A
Educação Pré-Escolar para Crianças com Necessidades Especiais
Autora:
Vera Lúcia Camara F. Zacharias
A
validade da educação especial se justifica na certeza da importância da
educação para todos.
Assim, para alguns, ela deve se desenvolver de forma especial, para atender
às diferenças individuais dos alunos, através da diversificação dos serviços
educacionais.
A educação consiste em um trabalho
que visa desenvolver as oportunidades para que cada um venha a ser uma
pessoa em toda a sua plenitude, apoiando-se nos recursos da pessoa, mediante
a consideração de suas necessidades e fraquezas, suas forças e esperanças.
O princípio está na capacidade de crescimento do ser humano, que é ilimitada.
-
Crianças
com necessidades especiais são aquelas que, por alguma
espécie de limitação requerem certas modificações ou adaptações no
programa educacional, a fim de que possam atingir seu potencial máximo.
Essas limitações podem decorrer de problemas visuais, auditivos, mentais
ou motores, bem como de condições ambientais desfavoráveis.
Principalmente a partir da década de 60, tem-se uma clara
compreensão da importância e significação dos anos pré-escolares
no desenvolvimento de um padrão de comportamento para toda a vida.
Para as crianças com deficiências, a educação pré-escolar torna-se ainda
mais necessária, pois oportuniza que desfrutem ao máximo todas
as possibilidades de um ambiente educacional organizado, aproveitando
ainda os benefícios do convívio com outras crianças.
É a presença de necessidades
educacionais especiais que irá indicar se um aluno deve
receber educação especial, e não apenas a presença de uma deficiência
ou superdotação, pois, a existência de uma deficiência, não torna obrigatório
que seu portador não possa ser bem atendido mediante os processos comuns
de educação.
Após a realização de um diagnóstico educacional
por uma equipe interdisciplinar, pode-se recomendar, de acordo com cada
caso, a educação especial.
As situações de ensino
são especiais, quando utilizam recursos físicos e materiais
especiais, profissionais com preparo específico e alguns aspectos curriculares
que não são encontrados nas situações comuns.
Diagnóstico
e Classificação
Os termos: diagnósticos, classificação, avaliação, testagem,
são utilizados e definidos de diferentes maneiras nas
várias áreas: médica, psicológica, educacional etc.
O diagnóstico educacional consiste na utilização de recursos, meios e técnicas
para analisar e avaliar as situações educacionais, os problemas e as dificuldades
dos alunos, bem como, tomar conhecimento de suas causas para prevení-las
e corrigí-las, quando possível.
Todo
diagnóstico tem duas funções básicas:
1-
Localizar e analisar as causas das dificuldades dos alunos em todas
as áreas das suas atividades.
2-
Identificar e avaliar as áreas de aprendizagem e ajustamento, tanto
as positivas, quanto as negativas.
Classificação
e Caracterização dos Alunos Excepcionais ou Portadores de Necessidades
Especiais
São inúmeras as desvantagens e desvios existentes na classificação
de pessoas em categorias, mas, elas acabam tornando-se necessárias, principalmente
do ponto de vista da administração do Sistema Educacional.
-
A classificação abaixo, decorre do modelo clínico,
combinado sempre que possível ao modelo educacional.
1.Excepcionais
Intelectuais
1.1- Superdotados
1.2- Deficientes mentais
a) educáveis
b) treináveis
c) dependentes
2.
Excepcionais por desvios físicos
2.1- Deficientes físicos não
sensoriais
2.2- Deficientes físicos sensoriais
a) deficientes
auditivos
b) deficientes
visuais
3.
Excepcionais psicossociais
3.1- alunos com distúrbios emocionais
3.2- alunos com desajustes sociais
4.
Excepcionalidade múltipla
4.1- alunos com mais de um tipo de desvio
Recursos
Educacionais Especiais
É de extrema importância que sejam consideradas primeiramente todas as
possibilidades de utilização da escola comum, como um recurso integrado
com outras formas de atendimento que o aluno tenha necessidade.
Nos estados e municípios do Brasil, com
suas extremas diferenças de estrutura e distribuição de renda, encontramos
locais com boas situações de atendimento a esses alunos, até aqueles locais,
que quase não dispõem de condições de atendimento adequado à faixa de
sua população escolarizável, quanto mais à alunos portadores de alguma
necessidade especial.
Os recursos mais freqüentemente
encontrados são:
1.- Ensino Itinerante
Prestação de serviços, por um professor especializado, que
visita várias escolas comuns que recebem alunos excepcionais. Esse professor
especializado atende tanto aos professores, para orientá-los, quanto aos
próprios alunos.
2. - Sala de Recursos
É uma sala que conta com materiais e equipamentos especiais,
na qual o professor especializado, fixo na escola, auxilia os alunos nos
aspectos específicos em que precisam de ajuda para manterem-se na classe
comum. Na maioria dos locais esse profissional também presta atendimento
aos professores das classes comuns, aos demais profissionais da escola
e à família dos alunos.
3. - Classe Especial
Instalada em escola comum, caracteriza-se pelo agrupamento
de alunos classificados como da mesma categoria de excepcionalidade, que
estão sob a responsabilidade de um professor especializado. Tem sido mais
utilizada para alunos deficientes mentais educáveis.
4. - Escola Especial ou Educação Especial
É aquela que foi organizada para atender específica e exclusivamente
a alunos excepcionais. Algumas atendem apenas a um tipo de excepcionalidade,
outras já atendem a diferentes tipos. Tem sido bastante criticadas por
reduzir o convívio do aluno excepcional com outras crianças não portadoras
de desvios, bem como pelo estigma de que são objetos tanto a escola, como
seus alunos. É importante que nos lembremos que sempre existirão alunos
que necessitam desse tipo de atendimento.
Educação
Especial no Estado de São Paulo
O atendimento a alunos excepcionais no Estado de São Paulo,
é feito por serviços estaduais, municipais e particulares.
A grande maioria dos serviços existentes destina-se ao atendimento de
portadores de deficiências mentais, auditivas, visual e físicas não sensoriais.
O atendimento realizado por
particulares, em grande parte, é realizado por meio de instituições assistenciais
sem fins lucrativos, que mantém convênios com órgãos públicos. Normalmente
atendem crianças que apresentam comprometimentos que requerem serviços
complementares aos educacionais.
Destacam-se as
Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais- APAE; a Sociedade Pestalozzi
de São Paulo, a Fundação para o Livro do Cego, a Associação de Assistência
à Criança Defeituosa - AACD, o Lar Escola São Francisco, etc.
A educação especial no Estado de São Paulo, atende às normas
fixadas pelo Conselho Estadual de Educação.
E
o que diz a principal Lei da nação quanto à Educação Especial ?
A
Educação Especial na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional -
Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996
Capítulo V- Da Educação Especial- (Artigos 58 ao
60)
A lei entende como educação especial a modalidade de educação
escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos
portadores de necessidades especiais.
Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola
regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação
especial. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou
serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas
do aluno, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino
regular.
A oferta de educação especial é dever
constitucional do Estado e tem início na faixa etária de zero
a seis anos, durante a educação infantil, devendo os sistemas de ensino
assegurarem aos educandos com necessidades especiais, currículos, professores
e outras condições de organização escolar adequadas às necessidades, inclusive
dos superdotados.
-
Em todo o mundo se iniciou um processo de reintegração da criança
portadora de deficiências ou distúrbios de aprendizagem na Escola
e classes comuns.
O nome desse movimento
mundial é Educação Inclusiva, que propõe
o atendimento da criança em classes comuns, garantindo-se as especificidades
necessárias, com um atendimento de um professor especialista ao professor
da classe comum.
O mais importante documento
que norteia a Educação Inclusiva é a Declaração de Salamanca.
-
Esta,
é ao mesmo tempo, uma Declaração de Direitos e uma proposta de ação.
Surgiu na Conferência Mundial, patrocinada pela UNESCO em junho de
1994, em Salamanca, na Espanha.
-
Tem
como objetivo maior garantir o direito a todos os alunos, com qualquer
grau de deficiência ou distúrbio de aprendizagem, ao que comumente
chamamos e Educação Comum.
Vera
Lúcia Camara F. Zacharias é mestre em educação, pedagoga, diretora de
escola aposentada, com vasta experiência na área educacional em geral,
e, em especial na implantação de Cursos Técnicos de Nível Médio
e pós-médio, assessoria e capacitação de profissionais para a utilização
de novas tecnologias aplicadas à educação e alfabetização.
-
|