A Contribuição da Teoria dos 04 Temperamentos para a Educação:
Valorizando a Individualidade nas Salas de Aula

Autores: Márcia Regina Silva Rodrigues e Murilo Flores Correia

Resumo

O objetivo deste artigo é mostrar o trabalho com os 04 temperamentos em sala de aula. Na metodologia empregada optou-se pela abordagem descritiva que contemplou revisão bibliográfica. A pesquisa buscou responder as questões da problemática levantada no âmbito deste estudo sobre quais seriam as possíveis aplicabilidades da teoria dos 04 temperamentos no processo de ensino-aprendizagem, bem como a ligação dos mesmos com as inteligências múltiplas. Observando-se a individualidade e respeitando-as, valorizando desta maneira o que o aluno tem de melhor para a partir deste ponto desenvolver as inteligências que menos sobressaem foram algumas das respostas ao estudo proposto. Aos professores, neuropsicólogos, psicopedagogos, pais e demais interessados, fica a sugestão do auxílio dos temperamentos em sala de aula, contribuindo com o conhecimento e compreensão das atitudes de cada pessoa e desta forma a educação ganha forte aliado nas intervenções e prevenções das dificuldades de aprendizagem.

 

A priori entende-se temperamento como sendo a tendência de humor, suas reações e grau de sensibilidade do indivíduo. Temperamento vem da palavra tempero, forma pelo qual expressa o jeito peculiar de cada pessoa.

Segundo LaHaye (1997, p. 09) não existe outra coisa, humanamente falando, que possa influenciar tanto a nossa vida quanto o temperamento ou a combinação deles. “O Temperamento influencia tudo quanto você faz – desde os hábitos de sono, os hábitos de estudo, o estilo de alimentação até a maneira que você se relaciona com outras pessoas”.

A busca por métodos como forma de se trabalhar os conteúdos em sala de aula valorizando somente os aspectos cognitivos e sistemáticos colocando como principal objetivo o alcance e o cumprimento dos programas escolares é um dos fatores principais que desencadeiam problemas e dificuldades de aprendizagem em nossas escolas, sejam elas públicas ou privadas.

Diante deste fato, este artigo aborda a seguinte problemática: quais são as possíveis aplicabilidades da teoria dos 04 temperamentos no processo de ensino-aprendizagem?

O objetivo principal está na implantação da teoria dos 04 temperamentos nas salas de aula, incluindo neste estudo a utilização dos temperamentos como colaborador da Psicopedagogia e da Neuropsicologia nos aspectos que envolvem as dificuldades de aprendizagem e o emocional.

Busca-se sintetizar a teoria dos temperamentos apresentada por LaHaye, como referência conceitual-analítico, que permite compreender a prática de ensino como único a cada indivíduo, abordando por meio dos temperamentos as inteligências múltiplas.

Pretende-se relatar as formas práticas de se trabalhar com a teoria dos 04 temperamentos em sala de aula, explicando as características de cada temperamento como forma de se identificar os 04 grupos principais e citar as 12 combinações dos 04 temperamentos, as quais apresentam as diferenças.

A metodologia desta pesquisa é de caráter descritivo e constou de análise de documentos, os quais já foram publicados sobre o tema em questão. Visando a aplicabilidade da teoria, buscando observar e compreender os temperamentos - Sanguíneo, Melancólico, Colérico e Fleumático - como método complementar de ensino-aprendizagem e partindo desta perspectiva de análise desenvolver as múltiplas inteligências.

Desta maneira o conhecimento dos temperamentos poderá auxiliar os diagnósticos, tratamentos e pesquisas referentes à psicopedagogia e neuropsicologia e conseqüentemente ao convívio familiar e escolar, pois ao conhecer a que grupo temperamental pertence o indivíduo, o psicopedagogo e neuropsicólogo contarão com grande ajuda para entender as características comportamentais congênitas de cada pessoa.

Essa pesquisa tem cunho social, portanto, é importante para todos que desejam conhecer uma forma de atuação na qual o ato de educar é baseado nas individualidades de cada educando.

1 Conhecendo a Teoria dos 04 Temperamentos:

Hipócrates, médico grego, conhecido como “O pai da medicina” (460a.c -357a.c), baseado na teoria de Empédocles (Fogo, Terra, Água e Ar) relacionou cada um destes elementos da natureza com um tipo de temperamento. Na classificação de Hipócrates, os temperamentos: Colérico (fogo), Sanguíneo (ar), Melancólico (água) e Fleumático (terra), estão interligados com as variações de humores do corpo: Bílis preta, Sangue, Bílis Amarela e Fleuma. (LAHAYE, 2001)

Essa teoria afirma que a química do corpo influencia o comportamento do indivíduo e determina o tipo de temperamento e dizia Galeno (129-199 AC) que para se ter uma boa saúde teria que acontecer um equilíbrio entre esses quatro humores corporais, caso ocorresse algum humor em excesso este fato poderia provocar doenças no corpo e traços exagerados de personalidade. Segundo Pasquali (1998, p. 07) “a biologia moderna substitui estes conceitos arcaicos da química do corpo por conceitos mais complexos, tais como, hormônios, neuro-transmissores, e outras substâncias do sistema nervoso (como endorfinas, etc.)”. O filósofo alemão, Emmanuel Kant, foi provavelmente a pessoa que mais divulgou e teve influência na Europa, sobre o tema dos 04 temperamentos, ao ponto que LaHaye, T. (1997), muito pouco acrescentou a sua teoria.

Cada pessoa tem um comportamento diferente e isso é diretamente relacionado ao seu jeito de "ser", ou seja, seu temperamento. Nenhuma pessoa é um único temperamento, mas uma mistura, combinações e graus que multiplicam as possíveis diferenças de no mínimo dois dos 04 temperamentos com um deles predominando, de acordo com LaHaye (1997, p. 39) “A principal objeção aos quatros tipos de temperamentos advogados pelos antigos, é que os mesmos era por demais símplices ao supor que cada pessoa poderia ser caracterizada por um desses tipos de temperamento “.

LaHaye (1997) buscou direcionar as pesquisas sobre os 04 temperamentos baseado na teoria de que todos somos uma mistura de temperamentos e não somente um deles, mas no mínimo 02 dos 04 podendo chegar até mesmo a apresentar os 04, a diferença estaria na porcentagem que cada temperamento apresenta, o que é relativo de pessoa para pessoa.

1.1 Classificando os 04 grupos e suas combinações:

A pessoa sanguínea: é muito sociável, brincalhona, calorosa, amável e simpática. Atrai as pessoas. É otimista e despreocupada, generosa, compassiva. Contenta-se facilmente, não leva as coisas muito a sério e, vive rodeado de amigos. É alegre e esperançosa, atribui grande importância àquilo que está fazendo no momento, mas, minutos após, pode esquecê-lo. Pouca força de vontade, emocionalmente é instável, explosiva e irrequieta. Tem dificuldade de seguir detalhadamente instruções, e quase nunca fica quieta, é insegura e temerosa. Os sanguíneos são bons vendedores, oradores, atores, e não raro tornam-se lideres (LAHAYE, T. 1997). Sanguíneo com melancólico (Sanmel), Sanguíneo com colérico (Sancol), Sanguíneo com fleumático (Sanfle).

A pessoa melancólica: atribui grande importância a tudo que lhe concerne. Possui mente privilegiada e uma tremenda capacidade de experimentar toda uma gama de emoções. É perfeccionista, muito sensível e apreciador das belas artes. Analítico, abnegado e amigo leal. Em geral não é extrovertido e raramente se impõe. Tende a ser genioso, critico e egocêntrico. O maior perigo está em se entregar aos pensamentos negativos, que exageram suas tendências pessimistas. Descobre em tudo, uma razão para ansiedade; em qualquer situação, notam primeiro as dificuldades. Não fazem promessas com facilidade, porque insistem em cumpri-las à risca e, pesa-lhes considerar se será ou não possível cumpri-la. Agem assim não pela moral, e sim pelo relacionamento interpessoal, pois são cautelosos e desconfiados com tudo e, todos que o cercam. (LAHAYE, T., 1997). Melancólico com sanguíneo (Melsan), Melancólico com colérico (Melcol) e Melancólico com fleumático (Melfle).

A pessoa colérica: cabeça quente fica agitada com facilidade, mas se acalma logo que o adversário se dá por vencido. Sua reação é rápida, porém, não persistente. Mantém-se sempre ocupado, embora o faça a contragosto, justamente porque não é perseverante; prefere dar ordens, mas aborrece-o de tê-las de cumpri-las. Gosta de ser reconhecido, no seu trabalho, e adora ser louvado publicamente. Dá muito valor à aparência e à formalidade; é orgulhoso e cheio de amor-próprio. É um líder nato, polido, obstinado e muito otimista. Está sempre com idéias, projetos ou objetivos que geralmente realiza. É avarento, auto-suficiente, impetuoso, genioso, cerimonioso, ninguém é tão mordaz e sarcástico, tem tendência à aspereza e crueldade. Os coléricos dão bons diretores de empresas, generais, construtores, soldados voluntários, políticos ou administradores, mas são incapazes de desempenhar trabalhos minuciosos (LAHAYE, T., 1997). Colérico com melancólico (Colmel), Colérico com sanguíneo (Colsan), Colérico com fleumático (Colfle).

A pessoa fleumática: significa falta de emoção e não preguiça; implica uma tendência a não se emocionar com facilidade nem se mover com rapidez, e sim com moderação e persistência. Sua natureza é calma e sossegada faz com que sejam pessoas de fácil convívio, benquistas por todos. Sua agudeza de espírito e senso de humor torna sua presença um prazer. Acessível, agradável, trabalha muito bem em equipe, é eficiente, conservador, digna de confiança e prática. Age por princípio, não por instinto. Ela é criteriosa no trato com outras pessoas e, geralmente, consegue o que quer, persistindo em seus objetivos, enquanto, aparentemente, está cedendo aos outros. Tem pouca motivação chegando até a ser displicente no trabalho, é cabeça dura e indeciso. Os fleumáticos revelam-se bons diplomatas, porque são pacificadores por natureza, professores, médicos, cientistas, humoristas, escritores, editores e quando motivados podem ser líderes muito capazes (LAHAYE, T., 1997). Fleumático com melancólico (Flemel), Fleumático com sanguíneo (Flesan) e Fleumático com colérico (Flecol)

1.2 Temperamentos e as inteligências

Cada temperamento apresenta características distintas, as quais se destacam habilidades individuais, portanto assim como na teoria das inteligências múltiplas, desenvolvida por Gardner (1994), o processo educacional deve partir do principio de que cada ser humano tem uma forma diferente de aprender, alguns possuem inteligências mais desenvolvidas, outras menos, bem como aprendem de maneiras diferentes.

Gardner (1995) relata que passou a investigar o aspecto biopsicológico onde inclui a valorização do genético e neurológico do comportamento, destacando o cognitivo, traços e disposição temperamental, desta maneira a inteligência passou a ser observada de outra forma, “O fato de um indivíduo ser ou não inteligente e em que aspectos, é um produto em primeiro lugar de sua herança genética e de suas propriedades psicológicas, variando de seus poderes cognitivos às suas disposições de personalidade”. (GARDNER, p. 50)

Buscar os pontos fortes de cada temperamento é um mecanismo ideal para estimular as várias inteligências, sendo uma forma de se alcançar à aprendizagem, segundo Gardner (1995), cada educando deve ser avaliado como sujeito único e na descoberta dos pontos fortes, destes alunos, abre-se caminho para atingir os objetivos traçados pela escola, sendo eles o aprendizado e o desenvolvimentos de habilidades. Dentro deste contexto é necessário aos educadores estudar novas fontes de estímulos para o processo ensino-aprendizagem.

A sociedade e os saberes mudaram e a escola indubitavelmente continua procurando agir como se essas mudanças não afetassem a comunidade escolar. Para Hernandez (1998) a escola não acompanha essa transformação social por medo ou por não saber como agir.

Gardner (1995) relata que o modo de explanação de um conteúdo pode fazer a diferença entre uma experiência educacional bem ou mal sucedida. Quando o educador destaca os pontos fortes e fracos de cada grupo dos 04 temperamentos, traça metas para trabalhar com a individualidade e por intermédio dos conhecimentos destes pontos reconhece qual educando necessita de mais ajuda, qual é talentoso, qual área se destaca ou precisa ser desenvolvida, como por exemplo:

a) A inteligência lingüística - O melancólico e o fleumático são melhores escritores do que oradores, o sanguíneo e o colérico são exímios oradores, mas não são bons para escrever.
b) A lógico-matemática - O melancólico apresentará essa inteligência por gostar de pensar muito e de desafios, o fleumático terá dificuldades com os números por achar que demanda muito tempo e por achar os cálculos trabalhosos, no aspecto à organização e auxilio se sai muito bem. Já o sanguíneo no tato com os números terá dificuldades porque não consegue se concentrar por muito tempo, mas se estimula ao deparar com muitos problemas para serem resolvidos e apresenta brilhante desempenho em relacionamentos, o colérico sempre prático e projetista se sairá bem com os cálculos, em termos de relacionamentos terá dificuldades por sempre querer liderar.
c) A musical – O melancólico por sua introspecção e pela emoção provinda da música, o sanguíneo pelo movimento, ritmo e empolgação e o fleumático pela calma transmitida por alguns ritmos.
d) A espacial – O melancólico e o fleumático são observadores, detalhistas e possuem boa memória, o sanguíneo tem boa memória espacial.
e) A corporal-cinestésica – O sanguíneo por seu movimento e agitação e o colérico por gostar de trabalhar com as mãos e as pernas.
f) A interpessoal – É nitidamente perceptível no sanguíneo por ser bom de papo e muito sociável e o fleumático com toda sua calma consegue cativar as pessoas.
g) A intrapessoal – O melancólico, apesar de acabar se entregando a solidão e a tristeza, e o colérico por se achar muito esperto e controlador.
h) A naturalista – O melancólico com toda a sua preocupação e o sanguíneo por sua solidariedade.
i) A existencial-espiritual – O melancólico e o sanguíneo desenvolverão muito essa inteligência, já o colérico e o fleumático terão dificuldade.

As diversas inteligências é um meio de identificação das múltiplas formas de aprendizagem, ao observar quais inteligências se sobressaem e quais estão ligadas a cada tipo de temperamento, o próximo passo é iniciar o uso de cada uma delas para desenvolver as demais, visando, desta maneira, um trabalho pedagógico individualizado.

2 Aplicando a Teoria dos 04 Temperamentos em sala de aula

Realizou-se para essa pesquisa um estudo teórico das obras de LaHaye (1997) e buscando uma ligação com a teoria das inteligências múltiplas de Gardner (1995) traçou-se estratégias para a aplicação da teoria dos 04 temperamentos em sala de aula, baseando-se na importância do educador descobri os verdadeiros interesses do educando para, apoiando-se neles, construir uma proposta pedagógica centrada nos próprios alunos.

Diante das inúmeras possibilidades de se atuar em sala de aula e com o intuito de valorizar a individualidade de todos que compõem a comunidade escolar e priorizando o emocional de todos os envolvidos, o ensino deixa de ser pautado na assimilação e memorização de meros conteúdos sistemáticos e passa a integrar uma co-relação entre professor/aluno.

De posse dos conhecimentos sobre a Teoria dos 04 Temperamentos e suas combinações, na busca por mais aprofundamento sobre o assunto e baseando-se nos estudos de LaHaye (1997), “... havia dois gêmeos idênticos em minha classe. (...) Um deles tinha uma personalidade afetiva; o outro evitava as pessoas. Um deles amava os esportes, a história e a literatura; o outro preferia a matemática, a física e a linguagem...”(p. 09). Observou-se através deste relato a diferença entre as pessoas e desta maneira a pesquisa oferece o desenvolvimento de uma atividade pedagógica individualizada.

Os novos estudos científicos, nas mais diversas áreas, têm feito psiquiatras e psicólogos desencantarem da psicologia freudiana e da teoria comportamentista e, observarem que o ser humano é um ser interacionista, valorizando as antigas idéias e aplicando essas teorias. Uma das mais revistas tem sido a teoria dos quatro temperamentos, Antunes (2002) destaca que a nossa memória é constituída por metade dos genes que herdamos e a outra metade é formada pela aprendizagem adquirida pelo meio em que vive.

“O temperamento é a combinação de características inatas que afetam, no nível do subconsciente, o comportamento de um ser humano” (LAHAYE, 1997, p.23). São provindos da combinação genética dos pais, portanto, os genes e cromossomos utilizados na concepção, são os principais responsáveis pela maneira de ser, atos e emoções. Claro que o temperamento não é o único fator que influencia as atitudes! Mas é o primeiro, o principal, ao lado dele está à maneira como se educa, motiva, treina e cria cada indivíduo.

Nessa teoria o educador precisa aprender quais são e como age cada temperamento, o que o levaria a trabalhar de forma positiva com o temperamento de seus alunos, aproveitando a característica de cada um para lecionar de forma individualizada, impedindo que haja desânimo pela diferença temperamental o que poderia interferir até mesmo na auto-estima. Para isso necessita compreender as características de cada grupo e como identificar os temperamentos dos alunos.

Antunes (2004), bem como Luria (2005) destacam a importância da interação, relatam que o aluno já nasce com as condições próprias para aprender, mas necessita de mediação para desenvolver tais condições. Quando o professor conhece o seu aluno, através do tipo de temperamento, saberá a melhor maneira de interagir com esse educando.

Diversas situações são expostas como problemas no ambiente escolar e muitas vezes são casos ligados ao temperamento do aluno “A perda da confiança e da auto-estima talvez seja o “efeito colateral” mais comum de uma dificuldade de aprendizagem (...). Elas presumem que são estúpidas, porque não se saem bem na escola, e que não podem ser apreciadas, porque não tem uma multidão de amigos”. (SMITH e STRICK, 2001, p.75). Na falta de compreensão destes aspectos por parte do professor, a criança acaba apresentando uma dificuldade de aprendizagem e o quadro do problema se agrava por não cuidarem de maneira individualizada.

2.1 Observando a prática

Para chegar ao autoconhecimento, é importante conhecer o próprio temperamento. Ele é a chave para se entender as reações dos diferentes comportamentos, qualidades e defeitos. O temperamento é a combinação de características congênitas que subconscientemente afetam o procedimento do indivíduo. E como é aplicar Temperamentos em sala de aula?

As análises do material impresso sobre o assunto pesquisado concomitante a pergunta da pesquisa traçou alguns pontos de partida para a prática da teoria dos 4 Temperamentos em sala de aula.

Uma criança melancólica desenvolve bons hábitos de estudo, pois gostam de aprender, se incentivados a leitura, por exemplo, desenvolverão um apetite imenso pelos livros, esse grupo possui mentes aguçadas, retentivas e inquisitivas. Possui capacidade de concentração, independente de qualquer barulho que esteja acontecendo ao seu lado, são escritores de qualidade, devido à aptidão que possuem em lembrar detalhes e figuras mentais de cada palavra.

As crianças melancólicas precisam e gostam de desenvolver o sentimento da misericórdia. Na medida em que se dedicam a outras pessoas com sofrimentos maiores, doentes, pobres, sofredores de qualquer natureza, eles começam a sair de sua profunda melancolia.

São seletivos com os assuntos que os interessam. Seu grande problema é que se tornam facilmente pesados e tristes. Precisam adquirir a alegria e a leveza, que lhes faltam, qualidades básicas que eles encontram no temperamento oposto, o sanguíneo.

Os de temperamento sanguíneo, se motivados podem vim a ser bons alunos, pois não são bons estudantes, mas são brilhantes, mesmo sendo inquietos e indisciplinados. Qualquer coisa pode distraí-lo, seu interesse pelas coisas é de curta duração, é muito difícil para eles se concentrarem por muito tempo em alguma coisa e este fato o fazem desperdiçar o grande potencial que possuem.

Os sanguíneos por serem carismáticos, simpáticos, divertidos, são interessados por tudo e acabam ficando na superfície de todos os assuntos. São pouco concentrados, tudo os interessam, mas se cansam dos assuntos e pulam para outro foco de interesse rapidamente.

São alunos muito inteligentes, aprendem fácil, mas não conseguem ser persistentes nos estudos, pois um simples ruído os distrai, precisam aprender a profundidade com seu temperamento oposto, o melancólico.

O educador de um sanguíneo precisa fazer que as matérias sejam apresentadas a ele de uma forma fascinante, artística de forma a seduzi-lo a querer se aprofundar em seu estudo. Gradualmente, educado assim descobre a sua capacidade de se aprofundar nos assuntos.

Já os alunos coléricos, apesar de toda a esperteza que apresentam, não são alunos brilhantes. Devido à falta de paciência e suas mentes curiosas passam por cima das coisas, fazendo leituras rápidas e, conseqüentemente, às vezes não são bons escritores. Gostam de sempre perguntar o “por que” das coisas e se interessam por geografia, psicologia, história, literatura, amam estudar mapas, diagramas e gráficos, apresentam certa dificuldade de concentração, quando se desviam do assunto em pauta é complicado voltarem a se concentrar.

Os coléricos por serem puro fogo e pura adrenalina. Estão sempre em ação. Precisa-se, desta forma, aprender a ter paciência, coisa muito rara para este grupo. A criança deve ser educada através do esporte, do trabalho, no seio da família, na igreja, escola ou comunidade. Precisa ser educado para saber se controlar e aprender a se aquietar quando necessário. Com seu temperamento oposto, os fleumáticos, devem descobrir a virtude da paciência, a esperar um pouco e a refletir antes de agir.

Os fleumáticos precisam de atividades que dura pouco tempo, vão ser considerados bons estudantes se conseguirem vencer sua vontade nata de ficar adiando as coisas. Não gostam de longos projetos, pois exige tempo e isso é algo que não gostam de dedicar a nada, tem boa memória e se incentivados e motivados a aprender podem se tornar muito inteligentes, suas mentes são capazes de analisar e deduzir. Trabalham melhor sobre pressão, apesar de não assumirem isso.

Os fleumáticos tendem a se acomodar facilmente frente às situações. São aqueles de quem se diz que “tanto faz que a água corra para cima quanto para baixo”. Amam comer, portanto, para eles tudo termina num lanchinho, desde a infância os fleumáticos devem ser incentivados a conviver com muita gente. Aprendendo mais com as experiências alheias que com as próprias, essa tendência a ter vidas demasiadamente acomodadas, os fazem viver sem grandes aventuras.

A acomodação é o maior problema deste grupo, ficam muito na zona de conforto e se colocam pouco em ação. Não sofrem muito, mas também não agem. Não vivem grandes dramas, suas emoções são mornas. Precisam aprender a se colocar mais em ação com os de temperamento oposto ao seu, os coléricos.

Os pais também precisam conhecer o temperamento de seu filho, pois a falta de compreensão do mesmo ocasiona um desentendimento e as cobranças que deveriam ser evitadas desencadeiam conflitos emocionais repercutindo na escola como uma dificuldade de aprendizagem ou desinteresse pelas atividades e por si mesmo.

Diante das observações, bem como dos questionários aplicados e suas análises percebe-se que os professores devem se preparar para a nova tecnologia, a mudança está na valorização do ser, cuidando das emoções, despertando o individual e entendendo os aspectos que estão interligados às inteligências múltiplas e os temperamentos.

Considerações finais e recomendações

Em geral, as pessoas têm tendências a desenvolver características de acordo com o tipo físico, o temperamento e com o meio em que se vive incluindo criação e estudo. Como cada um tem 02 ou mais temperamentos, predominando um deles. O ideal é ter um equilíbrio de todos, quando se conhecem as necessidades e fortalezas das combinações de temperamentos, deve-se aprender a controlá-los extraindo o melhor de cada temperamento, a necessidade básica em sala de aula é conciliar esse intercâmbio entre os grupos proporcionando uma interação e compreensão por parte dos mesmos.

Os temperamentos vão auxiliar ao professor na conduta de suas aulas em todas as disciplinas. É fundamental o educador se preocupar com o emocional dos alunos e se desvincular um pouco das regras curriculares que a escola proporciona como meta a ser atingida, um professor sábio educa os sentimentos, a emoção dos seus alunos. O agrupamento dos alunos segundo os temperamentos também permite ao professor dirigir-se especialmente a cada grupo.

Para se perceber os temperamentos, os professores e interessados devem, além das atitudes, analisarem a letra, a forma de andar, sentar, comer, vestir e os traços físicos da pessoa. O professor deve estar atento à diferença entre os Temperamentos e como trabalhar com cada um dos grupos. Muitos educadores, psicopedagogos, neuropsicólogos, pais entre outros encontrarão dificuldade em identificar os tipos, mas esse fato não pode ser considerado um empecilho, apenas um motivo maior para se dedicar ao estudo do tema e aos alunos bem como pacientes.

A influência da teoria dos 04 temperamentos e suas 12 combinações sobre a educação é altamente positiva, pois chama a atenção para o fato de que preocupar-se com o desenvolvimento da capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo, evita, desta forma, muitos transtornos como várias dificuldades de aprendizagem.

É válido ressaltar as recomendações de continuidade desta pesquisa por a mesma apresentar requisitos indispensáveis a uma educação de qualidade, embora a princípio pareça complexa e até mesmo venha demonstrar uma roupagem estereotipada. À medida que os pesquisadores e futuros interessados no assunto irem aprimorando os conhecimentos acerca do tema, perceberão o quanto essa impressão não passa de conclusões equivocadas. Um dos objetivos dos educadores do futuro é romper paradigmas e nada é mais estimulante do que quebrar a barreira do quem sabe mais e quem sabe menos, cientes que a diferença existe, inclusive nas diversas formas de se aprender.

Referências

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HERNANDEZ, Fernando. A Organização do Currículo por Projetos de Trabalhos. 5 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
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__________. Fundamentos de Neuropsicologia. São Paulo. EDUSP, 1981.
PASQUALI, Luiz. Os tipos humanos: A teoria da personalidade. Brasília. Copymarket.com, 2000.
SMITH, C. e STRICK, L. Dificuldades de aprendizagem de A a Z – um guia completo para pais e educadores; trad. Dayse Batista. Porto Alegre: ARTMED Editora, 2001.

Márcia Regina Silva Rodrigues e Murilo Flores Correia - Márcia Regina Silva Rodrigues - Especialista em Neuropsicologia e em Psicopedagogia, graduada em pedagogia (Universidade do estado da Bahia- UNEB), Psicopedagoga CAPS (Centro de atenção psicossocial), Professora do curso de psicopedagogia da rede Pós-grad/ Unibahia, Palestrante, Tutora de pedagogia EADCON/ Fael, Pesquisadora cognitivo-comportamental e saúde mental. marciarsr@hotmail.com
http://lattes.cnpq.br/0254720642977346

Murilo Flores Correia-Especialista em Neuropsicologia e em Psicopedagogia, graduado em geografia (Universidade do sudoeste da Bahia, UESB), Professor rede estadual de ensino, Palestrante, Pregador e Pesquisador cognitivo-comportamental. murilocorreia76@hotmail.com
http://lattes.cnpq.br/6377712430723657

Publicado em 09/12/2009