Dificuldades de Aprendizagem no Contexto Familiar-Escolar

Autora: Márcia Ramos

Resumo

Ao longo deste trabalho pretende-se analisar uma realidade no contexto escolar brasileiro, as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos no ambiente escolar, e também fortalecer os vínculos família-escola.

É notável o número de crianças e jovens que encontram problemas relativos à aprendizagem, e que têm como conseqüência o fracasso escolar em suas vidas. Fazem parte de um grupo, dentro da sociedade, de alto risco para desarranjos psicossociais futuros, o que requer trabalho pró-ativo para encaminhamento dos mesmos.

Muitas vezes, as pessoas atingidas apresentam pré-disposição, são mais susceptíveis a apresentar dificuldades de aprendizagem, circunstanciada pelo seu desenvolvimento psicológico e/ou emocionais.

Na verdade, mesmo aqueles que apresentam recursos cognitivos para aprender estão quase sempre envolvidos numa situação problemática que impulsiona criança e família a demandarem recursos da comunidade, fora do ambiente escolar, o que pode contribuir, efetivamente, para melhores resultados.

Diante disto, faz-se necessário uma estrutura de serviços públicos de saúde, ajuda psicológica e atendimento especializado com psicopedagogos, visando obter algum tipo de apoio profissional que ajude a lidar com a crise do fracasso escolar.

A consciência da relevância de uma ação recíproca entre família-escola vem a fortalecer os vínculos entre indivíduos e a necessidade de parcerias, promovendo benefícios para o aprendiz e permitindo seu desenvolvimento integral.

INTRODUÇÃO

Levando em consideração que o fracasso escolar é item negativo no processo de aprendizagem, e está cada vez mais presente no cotidiano escolar, aumenta a preocupação com este fator, o qual induz alunos a conviverem com uma triste realidade, passando a enfrentar um círculo vicioso em que se destacam suas crises psicológicas e aquelas vivenciadas por seus familiares.

No ambiente familiar, geralmente, verificam-se adversidades que tornam a criança vulnerável as dificuldades. Assim como a escola, os pais devem estar atentos às necessidades dos filhos, procurando ajuda para o desenvolvimento, contribuindo, quer seja dentro da instituição escolar, ou fora, com o auxílio dos profissionais especializados.

A sociedade necessita de uma parceria funcional entre famílias e escolas, pois somente assim, num trabalho conjunto, poderá acontecer uma educação de qualidade que contemplará as necessidades dos educandos, educadores e cuidadores.

O acompanhamento da vida escolar é importantíssimo. Quando a criança apresenta dificuldades de aprendizagem precisa de atenção especial por parte do professor e da instituição. A família também faz parte do cenário educativo, e em conjunto, deve oferecer suporte, energia, força para a criança aprender no ambiente escolar, junto com seus colegas.

Cada instituição deve cumprir sua missão, família e escola devem primar por uma sociedade mais coerente e justa.

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: UMA CONFLUÊNCIA DE FATORES

A família moderna, desenhada sob novo contexto social, tem sido considerada desestruturada, o que justificaria o grande aumento no número das psicopatologias de diferentes ordens, abarcando inclusive as dificuldades na aprendizagem escolar. Isto tem resultado em uma demanda significativa por atendimentos psicoterápicos e psicopedagógicos, frente às falhas dos educandos em conseguir acompanhar o que se denomina, atualmente, um desenvolvimento normal da aprendizagem na escola.

Quando a criança apresenta adequada integração e rendimento escolar compatível com a idade e a série em que se encontra, a tarefa se torna bem mais tranqüila. Porém, para os pais cujos filhos encontram dificuldades na aprendizagem escolar a situação se torna mais preocupante. (PARREIRA, 2005, pg. 8 e 9)

Verifica-se que a medida em que diminui o tempo disponível para os filhos, os pais necessitam contar cada vez mais com outras fontes de recursos – como a escola – que compartilhem responsabilidade no exercício da função educadora.

De outra forma, esta mesma coletividade exclui, de maneira quase constante, os indivíduos que não se enquadram às seus modelos, pré-determinações e ao ritmo considerado “ideal”. Isto gera, nos indivíduos com baixo rendimento escolar, uma sobrecarga e sensação de incapacidade que atua prejudicialmente em sua personalidade.

Segundo Paín (1992), o sujeito que não aprende não realiza nenhuma das funções sociais da educação baseado na eficiência e no consumo, acusando o fracasso da mesma. Os problemas de aprendizagem são aqueles que superpõem ao baixo nível intelectual, não permitindo ao sujeito aproveitar as suas possibilidades. Problemas escolares se manifestam na resistência às normas disciplinares, na má integração do grupo de pares, na desqualificação do professor, na inibição mental ou expressiva, aparece como reação reativa.

Para Polity (2001), a dificuldade de aprendizagem pode ser definida como um sintoma psicossocial, com pelo menos três constituintes básicos: a criança, a família e a escola. Sua evolução está intimamente relacionada com a estrutura e dinâmica funcional do sistema familiar, educacional e social no qual a criança está inserida.

Deste modo, as dificuldades de aprendizagem devem ser analisadas e compreendidas, não somente como uma falha individual de um sujeito que resiste a adequar-se ao pré-estabelecido, mas como uma confluência de fatores que incluem a escola, a família, os professores e o sistema de relações sociais envolvidos (POLITY, 2001).

A RESPONSABILIDADE FAMILIAR NO APRENDIZADO

A presença dos pais no ambiente escolar deve ser uma constante na vida educacional do filho, acompanhando o seu desenvolvimento, manifestando interesse pelas atividades propostas pela escola, buscando a melhor qualidade de ensino. Família e escola juntas favorecem o desenvolvimento integral da criança em todos os níveis (cognitivo, social, afetivo, psicomotor).

Tiba (2002, p.183) fundamenta o assunto com sua visão:

“Se a parceria entre família e escola for formada desde os primeiros passos da criança, todos terão muito a lucrar. A criança que estiver bem vai melhorar e aquela que tiver problemas receberá a ajuda tanto da escola quanto dos pais para superá-los”.

É relevante trazer a família para o processo escolar, contudo, a escola deve propiciar meios de formar as desejáveis parcerias com os pais e a comunidade, fortalecendo laços e, ao mesmo tempo, envolvendo as pessoas que atuam diretamente com as crianças, deixando-as conscientes do seu papel e despertando interesses nas atividades escolares, ressaltando que o ambiente escolar é uma continuidade do lar.

Essa interação é positiva para o processo de aprendizagem e conduz os alunos a alcançarem maior sucesso, estímulos e motivações para as propostas escolares, o que resultará em ganhos para todos.

Tiba (2002, p.183) afirma que “[...] quando a escola, o pai e a mãe falam a mesma língua e têm valores semelhantes, a criança aprende sem grandes conflitos e não joga a escola contra os pais e vice-versa [...]”.

Na educação, a escola sempre teve um papel fundamental, e hoje, além da função de ensinar para a cidadania e para o trabalho, compromete-se também em passar os valores fundamentais para a vida do indivíduo, sendo que este último não deveria, em regra, ser de retirado do âmbito familiar.

A complexidade da vida moderna acaba delegando aos professores papéis antes só de responsabilidade dos pais. A família de hoje conta muito com a escola, ou seja, com seus professores na formação das crianças e dos jovens. Ela precisa estar informada sobre a linha de conduta que a escola tem para com seus filhos e, o que é fundamental, concordar com esta linha: é preciso falar a mesma língua (ROSSINI, 2004, p.44).

Família e escola são os principais sistemas de suporte com os quais a criança conta para enfrentar o desafio. Nessa equação, a escola "funciona como um marco de inserção que reproduz e atualiza o contexto sociocultural mais amplo, explicitando papéis sociais e exigências formais de aprendizagem... colocando [as crianças] em contato com novas oportunidades e proporcionando-lhes uma ampliação do universo de interação com adultos e crianças" (Marturano e Loureiro, apud D’Avila-Bacarji; Marturano; Elias, 2003, p. 262). A família, por sua vez, contribui com a base segura de estabilidade emocional e uma diversidade de recursos de apoio, tais como a valorização dos esforços da criança, um envolvimento positivo na vida escolar desta e a oferta de experiências educacionais e culturais enriquecedoras.

A família deveria ser ativa dentro da escola, visto que as duas instituições, família e escola, desempenham funções primordiais na vida dos educandos, estabelecendo uma relação biunívoca, estimulando o desejo de aprender. Os pais são os maiores responsáveis pelos seus filhos e sempre respondem por eles, até atingirem a maioridade.

A família é o primeiro grupo com o qual a pessoa convive e seus membros são exemplos para a vida. No que diz respeito à Educação, se essas pessoas demonstrarem curiosidade em relação ao que acontece em sala de aula e reforçarem a importância do que está sendo aprendido, estarão dando uma enorme contribuição para o sucesso da aprendizagem (GENTILE, julho 2006, p.35).

No entanto, antes de atingirem a maioridade, os filhos tiveram vivências, bagagens, responsabilidades, aprendizados significativos que perdurarão para a vida toda, especialmente no período escolar, e neste momento a participação dos pais e o acompanhamento diário da vida escolar são preciosos para que a educação consiga alcançar os objetivos.

Muitas funções são cabíveis à família diante da instituição escolar, no ato da matrícula do seu filho, para que exista um bom relacionamento entre as partes e a conscientização das responsabilidades de ambas as partes.

Conhecendo a escola de seu filho (normas e funcionamento) e o contato com a mesma faz parte dessa ajuda.

Para uma ajuda eficiente é muito importante que os pais conheçam a escola onde seu filho estuda: onde fica, o endereço, telefone, como funciona, como são distribuídas as classes, como é o pátio, a cantina, se possui biblioteca e quem é o responsável por ela, onde é a diretoria. É também importante informar-se acerca dos períodos de aula, horário de recreio, quem é a professora, a diretora, a coordenadora pedagógica. A mãe poderá obter todas essas informações durante o ato da matrícula ou quando for convocada para alguma reunião. (PAÍN, 1992, p.29)

A família pode ser ainda mais ativa dentro da escola quando participa de conselhos de classe, associações de pais e mestres e muitos outros projetos, eventos, festas e atividades onde possam estar inseridos.

As reuniões escolares são um bom momento para o esclarecimento de eventuais dúvidas da família sobre problemas de aprendizagem, de comportamento e outros. Se a criança não está obtendo o rendimento esperado em classe é sinal que precisa de ajuda e os pais devem se informar de como ajudá-lo. Portanto, faz parte do ofício paterno e materno ficar a par dos acontecimentos e atividades dos filhos em casa e na escola, orientar nos deveres escolares, manter contato com a instituição escolar e primar por um bom relacionamento com as professoras.

Aprofundando-se no tema temos outro pensamento:

O bom relacionamento entre educadores e famílias a ser constantemente conquistado contribui muito para o trabalho com as crianças, pois as dificuldades surgidas podem se resolver mais rapidamente e a segurança é maior nas decisões que são tomadas em relação a elas. Cuidados com esta relação podem prevenir alguns problemas que costuma surgir (Oliveira, et alii, 2000, p.118).

A participação dos pais na escola deve ocorrer sempre, não somente quando existe um problema a ser resolvido. É de fundamental importância que a família participe de eventos promovidos pela instituição como festas comemorativas ou para arrecadação de fundos e verbas, pois quanto maior a colaboração ou o prestígio das atividades escolares, mais poderão exigir da escola e de seu filho.

Esse envolvimento que a família estabelece com a escola será identificado pela criança, que perceberá o valor que os membros de sua casa dão ao estudo e à instituição de ensino. Portanto, o comportamento dos pais influencia de forma direta nas atitudes do filho.

A expectativa da família tem grande peso na vida escolar da criança, pois é em casa que ela adquire sua motivação para aprender, ao mesmo tempo que vai formando suas próprias expectativas em relação ao futuro, ou seja, vai percebendo aquilo que vai poder ser quando crescer. (PARREIRA, 2005, p.90)

Os estímulos são conseqüências do valor que a família dá para os estudos, sendo uma atitude positiva ou negativa.

Nessa mesma linha de pensamento temos outra afirmação:

[...] o comportamento das crianças no ambiente escolar e em casa é, na verdade, uma reação às atitudes de seus pais. Foi constatado que a maioria dos problemas de comportamento, como ausência de atenção e agressividade, é reflexo da conduta dos pais. Uma criança, por exemplo, que não consegue em sala de aula, ficar parada em momento algum, mostrando-se sempre nervosa, brigona, agressiva com os colegas, sempre mal arrumada, cadernos rasgados, pode ser que uma das causas para tudo isso seja uma relação conflituosa com a família ou a relação, também conflituosa, entre pais, os quais brigam o tempo todo na frente dos filhos e acabam descontando na criança, com desprezo ou indiferença, com agressões físicas ou verbais. Este fenômeno, tão comum, leva a criança a pedir ajuda, demonstrando isso de várias maneiras, inclusive chamando a atenção para si, no ambiente escolar. (WEIL, 1984, p.47)

A valorização, o incentivo, a compreensão, o diálogo e a comunicação e expressão de sentimentos favorecem a melhoria na relação familiar, entre os membros do lar.

Pais atentos, interessados e envolvidos no desenvolvimento escolar do filho facilitam a aprendizagem e cumprem seu papel, educando e preparando para a vida adulta. A escola é passageira para o indivíduo (com a finalidade de enriquecimento intelectual, entre outros), visto que a família, seus costumes, hábitos, conceitos perduram por toda a vida.

Os pais devem mostrar, sem críticas e ameaças, interesse pelas atividades realizadas diariamente na escola. Esta ação deve ser uma constante, com atitudes positivas, palavras de elogio e valorização dos esforços, incentivo e encorajamento sobre o desempenho escolar, diálogo e apoio que elevam a auto-estima e fazem com que as crianças enfrentem as dificuldades com maior força e segurança, pois se sentem fortes, confiantes e compreendidas.

A família deve ser parceira, aliada à escola e aos professores para juntos oferecerem um trabalho de envolvimento e cumplicidade nos assuntos relacionados ao ambiente escolar e se surgirem no percurso dificuldades acadêmicas terão mais estruturas para apoiar a criança.

Marturano (apud FUNAYAMA, 2000) descreve que o impacto positivo do ambiente familiar sobre o desempenho da criança na escola, depende de dois fatores: experiências ativas de aprendizagem que promovem competência cognitiva e um contexto social que oferece autoconfiança e interesse ativo em aprender.

RECURSOS DO AMBIENTE FAMILIAR

Embora as dificuldades de aprendizagem estejam ligadas a múltiplos fatores, elas são sobremaneira sustentadas pelo meio familiar, escolar e social, e a forma como estes sistemas, em especial a família, definem essa dificuldade, terá um papel decisivo na evolução e resolução do problema, pois as dificuldades de aprendizagem expressam uma personificação dos conflitos familiares e emocionais que não foram manifestos explicitamente, permanecendo muitas vezes no inconsciente da criança, de forma velada (POLITY, 2001).

Famílias que demandam recursos da comunidade para empreender o desenvolvimento de seus filhos podem contribuir efetivamente para melhores resultados, ainda que em condições economicamente adversas. Este é o caso das famílias que buscam ajuda psicológica na rede pública de saúde, para suas crianças com dificuldades acadêmicas. Essas demonstram envolvimento e iniciativa no sentido de obter algum suporte profissional que auxilie a criança a enfrentar a crise do fracasso escolar.

Conhecer outras facetas do suporte parental é a base para o planejamento da intervenção junto às famílias. Estudos prévios realizados em nosso meio indicam que os pais de crianças com queixas escolares podem mobilizar outros recursos de apoio, além da busca de ajuda psicológica, e que a presença destes recursos está associada a um melhor ajustamento e desempenho acadêmico (Ferreira e Marturano, 2002; Marturano, 1999).

Por outro lado, há indícios de que o suporte parental freqüentemente se limita às questões escolares e pode estar prejudicado por problemas no relacionamento entre a criança e seus cuidadores (Marturano e Ferreira, 2004).

O suporte para a realização escolar concretiza-se através do envolvimento direto dos pais com a vida acadêmica dos filhos. Um modelo dessa modalidade de suporte é a disposição de tempo e espaço adequado em casa para a realização dos deveres escolares, a exigência de cumprimento desses deveres, o intercâmbio regular com o professor e uma rotina de horários para as atividades diárias básicas. Esses diversos indicadores de envolvimento parental têm sido associados a um melhor desempenho escolar durante a meninice (Fan e Chen; Kellaghan, Sloane, Alvarez e Bloom; Stevenson e Baker apud D’Avila-Bacarji; Marturano; Elias 2000), podendo contribuir para atenuar os efeitos da desvantagem econômica sobre o desempenho.

O suporte ao desenvolvimento reflete uma disposição dos pais para investir tempo e recursos em arranjos da vida familiar que têm como objetivo o crescimento dos filhos em sentido amplo, aliada à preocupação de adequar esses recursos ao nível de desenvolvimento de cada um e à priorização de atividades de lazer em que os filhos estejam incluídos. Aqueles pais que compartilham com a criança parte do seu tempo livre, proporcionando-lhe um elenco de atividades culturais e educacionais enriquecedoras, seja no lar seja na comunidade, favorecem o desenvolvimento cognitivo, o desempenho escolar e o ajustamento interpessoal (Bradley e Corwyn apud D’Avila-Bacarji; Marturano; Elias, 2000).

O suporte emocional diz respeito ao clima emocional na família e se caracteriza por processos interpessoais com elevada coesão, ausência de hostilidade e uma relação afetiva apoiadora com a criança. Essas características favorecem o desenvolvimento, pela criança, de um senso de permanência e estabilidade de sua base afetiva, com efeito protetor diante da adversidade; seu oposto tem sido associado a transtornos emocionais e de comportamento na infância (Fieser, Wilder e Bickham, apud D’Avila-Bacarji; Marturano; Elias, 2000).

SINERGIA EM PROL DA APRENDIZAGEM

Tiba (2002, p.182): “A escola percebe facilidades, dificuldades e outras facetas na criança que em casa não eram observadas, muito menos avaliadas”.

A escola deve estar sempre atenta, observando às necessidades específicas de cada aluno, tendo sempre em vista que ele é o foco principal do processo.

Dessarte, incumbe ao psicopedagogo, um cuidado especial no sentido de contextualizar os problemas de aprendizagem atuais e compreender tanto o contexto familiar em que emergiu o sintoma, quanto os mecanismos de exclusão esboçados pela escola e pela sociedade.

Sendo assim, é necessário auxiliar a família a adquirir consciência a respeito dos mecanismos que atuam na formação do sintoma apresentado pelo filho. A inclusão do suporte familiar no atendimento psicopedagógico do indivíduo caracteriza-se como um recurso valioso que ajuda, mormente, na solução das dificuldades encontradas pelos familiares no contexto educacional daquela criança.

O entendimento do contexto mais amplo, de acordo com Polity (2001), não torna a criança mais inteligente, mas possibilita que se formem novas construções que redefinem a carga de responsabilidade, distribuindo aquilo que anteriormente foi determinado como o sintoma de um, por todos os envolvidos: família, escola, sociedade, comunidade e psicopedagogo, formando assim, uma verdadeira rede relacional evitando que a desatenção, como sintoma, seja reflexo de um descaso dos pais, da sociedade e da escola com as crianças.

Logo, o suporte familiar pode evitar os traumas decorrentes de fracassos escolares e possibilitar, somado à outros fatores, a verdadeira construção de conhecimento pelo educando.

De acordo com essa idéia, Tiba (2002, p.181), afirma que “se os pais acompanharem o rendimento escolar do filho desde o começo do ano, poderão identificar precocemente essas tendências e, com o apoio dos professores, reativar seu interesse por determinada disciplina em que vai mal”.

A compreensão do contexto mais amplo, de acordo com Polity (2001), não torna a criança mais inteligente, mas possibilita que se formem novas construções que redefinem a carga de responsabilidade, distribuindo aquilo que anteriormente foi determinado como o sintoma de um, por todos os envolvidos: família, escola, sociedade, comunidade e psicopedagogo, formando assim, uma verdadeira rede relacional, evitando que a desatenção como sintoma, seja o reflexo de um descaso dos pais, da sociedade e da escola com as crianças.
Destarde, é relevante que o atendimento psicopedagógico torne-se o lugar em que ocorre uma reflexão sobre as práticas educativas, a partir da dinâmica familiar vivenciadas naquele ambiente.

De acordo com Tiba (2002, p.181)

[...] Para a escola, os alunos são apenas transeuntes psicopedagógicos. Passam por um período pedagógico e, com certeza, um dia vão embora. Mas, família não se escolhe e não há como mudar de sangue. As escolas mudam, mas os pais são eternos [...]

É necessário que a família e a escola mantenham canais de comunicação com relações de confiança mútua e compreensão. Quando os adultos, pais e professores trabalham juntos para atender às necessidades da criança, além de alimentarem o seu desenvolvimento, também enaltecem suas próprias vidas e contribuem com a valorização da comunidade. (MOLDIN, 2005, p.136)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

D’Avila-Bacarji, K. M. G; Marturano, E. M.; Elias, L. C. S. Suporte parental: um estudo sobre crianças com queixas escolares. Psicol. Estud. vol.10 n.1 Maringa Jan./Apr. 2005.
FERNANDÈZ, Alicia; Inteligências aprisionadas. Porto Alegre, RS. Artes Médicas, 1991.
FUNAYAMA, C.A.R. (Org.). Problemas de aprendizagem: enfoque multidisciplinar. Campinas: Alígena, 2000.
GENTILE, Paola, NOVA ESCOLA, Parceiros na aprendizagem. São Paulo: Abril,
julho/2006.
MARTURANO, E. M. Recursos do ambiente familiar e aprendizagem na escola. Revista Psicologia, Teoria e Pesquisa, Brasília, DF, v.15, n.2, p.135-142, mai/ago. 1989.
OLIVEIRA, Zilma de Moraes, et alii. Creches: crianças, faz de conta & cia. 8. ed.,
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PAÍN, Sara; Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4. ed. Porto Alegre, RS. Artes Médicas, 1992. Tradução: Ana Maria Netto Machado
PARREIRA, Vera Lúcia Casari; MARTURANO, Edna Maria; Como ajudar seu filho na escola. 5. ed. São Paulo, SP. Ave-Maria, 2005.
POLITY, E. Dificuldade de aprendizagem e família: construindo novas narrativas. São Paulo: Vetor, 2001.
ROSSINI, Maria Augusta Sanches. Pedagogia Afetiva. 5ª ed., Petrópolis: Vozes,
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TIBA, Içami. Quem ama, educa. 5. ed., São Paulo: Gente, 2002.
VIGOTSKY, L. S. O desenvolvimento psicopedagógico na infância. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WEIL, P. G. A Criança, o lar e a escola – Guia Prático de Relações Humanas e Psicológicas para Pais e Professores. Petrópolis: Vozes, 1984

Márcia Ramos - Psicopedagoga e Professora de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Araras

Publicado em 08 de Setembro de 2010