Como Trabalhar Com Alunos Portadores de Grandes Dificuldades de Aprendizagem

Autora: Janete Leony Vitorino

Alguns de nossos alunos possuem dificuldades que ultrapassam as possibilidades comuns de aprendizagem.
Esses alunos, muitas vezes exige do trabalho da escola e dos professores algumas medidas excepcionais.
Pode-se considerar como exemplo destas medidas: Classe especializada em atender este tipo de alunado, um apoio pedagógico extra classe ou as práticas de apoio psicopedagógico, integrada à sala de aula.
Para tanto o ideal seria um trabalho voltado para a consciência de equipe, para então, encontrar recursos para atender estes alunos, sem em momento algum excluí-lo de sua integração, evitando-se assim, à exclusão.
Tratando-se das competências, percebe-se que os professores deverão com o tempo, apropriar-se de uma parte dos saberes dos professores de apoio especializado, mesmo que nem todos exerçam esta função permanentemente.
Isso tudo pressupõe não só competências mais precisas em didática e em educação, mas também capacidades relacionais que permitam enfrentar sem desestabilizar e nem desencorajar o professor.
Segundo Perrenoud, 2000, p.61: "Analisando a cultura profissional dos professores de apoio experientes, suas competências, representações, atitudes, saberes, obtém-se a seguinte listagem de habilidades que um professor que se propõe realizar este trabalho deve representar".
- Saber observar a criança na situação, com ou sem instrumentos.
- Dominar um procedimento clínico (observar, agir, corrigir, etc.)
- Saber construir situações didáticas sob medida (mais a partir do aluno do que do programa).
- Saber negociar/explicitar um contrato didático personalizado.
- Praticar uma abordagem sistêmica.
- Estar acostumado à idéia de supervisão, estar consciente dos riscos que se corre e se faz correr em uma relação de atendimento.
- Respeitar um código explícito de deontologia mais do que apelar para o amor pelas crianças e para o senso comum.
- Estar familiarizado com uma abordagem ampla da pessoa, da comunicação, observação, intervenção e da regulação.
- Ter domínio teórico e prático dos aspectos afetivos e relacionais da aprendizagem e possuir cultura psicanalítica básica.
- Saber que, muitas vezes, é necessário abandonar o registro propriamente pedagógico para compreender e agir de modo eficaz.
- Saber levar em conta mais os ritmos dos indivíduos do que os calendários das instituições.
- Estar convencido de que os indivíduos são todos diferentes e o que funciona para um não funcionará necessariamente para outro.
- Fazer uma reflexão específica sobre o fracasso escolar, as diferenças pessoais e culturais.
- Dispor de boas bases teóricas em psicologia social do desenvolvimento e da aprendizagem.
- Participar de uma cultura que se encaminhe para uma forte profissionalização, um domínio da mudança.
- Ter o hábito de considerar as dinâmicas e as resistências familiares e de tratar com os pais como pessoas complexas, mais do que como responsáveis legais de um aluno.

Esta listagem de competências e habilidades não deseja em momento algum transformar professores em "psicoterapeutas". "Essas habilidades enfatizam não só um atendimento mais individualizado, um método mais clínico, com instrumentos conceituais deferentes daqueles mobilizados para gerir um grupo" (Perrenoud, 1991).

Referência Bibliográfica
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar; trad. Patrícia Chittoni Ranos - Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Janete Leony Vitorino
Licenciada em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC. Pós graduada em Psicopedagogia pela Universidade do Sul de Santa Catarina, UNISUL. Professora da Faculdade de Educação de Joinville - FEJ em cursos de Pós-Graduação ministrando a disciplina Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem Infantil.
Email:
janetepsicopedagoga@yahoo.com.br