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A
Teoria Behaviorista da Aquisição da Linguagem
Autor:
Vicente Martins
Quem exerce uma prática (psico)pedagógica com bases teóricas,
decerto, exercerá uma intervenção mais eficaz no
seu educando, em particular em situações de dificuldades
de aprendizagem relacionadas com a linguagem. Não é
à toa que a palavra teoria, de origem grega, quer dizer, ao pé
da letra, aquilo que vem do olhar, ou seja, aquilo que vem, pois,
da observação, princípio básico, como sabemos,
da ciência.
A
teoria epistemológica explica melhor os fatos educacionais. Nessa
perspectiva, as teorias de aquisição e desenvolvimento da
linguagem tentam explicar a forma como a linguagem verbal é adquirida
por qualquer criança, em qualquer língua, em qualquer tempo.
No presente artigo, iremos tratar da Teoria Behaviorista da aquisição
da linguagem ou da língua materna.
Para
que possamos melhor entender a Teoria Behaviorista da Linguagem, doravante
abreviada por nós por TBL, importante é entendermos as acepções
do termo: psicológica e lingüisticamente. No âmbito
da psicologia, o behaviorismo é teoria e método de investigação
psicológica que procura examinar do modo mais objetivo o comportamento
humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos
e reações), sem fazer recurso à introspecção.
Mais
voltada ao comportamento animal do que ao conhecimento humano, a teoria
behaviorista também pode ser denominada teoria comportamental.
Por ser, doutra sorte mais tendente à prática ou à
experiência, seu caráter é essencialmente empirista.
Nesse tocante, o vínculo do bahaviorismo ao empirismo, portanto,
do método behaviorista à doutrina empirista, leva-nos a
salientar que tal vínculo resulta, dentro de uma dimensão
filosófica, do entendimento segundo a qual todo conhecimento, inclusive
o lingüístico, provém unicamente da experiência,
limitando-se ao que poder captado do mundo externo, pelos sentidos, ou
do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo, porém,
descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas
e inatas do racionalismo.
No
âmbito escolar, podemos sentir bem a presença ou atitude
behaviorista da escola quando oferta um ensino repetitivo, reprodutivista,
pouco reflexivo, em que o aluno, considerado uma tabula rasa, está,
em sala para receber conhecimento, não se reconhecendo, assim,
no educando, um ser atuante no processo de aprendizagem. Exercícios
prontos, acabados, com um sentido só, entre outras características
do modelo tradicional, não só sustentam um modelo pedagógico
no País mas se sustenta teoricamente, em boa parte, nas teses behavioristas
da aquisição da língua materna.
No
âmbito da Lingüística, que é o que mais no interessa
aqui, o bahaviorismo é doutrina apoiada na proposta teórica
de L. Bloomfield e depois por B. F. Skinner, que busca explicar os fenômenos
da comunicação lingüística e da significação
na língua em termos de estímulos observáveis e respostas
produzidas pelos falantes em situações específicas.
A
teoria behaviorista durou, principalmente, nos anos 50, no domínio
da psicologia como no domínio da lingüística. Além
de Skinner(1957), estão associados a este teoria, do ponto de vista
lingüístico, nomes como Osggod(1966) e White (1970).
A
teoria behaviorista da linguagem parte do pressuposto de que o processo
de aprendizagem consiste numa cadeia de estímulo-resposta-reforço.
O ambiente fornece os estímulos - neste caso, estímulos
lingüísticos - e a criança fornece as repostas - tanto
pela compreensão como pela produção lingüística.
A criança, por esta teoria, durante o processo de aquisição
lingüística, é recompensada ou reforçada na
sua produção pelos adultos que a rodeiam.
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Vicente
Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú
(UVA), de Sobral, Estado do Ceará.
E-mail: vicente.martins@uol.com.br
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