e Pressoto (2001, p. 294) afirmam: “a linguagem é a capacidade especificamente humana de comunicar por meio de um sistema de signos vocais”. Por sua vez, os surdos não adquirem essa primeira língua, como os ouvintes (exceto filhos surdos, filhos de pais surdos). A maioria dos surdos não recebe a herança da língua dos pais ouvintes. Segundo Fernandes (2003, p. 31):

A aquisição de uma língua desde os primeiros anos de vida, pode acarretar sérias conseqüências no desenvolvimento cognitivo. É importante observar que há, também, um período critico, isto é, favorável para a aquisição da linguagem (no sentido da língua) que se estende até os 12 anos de idade. Depois desse período, torna-se mais difícil o processo de aquisição.

A realidade de uma criança surda é igual à de outra criança, exceto a sua comunicação verbal, que no início de sua vivência, não parece tão relevante, mas contribui em grande parte para a resistência na criação desses filhos. Além de vários aspectos sócio-culturais e psíquicos envolvidos no ato de falar e se comunicar, emitir em si a voz, direciona-se para muitos mecanismos envolvendo vários elementos que fazem parte de diferentes funções do organismo desse ser. Segundo Valle (1996, p. 58):

Usar a voz é expor-se como sujeito único, o individuo usa sua voz numa relação com o outro, falando em uma língua utilizada pela comunidade da qual faz parte. Dentro de sua possibilidade, e sua maneira, ocupando um lugar particular no mundo, o seu lugar.

É notório que exista um aspecto que é fundamental que permite e qualifica a capacidade de usar a fala usando a audição. Neste processo, destacam-se a assistência prestada por médicos, terapeutas e fonoaudiólogos, que favorecem ao surdo informações básicas sobre vários aspectos, desde a percepção a exercícios para melhorar seu condicionamento. Levy (1999, p. 75) afirma: graças à linguagem, a criança vai ser capaz de evocar situações ausentes, libertar-se das fronteiras de inteligência prática e enriquecer consideravelmente seu conhecimento acerca do mundo em que está inserido.

É salutar ressaltar que, embora seja de grande valia a questão da fala, de ter voz, volver sua linguagem, em meio a suas possibilidades lingüísticas, o surdo poderá se comunicar no sentido mais amplo do termo, tornando-se mais comum. Observa-se, ainda, que a grande dificuldade dos pais em relação a esses filhos surdos se dá na aquisição de uma língua informal, em casa, criando um mundo paralelo; pais não se preocupam em aprender a linguagem deles, isso ocorre com maior freqüência em relação aos surdos adultos, já que se observa em relação às crianças surdas, existe toda uma preocupação em levar essas crianças para escolas e tratamentos o mais cedo possível (LEVY, 1999, p. 75).

Pelo exposto, este estudo visa a aprofundar nossos conhecimentos sobre o desenvolvimento do jovem surdo no seu contexto familiar e social. O interesse por esta temática, surgiu da observação em jovens ouvintes cuja dificuldade de acesso para discutir sobre vários assuntos, como sexualidade e namoro, com seus familiares se tornaram cada vez mais evidente, devido as barreiras e em muitos casos aos preconceitos arraigados.

Segundo Heilborn (2004, p. 81): são raras as famílias que conseguem abordar o assunto sexualidade com seus filhos, de maneira direta, voltada para a experiência desses sujeitos. É notório encontrar filhos que buscam informações fora do lar, de uma vez que os seus questionamentos não são respondidos na mesma ou vice-versa. Cerca de 55% dos jovens hoje, adquiriram informações e experiências sobre sexualidade, entre amigos, pela televisão, em filme, livros, internet, dentre outros meios. Esse assunto pode ser causa de tantos problemas para os pais quanto para os filhos, em muitos casos constrangimentos por parte dos pais em relação aos filhos e em alguns casos, essa vergonha parte dos filhos, que não conseguem conversar com a mãe, por exemplo, afirmam: se fosse meu pai, sim!

O motivo da conversa ser estritamente com a mãe, é impedido bruscamente, torna-se mais viável quando a conversa passa a ser com os irmãos mais velhos. Segundo Maldonado (2002, p. 15), o relacionamento entre pais e filhos é bastante complexo e passa por muitas mudanças ao longo do tempo. A rede familiar, que por sua vez, está inserida num contexto social e histórico, sofre várias influências; a conduta de um influi sobre a do outro, num complexo sistema de trocas. Essas transformações e influências do meio também são observadas em outras circunstâncias, como afirma Beltrão (1970, p. 13): “...a família de ontem, a dependência psicossociológica do filho se estendia além da maioridade e do matrimonio; na de hoje, observa-se uma precoce emancipação psicossociológica da prole.”

Muitos problemas dos pais em relação aos filhos dão-se quando seus filhos chegam à puberdade e adolescência. Como afirmam Rubin e Kirkendall (1968, p.41), “a adolescência é um período de transição no desenvolvimento da personalidade” e Tiba (2002, p. 85): “a adolescência pode ser comparada a etapa em que as árvores frutíferas dão frutos”. Na verdade, o que estão vivenciando é um período de “transição” e em se tratando de sexualidade, os problemas poderão aumentar gradativamente. “A preocupação fundamental não é estimular ou desestimular a atividade sexual, mas ensinar a maneira de exercê-la positivamente” dando subsídios, informações e condições válidas para uma vida saudável (RUBIN; KIRKENDALL, 1968, p.41). Ainda enfatiza Heilborn (2004, p. 149), “a sexualidade tornou-se um instrumento e um sinal de desabrochamento pessoal e social”.

O grande problema se dá na falta de informação e na falta de diálogo, medo ou vergonha? Dúvidas, incertezas vagam por todo o interior de nossas mente. Qual seria a melhor maneira de educar os filhos, quanto a sexualidade? Segundo Parolin (2003, p. 75), “na sociedade da informação e rapidez, o que é mais valorizado não é quanto uma pessoa sabe, mas a capacidade de saber transformar a informação em conhecimento”. Dault (2002, p. 187), afirma: “a natureza não tem o objetivo de que os indivíduos, as pessoas, sejam felizes, mas, de que se reproduzam”. Segundo Fernandes (2003, p. 149) “dar ao surdo condições de desenvolver-se naturalmente, sentir-se bem consigo mesmo e no mundo que o cerca, além de estar em condições de desempenhar seus deveres e usufruir de seus direitos de cidadania”.

Por tudo isso, justificamos este estudo ao sentirmos a necessidade de buscar respostas para como se dá o desenvolvimento social do jovem surdo, sua linguagem, o que pensam, como se relacionam, quais as barreiras, os medos, desvendando os mitos e tabus.

OBJETIVO

Apresentar a história de vida sobre um jovem portador de surdez da cidade de Goiana (PE) com o propósito de evidenciar as dificuldades encontradas no relacionamento com os pais, os amigos e o seu universo paralelo com os jovens que escutam.

METODOLOGIA

Trata-se de um relato sobre a história de vida de um jovem portador de surdez caracterizado através de um estudo de caso desenvolvido numa abordagem qualitativa que se caracteriza como pesquisa diagnóstica da situação de saúde. O estudo foi realizado numa comunidade de pescadores da cidade de Goiana (PE). Para isto, foi aplicado um instrumento de pesquisa elaborado com questões abertas contemplando as seguintes variáveis: sexo, idade, estado civil e história de vida. As informações foram organizadas, procedendo-se à discussão com a literatura pertinente.

Seguindo as determinações das normas que regulamentam pesquisas em seres humanos através da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (Ministério da Saúde, 1996), o presente estudo foi classificado como sem riscos. Em respeito às questões éticas e ao anonimato dos envolvidos os mesmos não foram identificados nominalmente, sendo identificados por codinomes.

ESTUDO DE CASO

A História de Léo
Segue o relato da história de um jovem que representa a história de muitos jovens acometidos com surdez, aqui denominada “a História de Léo”.

Nascido em 18/02/1987, aparentemente normal, uma vez que o mesmo não apresentava nenhuma deformidade física. Todo o período inicial da vida de Léo era totalmente igual à de qualquer outro menino da sua idade, mesmo sabendo que ele apresentava uma diferença, uma perda auditiva significativa, que não fora percebida por sua mãe no estágio inicial de sua vida e criação.

Só foi por volta dos três ou quatro anos de idade, período muito tardio, que sua mãe, D. Maria, veio a perceber que havia alguma coisa de errado com o seu filho, pois vizinhos e amigos sempre notavam uma certa diferença no menino. Assim, sua mãe começou a desconfiar que algo pudesse estar errado.

É importantíssimo o diagnóstico, o mais cedo possível, da surdez, para assim haver um tratamento mais adequado e eficaz, o qual será levado a efeito dependendo de cada caso, e do grau de perda auditiva. O que vale salientar é que essa criança apresentava dificuldade na fala, tendo a mãe relatado que percebia uma certa diferença, mas que sempre pensava que ele poderia vir a falar mais tarde.

D. Maria, Léo e seu irmão Patrício, sempre moraram em um vilarejo, um pouco distante do centro de Goiana (PE). Isso trazia várias dificuldades, desde o difícil acesso ao transporte, infra-estrutura, a outros problemas apresentados por D. Maria. Salienta-se também que ela criou os filhos sozinha, e que Léo tem mais dois irmãos de um outro casamento, onde um dos irmãos apresenta-se com deficiência, não deambula nem fala, sugerindo diagnóstico de paralisia cerebral. A outra irmã, não tem nenhuma deficiência. Por volta de 12 anos de idade, sua mãe levou Léo a um médico, onde foi diagnosticada uma considerável perda auditiva.

Dados técnicos do laudo de 18/02/2000: (Ouvido esquerdo – 96 db e ouvido direito – 73 db). Surdez mista. A deficiência auditiva mista ocorre quando há ambas perdas auditivas (condutiva e neurossensorial), numa mesma pessoa. Com relação ao grau de perda de sensação auditiva, considera-se leve entre 27 a 40 db, moderada entre 41 a 55 db, moderadamente grave entre 56 a 70 db, grave entre 71 a 90 db e profunda acima de 90 db.

Tal diagnóstico já era esperado pela mãe, visto que a criança já tinha entre 12 e 13 anos de idade, uma idade muito avançada para se fazer esse diagnóstico. D. Maria ressalta que a grande dificuldade de levar o filho a médicos naquele local, e de se locomover para outras cidades vizinhas, sempre deixando para depois, acabaram por prejudicar todo o desenvolvimento cognitivo e intelectual desse ser, trazendo várias conseqüências que iriam interferir na vida desse filho, ao longo de sua vida.

O comportamento de Leo sempre foi muito tranqüilo. Até os 16 anos de idade, sempre obedecia ao que sua mãe tentava expressar para ele, só depois desse período, que é natural a fase da adolescência, as descobertas do seu corpo, sua identidade e sua sexualidade, Leo começou a apresentar discreta inquietação, demonstrando sempre ansiedade na tentativa se comunicar com os outros e com sua própria mãe.

A inquietação sentida por Léo é comum entre meninos surdos, tendo sido constatado o mesmo para vários meninos surdos entrevistados nessa pesquisa, ou sobre os quais os pais estabeleceram considerações a respeito. Os mesmos apresentam sempre certa inquietação quando tentam expor suas idéias e vontades.

E com isso pode-se imaginar o que se passa na cabeça desses indivíduos, quando não são bem interpretados, causando transtornos reais para todos os envolvidos, num ser com complicações na audição e, por conseqüência, na fala. É de se supor que isso cause um verdadeiro turbilhão na mente desses indivíduos, trazendo, com isso, essa inquietação e agitação.

Na fase escolar, quando Léo era menor, foi levado à escola, mas alguns professores afirmara que não adiantava que aquela criança permanecesse na escola, porque não iria aprender nada. Nota-se aqui que a deficiência ou diferença de Léo foi julgada pela professora, onde é pertinente questionar: era Léo o deficiente ou a professora? Porque existem tantas deficiências e também tantas diferenças, a ainda capacidades de aprendizagem que precisam de um pouco mais de atenção e dedicação, com capacitação profissional sempre, para se moldar ao tempo presente, que muda com uma velocidade assustadora, e quem não está aberto a essas mudanças, estacionam e param, e infelizmente ficam para trás.

Mesmo em meio a esses questionamentos, Léo continuou na escola, embora não tivesse grande sucesso. Seu desenvolvimento não fora bem aproveitado. A determinação de D. Maria em casa para tentar ensinar seu filho a ler e escrever ia desmoronando, pois não tinha o apoio da escola e de profissionais ao seu lado.

Hoje, Leo não está estudando. Mesmo recebendo a visita de vários professores locais para tentar levá-lo à escola e resgatá-lo ao meio social, o mesmo se recusa. A cidade dispõe, hoje, de melhores condições para trabalhar a questão das pessoas com necessidades especiais (uma questão de políticas públicas), possuindo uma infra-estrutura bem melhor do que há 19 anos.

Mesmo diante de tudo que foi relatado, a própria D. Maria se recusa a mandar seu filho estudar na cidade, com medo que alguma coisa de mal possa acontecer com ele, bloqueando assim o que poderia ser a solução, ou mesmo melhores condições de vida para ambos. Com relação ao trabalho, Léo mora em um vilarejo, como já citado anteriormente. É uma comunidade de pescadores, onde às vezes ele participa da pesca, às vezes não, como sua mãe mesmo nos relatou: “ele não faz nada”.

Devido a todos esses problemas apresentados ao longo de sua história de vida, fica bastante difícil conseguir um emprego digno para ele, o mesmo que ocorre com vários indivíduos que apresentam alguma deficiência. Para concluir, o Léo encontra-se bem, namorando e prestes a se casar, vai continuar morando no mesmo lugar, na prainha, e assim levando a vida, trilhando sua história, ora apresentada aqui, com muito carinho e respeito por todos que se tornaram amigos e colaboradores nesta caminhada.

Por certo, a história que aqui pode ser lida, serve de aprendizado e lição de vida para todos, destacando-se aqui que a grande preocupação se dá no profissionalismo desses indivíduos, no estudo, em melhores condições de vida. É necessário retirar o estigma colocado por muitos na sociedade, de que quem tem alguma deficiência é incapaz; que todo homossexual tem que ser cabeleireiro; todo negro é ladrão, que todo mundo que mora no morro é traficante; ou que todo roqueiro, é consumidor de drogas, por exemplo.

Todos os que formam e compõem a sociedade, criam, em algum momento de suas vidas, caracterizações e situações como essas, inadmissíveis em uma sociedade do século XXI, onde se apregoam direitos de igualdade para todos. Enfim, é necessário levantar a bandeira da dignidade, do respeito, da consideração, da confiança, para todos e para todas as camadas dentro da sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como propósito analisar a dinâmica em relação ao jovem surdo e, de maneira geral, ao universo em que ele vive, estuda e trabalha. Levando em consideração as transformações radicais que as famílias vêm sofrendo, tanto no aspecto psicossocial, quanto no seu âmbito legal. Na atual sociedade existe uma gama de valores incorretos, nos que diz respeito à dignidade, ao caráter e respeito ao ser humano. Nesse contexto, a criação de filhos hoje se torna muito difícil, bem como conviver e dar lições de virtudes politicamente corretas.
É necessário dar exemplos certos, para apontar os verdadeiros autores da história, para que assim os filhos possam crescer com a certeza de um país melhor em todos os sentidos. Desta forma, organizarão seu mundo, entenderão seus pais e se constituirão pessoas. A relação pais e filhos surdos ainda é um pouco complexa, visto que essa criança não tem condições de adquirir uma língua e cultura de seus pais espontaneamente, como no caso de crianças ouvintes. Percebe-se a necessidade de grandes mudanças acerca dessa criança e de seu desenvolvimento, por parte de todos, desde os pais até os profissionais.

Os pais e os profissionais que trabalham nesse meio, com crianças e jovens surdos, devem ter a consciência do que a surdez acarreta, ou seja, toda a dificuldade existente para se adquirir a comunicação com os outros, e o seu desenvolvimento cognitivo. A família, berço do ser é o elemento que propiciará as condições favoráveis para um melhor desempenho desse indivíduo como pessoa. Não existindo uma formação, mas sim, sendo formados pela vida. Com tantos altos e baixos, aprende-se a ser pai e mãe, e porque não dizer, aprende-se a ser filho.
O indivíduo com surdez, inserido numa sociedade que não está preparada ainda para se confrontar com a verdadeira realidade, traz à baila a questão do enfoque das minorias, na qual os diferentes são tratados como inferiores. Esse comportamento, ou forma de encarar a realidade, cria barreiras e dificuldades para uma convivência saudável. Família, escola e trabalho, são pilares importantíssimos que constituem a base de todos os indivíduos. Destaca-se a existência de um avanço significativo nessas mesmas áreas, que trazem importantes conquistas para os indivíduos com surdez, mas que precisamos ser incansáveis nesse caminhar.

O indivíduo com surdez se percebe “gente” como qualquer indivíduo, com direitos e deveres, com desejos e vontades, e o seu autoconhecimento favorecerá melhores condições de vida e condicionamento para se desenvolver em meio a uma sociedade tão conturbada, cheia de preconceitos e discriminação. Desatrelando todos os fatos errôneos de uma cultura que foi mal informada e peca as vezes por não saber ou não buscar entender. Que esse “pré-conceito”, passe a ser um conceito formado.

Por certo os surdos precisam se firmar em meio à sociedade, mostrando que são realmente capazes, onde já foram tantas vezes excluídos desse convívio, com isso a tarefa que vem pela frente é das mais árduas e longas possíveis, mas a recompensa que advém daí, ao se deparar, anos depois, com os filhos e filhas transformados em cidadãos no seio da sociedade. Isso leva à certeza do trabalho bem feito, do objetivo alcançado e do orgulho de ter, acima de tudo, contribuído com a melhoria da sociedade e dos indivíduos que nela convivem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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TIBA, Icami. Quem ama educa! São Paulo: Gente, 2002.
VALLE, M. G. M. A voz da fala. Rio de Janeiro: Revinter, 1996.

Sidcley Cavalcante da Silva: Professor de Biologia. Especialista em Educação Especial pelo Programa de Pós-Graduação da FAFIRE ? Faculdade Frassinete do Recife. sidpfgoiana@hotmail.com
Maria Auxiliadora Diniz: Professora e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação da FAFIRE - Faculdade Frassinete do Recife.
Ednaldo Cavalcante de Araújo: Professor Doutor do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco/UFPE. ednenjp@gmail.com