Aconselhamento Psicopedagógico: Relação Escola e Família

Autora: Lidia Maria Kroth

Sendo a criança o centro do processo ensino e aprendizagem, é da relação equilibrada entre escola e família, que ela terá a oportunidade de tornar-se cidadã integra, consciente e sua realidade e atuante no exercício de sua cidadania.

JUSTIFICATIVA

Tendo em vista as mais diversas realidades educacionais e percebendo as dificuldades geradas no relacionamento entre a escola e a família, que afeta diretamente no desenvolvimento integral da criança, sentiu-se a necessidade de buscar alternativas como forma de estreitar estas relações em contribuição ao crescimento do educando.

Desde os tempos mais remotos houve questionamentos e dúvidas em relação à definição de papéis da escola da família.

Até que ponto a família deve interferir no trabalho da escola ou a escola no relacionamento familiar?

Deverá sim haver respeito mútuo onde ambos trabalhem juntos num ambiente de colaboração e participação.

Para tais questões mencionadas elaboramos este projeto como forma de tentar sanar ou melhorar esta situação que é freqüente em nossas escolas e que sempre geram muitas polêmicas.

Sendo assim, é de suma importância que pais e professores estejam engajados no processo ensino e aprendizagem.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo Luiz Carlos Osório (1996, pp. 81-82)
“A primeira e talvez mais fundamental tarefa da escola é facilitar o processo de diferenciação e individualização da criança oferecendo-lhe uma espécie de introdução à vida social fora do âmbito doméstico”.

Por isso parece-nos que os pais devem imiscuir-se o menos possível nos assuntos escolares de seus filhos, já que faz parte do seu processo de aprendizagem para a vida, o terem que enfrentar, suportar situações desconhecidas e relacionar-se com o mundo tal como ele é, com seus atritos e desencantos, suas gratificações e frustrações.

Analisando as idéias do autor, acreditamos que uma das principais tarefas da escola é desafiar o aluno a construir sua autonomia a fim de viver em sociedade exercendo a sua cidadania. Porém, quando Osório diz que, o melhor seria os pais interferir o mínimo possível na vida escolar de seus filhos, nos deixou em dúvida, pois a impressão que o incentivo dos pais torna-se dispensável no processo escolar dos filhos. Tal observação nos pareceu contraditória, se levarmos em conta o esforço que fazemos para conseguir uma efetiva participação da família na escola.

Contudo, após dissecar o texto, compreendemos que o autor deseja deixar clara a necessidade que o educando tem de caminhar com seus próprios pés. Quanto a participação da família entendemos que deve acontecer através do acompanhamento do processo de ensino com sua presença nas tomadas de decisões, quando a escola precisa direcionar quais os caminhos a serem trabalhados.

“Costuma-se dizer que a família educa e a escola ensina, ou seja, a família cabe oferecer à criança e ao adolescente a pauta ética para a vida em sociedade e a escola instruí-lo, para que possam fazer frente às exigências competitivas do mundo na luta pela sobrevivência”. (Osório, 1996, p.82)

Quando o autor escreve que a família educa para a ética social e a escola ensina a viver com competitividade no mundo, ele tenta delinear a participação da escola e família na formação do educando.

Numa análise mais detalhada, a família e a escola possuem funções diversas. Tais funções não devem ser confundidas sob pena de causar um desagradável atrito entre ambas. Porém é imprescindível que uma conheça as finalidades da outra para que consigam trabalhar juntas numa sintonia de respeito, colaboração e participação.

Esta busca de construção mútua trará benefícios a todos principalmente ao sujeito do processo de ensino e aprendizagem, o aluno.
O homem á capaz de usar sua racionalidade para atingir os objetivos adequados e satisfatórios ao seU organismo, a fim de preencher suas tendências atualizantes e de suas experiências e vivências.

A tendência atualizante do organismo envolve uma maior abertura para as experiências e vivências afetivas e para a integração das mesmas nas suas formas autênticas. Define o indivíduo atualizado ou auto-realizado como mais aberto aos seus sentimentos de medo, de desencorajamento e dor.

O processo de aconselhamento, desenvolve-se em determinadas etapas. A etapa inicial concentra-se na experiência que o aconselhando tem do aconselhador e da situação de aconselhamento.

A etapa seguinte caracteriza-se pela experiência da responsabilidade.

No início do processo de aconselhamento, o aconselhando já está realizando progresso.

Finalmente, é o aconselhando quem decide quando deve terminar o processo de aconselhamento.

O aconselhador expressa a sua confiança de que o aconselhando é realmente capaz de auto-compreensão e de encontrar a resposta para as dificuldades. Pela aceitação do aconselhando e pelo respeito a sua integridade como um indivíduo autônomo e independente, abstém-se de qualquer intervenção para dirigir a situação de aconselhamento.

O papel do aconselhador, porém, não é passivo, pois o relacionamento é implementado ativamente pelo calor humano, sensibilidade e aceitação genuína por ele expressas.

Os aconselhadores centrados no cliente preferem evitar o uso de testes. Volta-se para o aconselhando como pessoa total e não meramente para o problema inicialmente exposto. Todavia, não ignora o problema apresentado e visa ajudar o aconselhado a explorá-lo pelo relacionamento oferecido.

CONCLUSÃO

Ao se lidar com sentimentos e comportamentos de uma pessoa, temos uma responsabilidade muito grande.

Orientar só pode ser feito com muito amor, estando presente às mudanças, às tensões, tantas vezes reprimidas. Muitas vezes, envolve sofrimento ao dominar as próprias emoções.

A atualização e o estudo constante do Orientador é de suma importância, pois ele está trabalhando com a pessoa mais valiosa no Processo Educacional, que é o ALUNO.

BIBLIOGRAFIA

OSÓRIO, Luiz Carlos. Família Hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento. 5 ed. São Paulo: Libertad, 1999.
VIOLLET, Jean. Pequeno Tratado de Pedagogia. 2 ed. São Paulo: Paulinas, 1962