A
Educação e a Pessoa com Deficiência na Era da Informática
Autora:
Cristiane Scattone
A Educação a Distância através da Internet
apresenta perspectivas de cidadania para as pessoas com deficiência
"Pensar numa sociedade melhor para as pessoas deficientes é
necessariamente também pensar numa sociedade melhor para todos
nós." (RIBAS,1998,p.98)
Pensar sobre a relação "educação para
todos" e a deficiência é uma forma de indagar a igualdade
de oportunidades no sistema educacional brasileiro.
O presente tema vislumbra a possibilidade de uma "educação
para todos" através da informática, já que,
como instrumento de aprendizagem, de busca de informação
e de trabalho, o computador é uma realidade, principalmente nos
grandes centros urbanos do Brasil.
O paradigma "educação para todos", compreendido
como o acesso de todo cidadão ao sistema educacional, tem o seu
fundamento na política nacional brasileira.
De acordo com a lei maior, a Constituição Brasileira,
toda pessoa tem direito à educação, e a escola
deve levar em conta a diversidade das características dos seres
humanos. A igualdade de oportunidades está assegurada na Lei
de Diretrizes e Bases n.º 9.394 /96.
É fundamental que se compreenda a importância do paradigma
"educação para todos" para a sociedade. As pessoas
com deficiência que ficam fora do sistema educacional e, conseqüentemente,
sem acesso à cultura na vida adulta, podem encontrar dificuldades
para conquistar a sua independência pessoal e a sua autonomia,
sendo assim, pouco ou nada contribuirão e/ou produzirão
à sociedade e ao país.
Diante dessa assertiva, refletir sobre a igualdade de condições
no século XXI, com toda a tecnologia existente, leva-nos a pensar
que o computador e a telemática, entre outros, são recursos
que podem colaborar com esse paradigma. A pessoa com deficiência
que, através de uma tecnologia adaptada às suas necessidades,
puder ter acesso ao conhecimento e ao processo de ensino-aprendizagem,
poderá expor suas idéias e sentimentos a outras pessoas
e poderá trabalhar, exercer sua cidadania e se integrar à
sociedade.
Em 1997, surgiu no Brasil o Programa Nacional de Informática
na Educação (ProInfo). O ProInfo é um programa
educacional que visa introduzir as Novas Tecnologias de Informação
e Comunicação (NTIC) na escola pública como ferramenta
de apoio ao processo ensino-aprendizagem e também promover o
desenvolvimento e o uso da telemática como ferramenta de enriquecimento
pedagógico. Ele pretende melhorar a qualidade do processo ensino-aprendizagem,
propiciar uma educação voltada para o progresso científico
e tecnológico, preparar o aluno para o exercício da cidadania
numa sociedade desenvolvida e valorizar o professor. As escolas públicas,
tendo um projeto de uso pedagógico das NTIC aprovado pela comissão
Estadual de Informática na Educação, recebem computadores
e respectivos periféricos.
A Secretaria de Educação especial (SEESP), motivada pela
implantação do PROINFO na rede pública, elaborou,
em 1999, o Projeto de Informática na Educação Especial
(PROINESP) visando às instituições não governamentais.
O projeto enfatiza que a democratização do uso das tecnologias
é uma realidade viável. A democratização
vai ao encontro da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional n.º 9.394/96, que deixa claro o direito dos educandos
com necessidades especiais de contar com uma infra-estrutura para que
haja uma aprendizagem eficiente. Esse projeto parte do pressuposto de
que, se as barreiras que as pessoas com deficiência encontram
ao ingressarem no sistema educacional forem minimizadas através
da informatização, esses cidadãos terão
acesso ao processo de ensino-aprendizagem.
Com a popularização da Internet, esta também foi
incorporada nas instituições de ensino e na Educação
a Distância. A Educação a Distancia proporciona
a auto-aprendizagem e o acesso à educação a todos
aqueles que não têm condições de freqüentar
uma instituição de ensino.
A Educação a Distância através da Internet
apresenta perspectivas de cidadania para as pessoas com deficiência,
principalmente para as que não podem locomover-se, ou as que
ficam internadas em hospitais por um longo período de tempo e
que, com isso, ficariam alheias ao sistema educacional. A Telemática,
como recurso educativo, pode - através de projetos específicos
ou não - proporcionar uma "educação para todos".
Vale lembrar, nesse momento, uma personalidade internacionalmente reconhecida
pela importância de sua obra na área da Astrofísica
e da Cosmologia: o inglês Stephen Hawking. Ele utiliza-se de recursos
tecnológicos como um reprodutor de voz para comunicar-se, pois
sofre de esclerose lateral amiotrófica, que é caracterizada
pela degeneração progressiva das células motores
no cérebro e na espinha dorsal. Hawking é considerado
um dos físicos teóricos mais importantes do mundo. Entre
suas contribuições, destacam-se as teorias sobre o estudo
dos buracos negros.
Hawking, de uma forma brilhante, deixa sua contribuição
à humanidade, tanto no aspecto científico, com suas obras,
quanto no de STEPHEN HAWKING ser humano, com sua perseverança
e força de vontade.
A utilização da informática pelas pessoas com deficiência
dá-se através de recursos adaptados. Existem, no mercado,
diversos softwares e periféricos de computadores que foram elaborados
visando às pessoas com necessidades especiais.
Para exemplificar, segue uma tabela citando alguns desses recursos tecnológicos
adaptados, porém, nela não consta a deficiência
mental, pois esta pouco ou nada exige em relação a adaptações
de computadores e softwares; basta selecionar um software que corresponda
às necessidades do usuário:
|
|
Deficiência
Motora
|
Deficiência
Motora
e Fala
|
Deficiência
Visual
|
Deficiência
Auditiva
|
| Periféricos |
-tela
sensível (toque/sopro)
-substitutos de mouse
-pulsadores e
apontadores |
-teclados
alternativos |
-
teclado Braille
- impressora Braille |
-microfone
-fone de ouvido |
| Softwares |
-simulador
de teclado
-ERA: Emulador de
Rato |
-Anagrama-Comp
-Imago Vox
-PCS-Comp |
-Sonix
-DOSVOX
-El toque mágico |
-Sing
Talk
-SELOS
-Sing Writing |
A versatilidade dos softwares e periféricos adaptados favorece
a acessibilidade das pessoas com necessidades especiais ao sistema educacional,
tornando viável a participação de pessoas com deficiência
na sociedade e diminuindo a distância entre o possível
e o inacessível.
O desenvolvimento tecnológico, cada vez mais, oferece novos instrumentos
para otimizar o manuseio do computador pelas pessoas com deficiência,
proporcionando, dessa forma, a democratização do ensino,
da informação e da socialização, além
do desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo.
Por tudo que foi exposto, fica evidente a validade da educação
que se utiliza de tecnologia adaptada às necessidades especiais
do educando. Portanto, para que se tenha assegurada a apregoada e defendida
igualdade de direitos numa sociedade democrática, resta colocar
em prática o direito de dispor desses recursos, a fim de que,
mesmo com a diversidade, seja possível atingir o real sentido
da educação para (com) todos.
Bibliografia
MAZZOTTA, Marcos José da S. Educação especial no
Brasil. História e políticas públicas. 2. ed. São
Paulo: Cortez, 1999.
RIBAS, João Baptista C. O que são pessoas deficientes.
6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1998. (Coleção Primeiros
Passos).
SCATTONE, Cristiane. A educação e a pessoa portadora de
deficiência na era da informática. Monografia (Curso de
Pós-Graduação Strito Sensu em Distúrbios
do Desenvolvimento) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São
Paulo, 2001.
SCATTONE, Cristiane. O software educativo no processo de ensino-aprendizagem:
um estudo de opinião de alunos da quarta série do ensino
fundamental. Dissertação (Mestrado em Distúrbios
do Desenvolvimento) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São
Paulo, 2002.
Cristiane Scattone - Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Mestre
em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie