Hiperatividade X Indisciplina: Contribuições para o Cotidiano Escolar

Autoras: Neiva Terezinha Chaves Leite e Josiane Peres Ferreira

Introdução

No cotidiano da sala de aula nos deparamos com alunos agitados, que arrancam os brinquedos de seus colegas, andam de um lado para o outro e não conseguem ficar muito tempo sentado, no mesmo lugar. Nunca terminam as tarefas solicitadas. Em algumas vezes chegam a ser agressivos. Esse comportamento, geralmente confundido com indisciplina, é característico de um distúrbio de atenção que, de acordo com Gentile (2000), atinge 5% das crianças e adolescentes de todo o mundo: a hiperatividade. Conhecer os sintomas e aprender a lidar com esse problema é uma obrigação de qualquer professor que não queira causar danos a seus alunos. Afinal, a demora em diagnosticar o caso pode trazer sérias conseqüências para o desenvolvimento da criança.

Esse artigo busca orientar pessoas, principalmente, pais professores sobre o TDAH. Ele aborda a história, o que é hiperatividade, seus sintomas, medicamentos, como prevenir e a intervenção do professor e de profissionais como o psicólogo, neurologista e o psicopedagogo.

Todavia, relata como tratar alunos com indisciplina ou falta de limites. Por isso, muitas vezes cabe ao professor perceber a agitação do aluno. Se ela persistir deverá procurar ajuda da escola e posteriormente encaminhar para outros especialistas da área.


Com efeito, observei seis alunos de primeira série com queixa de déficit de atenção e agitação. Com a ajuda de uma psicóloga realizamos um questionário elaborado pela psicóloga Edyleine, (2000), TDAH-Escala de Transtorno de Déficit de Atenção/ hiperatividade para fazer uma previsão do suposto transtorno.

Conforme relatos da autora só o diagnóstico da escala usada não é o suficiente para detectar o problema, mas pode ser encaminhada para posterior investigação. Com o resultado procurei bibliografias para ajudar pais e professores a conviverem ou amenizarem o transtorno.

Com isso, o trabalho ficou assim divido: História do TDAH; Conceito do que é Hiperatividade; Tratamento convencional; Alguns fatos sobre a hiperatividade; Quadro clínico; Diagnóstico, orientação à escola e prognóstico; Indisciplina da classe; Metodologia; Resultado e discussão; Sugestões para intervenção do professor; O papel da psicopedagogia; Conclusão, Referências bibliográficas.

História do TDAH-Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

As primeiras referências aos transtornos hipercinéticos na literatura médica aparecem na metade do século XIX. Entretanto, somente no início do século XX começou-se a descrever o quadro clínico de uma maneira mais sistemática.(PETRY, 1999).

Para Arlete Petry (1999), na década de 1940, falava-se em lesão cerebral mínima. A partir de 1962, passou-se a utilizar o termo disfunção cerebral mínima, reconhecendo-se que as alterações características da patologia relacionam-se mais a disfunções em vias nervosas do que propriamente a lesões nas mesmas. Na década de 80, com surgimento da terceira edição do DSM-III, (Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais), cunhou-se o termo distúrbio de déficit de atenção, que podia ou não ser acompanhado de hiperatividade. Mas, como continuou o debate, em 1987, com a organização do DSM-IV, voltou-se a dar maior ênfase a hiperatividade, modificando o nome da patologia para distúrbio de hiperatividade com déficit de atenção. Em 1994, o pêndulo voltou-se para o centro e a patologia passou a ser designada distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade.

Segundo Nass e Ross (apud, PETRY, 1998) a nomenclatura brasileira mais recente, é utilizado o termo transtorno em vez de distúrbio, ou seja, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

A etiologia para os autores não é específica. Incluem-se causas pré-natais (como as decorrentes do álcool na gestação, prematuridade), perinatais (anoxia ou hemorragia intracraniana etc) e pós-natais (seqüelas de doenças no início da infância, como encefalites, meningites, traumatismo crânio-encefálico etc). Fatores ambientais decorrentes de baixo nível sócio-econômico podem interferir na etiologia também.

Segundo Bierdeman e seus colaboradores (apud, Arlete Petry), os aspectos genéticos são significantes, principalmente entre os meninos. Eles verificaram que 20% dos pais e 21% dos irmãos de crianças com TDAH também eram acometidos por esta afecção.

O Que é a Hiperatividade

A hiperatividade, segundo Lancet (1998) denominada na medicina de desordem do déficit de atenção, pode afetar crianças, adolescentes e até mesmo alguns adultos. Os sintomas variam de brandos a graves e podem incluir problemas de linguagem, memória e habilidades motoras. Embora a criança hiperativa tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. Os professores e pais da criança hiperativa devem saber lidar com a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da criança.

O comportamento hiperativo pode estar relacionado a uma perda da visão ou audição, a um problema de comunicação, como a incapacidade de processar adequadamente os símbolos e idéias que surgem, estresse emocional, convulsões ou distúrbios do sono. Também pode estar relacionado à paralisia cerebral, intoxicação por chumbo, abuso de álcool ou drogas na gravidez, reação a certos medicamentos ou alimentos e complicações de parto, como privação de oxigênio ou traumas durante o nascimento. Esses problemas devem ser descartados como causa do comportamento antes de tratar a hiperatividade da criança

O verdadeiro comportamento hiperativo interfere na vida familiar, escolar e social da criança. As crianças hiperativas têm dificuldade em prestar atenção e aprender. Como são incapazes de filtrar estímulos, são facilmente distraídas. Essas crianças podem falar muito, alto demais e em momentos inoportunos. As crianças hiperativas estão sempre em movimento, sempre fazendo algo e são incapazes de ficar quietas. São impulsivas. Não param para olhar ou ouvir. Devido à sua energia, curiosidade e necessidade de explorar surpreendentes e aparentemente infinitas, são propensas a se machucar e a quebrar e danificar coisas.

As crianças hiperativas toleram pouco as frustrações. Elas discutem com os pais, professores, adultos e amigos. Fazem birras e seu humor flutua rapidamente. Essas crianças também tendem a ser muito agarrado às pessoas. Precisam de muita atenção e tranqüilização. É importante para os pais perceberem que as crianças hiperativas entenderam as regras, instruções e expectativas sociais. O problema é que elas têm dificuldade em obedecê-las. Esses comportamentos são acidentais e não propositais.

Para Lancet (1998), a criança hiperativa quando sai com sua família, uma ida a um parque de diversão ou supermercado pode ser desastrosa. Há simplesmente muita coisa acontecendo, muito estímulo ao mesmo tempo. Devido à sua incapacidade de concentrar-se e ao constante bombardeamento de estímulos, a criança hiperativa pode ficar estressada.

A criança hiperativa pode ter muitos problemas. Apesar da "dificuldade de aprendizado", essa criança é geralmente muito inteligente. Sabe que determinados comportamentos não são aceitáveis. Mas, apesar do desejo de agradar e de ser educada e contida, a criança hiperativa não consegue se controlar. Pode ser frustrada, desanimada e envergonhada. Ela sabe que é inteligente, mas não consegue desacelerar o sistema nervoso, a ponto de utilizar o potencial mental necessário para concluir uma tarefa a criança hiperativa muitas vezes se sente isolada e segregada dos colegas, mas não entende por que é tão diferente. Fica perturbada com suas próprias incapacidades. Sem conseguir concluir as tarefas normais de uma criança na escola, no playground ou em casa, a criança hiperativa pode sofrer de estresse, tristeza e baixa auto-estima.

Um especialista em comportamento infantil pode ajudá-lo a distinguir entre a criança normalmente ativa e enérgica e a criança realmente hiperativa. As crianças até mesmo as menores podem correr, brincar e agitarem-se felizes durante horas sem cochilar, dormir ou demonstrar qualquer cansaço. Para garantir que a criança realmente hiperativa seja tratada adequadamente e evitar o tratamento inadequado de uma criança normalmente ativa é importante que seu filho receba um diagnóstico preciso.

Segundo a equipe abc de saúde, durante a primeira ou a segunda consulta médica, a criança hiperativa pode ser comportar de forma quieta e educada. Sabendo o que é esperado, pode se transformar em uma criança "modelo". Devemos estar preparados para descrever, de forma precisa e objetiva, o comportamento da criança em casa e nas atividades sociais. Se uma criança está encontrando dificuldade na escola, o professor que converse com o médico ou envie-lhe um relatório por escrito. Pode ser preciso várias consultas antes que o comportamento hiperativo torne-se aparente. Não devemos nos preocupar, pois um especialista em crianças, geralmente, pode realizar um diagnóstico preciso.

Ao tratar da criança hiperativa, a nossa meta é ajudá-la a fazer o melhor possível, em casa, na escola, e com os amigos. Lembremo-nos sempre de que a criança estará lutando com todas as forças para superar uma deficiência do sistema nervoso. É preciso dizer aos pais que não se sintam envergonhados ou culpados quando seu filho não se comportar bem.

Os pais da criança hiperativa merecem muita consideração. É preciso muita paciência e vigor para amar e apoiar a criança hiperativa em todos os desafios e frustrações inerentes à doença. Os pais da criança hiperativa estão sempre preocupados e atentos, sempre "em alerta". Conseqüentemente, é fácil sentirem-se cansados, abatidos e frustrados, às vezes. É de importância vital para os pais da criança hiperativa serem bons consigo mesmos, descansar quando apropriado, além de buscar e aceitar o apoio para eles e para o filho.

Tratamento Convencional

Conforme Abrichaim (2001) antes de qualquer tratamento, um exame físico deve se feito para descartar outras causas para o comportamento da criança, tais como infecção crônica do ouvido médio, sinusite, problemas visuais ou auditivos ou outros problemas neurológicos.

O metilfenidato é o medicamento mais comumente receitado para hiperatividade. É um estimulante que tem efeito paradoxal de acalmar o sistema nervoso e aumentar a capacidade da criança hiperativa de prestar atenção. Contudo, os pais não devem deixar de verificar com seu médico antes de parar de dar esse medicamento a seu filho.

Conforme Abrichaim (2001), a tioridazina é um tranqüilizante ao qual se pode recorrer se a criança for extremamente agressiva e, nesse caso, apenas nas situações mais difíceis.

Na maioria das circunstâncias, o medicamento para a hiperatividade pode ser interrompido durante o verão e retomado quando as aulas começarem novamente, após as férias. Essa conduta pode limitar alguns dos efeitos colaterais prolongados desses medicamentos. Após um verão sem medicamento, talvez seja útil deixar que o aluno freqüente as primeiras semanas de aula sem qualquer medicação. Considere esse período como um teste para determinar se a criança pode passar sem o medicamento. (Os pais devem conversar sempre com o médico antes de descontinuar qualquer tratamento, durante qualquer período de tempo).

Quanto à prevenção, Abrichaim (2001), diz que é importante ressaltar que durante a gestação, a mãe deve manter-se longe da exposição de chumbo ambiental ao mínimo possível e eliminar o álcool. O dois tem sido relacionado a hiperatividade.

A futura mamãe não deve deixar que seu filho se exponha ao chumbo. As fontes mais comuns de exposição ao chumbo são tinta à base de chumbo, água potável e cerâmica mal esmaltada.

Alguns fatos sobre a Hiperatividade

A equipe abc de saúde relata que embora muitos pais de crianças enérgicas perguntem aos médicos sobre a hiperatividade, ela não é problema comum. De acordo com um artigo publicado no British Journal of Psychiatry, apenas 3% das crianças são realmente diagnosticadas com a desordem do déficit de atenção. A hiperatividade é dez vezes mais comum nos meninos do que nas meninas.

A causa ou causas exatas da hiperatividade é desconhecida. A comunidade médica teoriza que a desordem pode ser resultado de fatores genéticos; desequilíbrio químico; lesão ou doença na hora do parto ou depois do parto; ou um defeito no cérebro ou sistema nervoso central, resultando no mau funcionamento do mecanismo responsável pelo controle das capacidades de atenção e filtragem de estímulos externos. Metade das crianças hiperativas tem menos problemas comportamentais quando seguem uma dieta livre de substâncias como flavorizantes, corantes, conservantes, glutamato monossódico, cafeína, açúcar e chocolate.

Quadro Clínico

Kaplan e Sadock (1984), nos ensinam que não há características físicas específicas na TDAH. A sintomatologia tem início antes dos sete anos de idade. Os marcos desse quadro são: desatenção, impulsividade e hiperatividade.

Além desses, podem ser acrescentadas às dificuldades na conduta e ou problemas de aprendizado associados a discretos desvios de funcionamento do sistema nervoso central.

Segundo o autor citado acima o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade podem fazer seu aparecimento nos primeiros dias de vida. Um recém-nascido já afetado pode ser exageradamente sensível a estímulos e responder a eles de forma indiferenciada, maciça e adversa.

É comum que a criança seja ativa no berço, durma pouco e chore muito, quando já passados os meses iniciais. O bebê freqüentemente sai do berço cedo, apesar das tentativas dos pais para impedirem sua saída. Uma vez fora do berço, tente agir, geralmente apalpando, quebrando ou destruindo objetos. Os pais queixam-se de não ser ele capaz de manter-se parado ou sentar-se, calmo, numa cadeira.

Acredito que a criança é incapaz de ficar sem ter uma atividade motora desnecessária. Com isso, incomoda e importuna quem a cerca. Às vezes, a hiperatividade motora é acompanhada pela verbal e a ideativa. Assim, a criança não consegue manter a atenção, as idéias fogem e a produção intelectual diminui. É interessante que, em atividades livres (no recreio, em atividades esportivas), a criança hiperativa não destoa daquelas ditas normais.

Na realidade, a hiperatividade seria devido mais à incapacidade de manter a atenção, conforme Reed e seus colaboradores.(apud PETRY, 1999).

Quando em ambientes estruturados por limites sociais a criança hipercinética tem muita menos probabilidade de reduzir suas atividades locomotoras que as outras crianças.

Freqüentemente, a desatenção leva à distração, ao sonhar acordado e à dificuldade de perseverar numa única tarefa por um período prolongado de tempo. Como a atenção é desviada de um estímulo para outro, essa criança freqüentemente deixa pais e professores com a impressão de que não está ouvindo.

A impulsividade faz com que ela tenha dificuldade de adiar uma gratificação. A criança fica bastante suscetível a acidentes, cria problemas com os colegas e perturba o andamento da aula. Ainda na escola, pode iniciar rapidamente um trabalho, mas não terminá-lo. Pode ser incapaz de esperar sua vez de ser chamada e responder pelos outros.

Cléber da Silva (1999) comenta que para Reed e seus colaboradores, além dessas características básicas do quadro clínico, outros problemas são comuns que estejam presentes, como:

1. Problemas de conduta, através de explosões de cólera e passando rapidamente do riso às lágrimas. Seu humor e desempenho são geralmente variáveis e imprevisíveis. Pode apresentar características de forte oposição e desafio;

2. Implicações emocionais, tais como hipersensibilidade, baixas auto-estima e baixa tolerância à frustração. O autoconceito negativo e as reações de agressividade da criança são observados pela percepção de não estar certa por dentro;

3. Problemas de socialização, tendo dificuldades nos seus relacionamentos interpessoais, por não aceitar críticas, conselho ou ajuda e ser, muitas vezes, tirana;

4. Problemas familiares, em conseqüência das insatisfações e pressões por parte do adulto, pela inadequação do comportamento da criança. Além disso, as dificuldades escolares ou de aprendizagem são fatos que normalmente muitas frustrações trazem aos pais. Muitas vezes a criança torna-se ponto de discórdia familiar.

5. Comprometimento das habilidades cognitivas, manifestando-se em dificuldades de organização, de resoluções de problemas, no retardo do desenvolvimento da linguagem, na dislexia, na disgrafia e na discalculia;

6. Problemas neurológicos; quando a criança, em geral, tem incoordenação motora (é desajeitada), tem impersistência motora (incapacidade de manter determinada postura ou posição por algum tempo), apresenta sincinesias freqüentes, distúrbios da fala (dislalia etc.), dificuldades gnósicas (inclusive na formação do esquema corporal) e práxicas. Esses pacientes, em geral, apresentam inteligência normal.

Diagnóstico, orientação à escola e prognóstico.

De acordo com Marilene Travi (1999), o processo de avaliação envolve a coleta de dados com os pais, com a criança e com o professor. Deve-se para firmar o diagnóstico, solicitar avaliação interdisciplinar, incluindo a neurológica infantil, psicológica e psicopedagógica. Convém ressaltar que o enfoque diagnóstico varia, na prática, de acordo com cada caso. A partir dessa avaliação, os profissionais decidirão as terapêuticas a serem adotadas.

Há alguns procedimentos conforme ressalta Marilene (1999), que a escola pode adotar, a fim de minimizar as dificuldades de um aluno com esse transtorno, assim que for estabelecido o diagnóstico de TDAH. São eles: a) Reduzir, ao mínimo os estímulos na sala de aula; b) Manter portas de armários fechadas, a fim de que caixas, livros e demais materiais ali existentes não distraiam a criança com suas cores, formas e tamanhos diferentes; c) Sentar os alunos com esse transtorno longe de janelas e portas, pois esses elementos são facilitadores de dispersão; d) ter um número reduzido de alunos em sala de aula.

Essas sugestões não têm por objetivo defender a criança de todos os estímulos, mas sim, na medida do possível, criar um ambiente onde ela possa lidar corretamente com um número limitado de estímulos.

Outros procedimentos da escola são: ter atividades de ginástica que exijam coordenação de movimentos; tornar-se um local de apoio à família e à criança, para que elas se sintam integrantes da comunidade escolar, apoiadas para os tratamentos necessários e respeitadas na sua diferença.

Quanto ao prognóstico a psicóloga Arlete Petry (1999) comenta que as manifestações da TDAH em geral, não desaparecem com a idade, gerando um adulto em circunstâncias pouco favoráveis. Assim, certos pacientes desistem da escola ainda em tenra idade e, inclusive, podem até se dedicar a atividades anti-sociais. Com o tratamento que, em geral, é demorado e caro, o prognóstico é, na maioria das vezes excelente.

Indisciplina da Classe

Uma das dificuldades mais comuns enfrentadas pelo professor é o que se costuma dizer ”controle de disciplina”. Dizendo assim, dá a impressão de que existe uma chave milagrosa que o professor manipula para manter a disciplina. Não é assim. A disciplina da classe está diretamente ligada ao estilo da prática docente, ou seja, a autoridade do professor, mais os alunos darão valor às suas exigências.

A autoridade profissional se manifesta do domínio da matéria que ensina e dos métodos e procedimentos de ensino, no tato em lidar com a classe e com as diferenças individuais, na capacidade de controlar e avaliar o trabalho dos alunos e o trabalho docente.

Segundo Libâneo (2001), a autoridade moral é o conjunto das qualidades de personalidade do professor: sua dedicação profissional, sensibilidade, senso de justiça, traços de caráter.

Crianças excessivamente inquietas, agitadas, com tendência à agressividade, que se destacam do grupo pela dificuldade de aceitar e cumprir as normas, ás vezes, não conseguindo produzir o esperado para sua idade, representam um desafio constante para suas famílias e a escola.

Certa dose de teimosia é normal em toda criança e faz parte do processo evolutivo infantil. Porém, quando teimar, enfrentar e desafiar tornam-se hábito persistente e exacerbado no cotidiano da criança, acompanhado de atitudes agressivas, isso sugere um distúrbio-sinal de alguma coisa não está funcionando bem na sua relação com os pais, com ela mesma e com o mundo, e as causas devem ser buscadas.

Acredito que o primeiro passo da família ou do professor seria observar se esse estado de agressividade ou hiperatividade se instale de forma permanente ou se é um estado temporário (circunstancial) e se a criança apresenta, em casa, dificuldades em se relacionar, falar, expressar emoções, entre outras. Depois, observar como ela brinca, se persiste nas atividades se brinca mais sozinha ou com outras crianças. É preciso refletir, também, sobre o clima familiar, sendo o que está sendo exigido da criança e sobre a capacidade de tolerância dos adultos para com as atitudes dela.

Muitas vezes, o comportamento da criança pode ser confundido ou interpretado, por adultos desavisados como teimosia. No entanto, esse é o modo dela expressar sua curiosidade, sua ânsia por experimentar sensações e situações novas (desafios), não conseguindo conter sua ansiedade. Vale considerar que cada criança reage de acordo com sua personalidade.

Cardoso (1998), relata que caso seja constatada uma conduta acentuada e permanente, cabe além dessa simples observação, buscar um entendimento mais profundo de seu significado, através da consulta de um especialista, com o objetivo de investigar se essa conduta possui uma causa orgânica, de fundo físico, o que sugere um tratamento neurológico e ou/ psicológico, ou se é uma influência do meio em que a criança vive. A teimosia e a ausência de limites podem estar mascarando uma insatisfação da criança com seu meio ambiente e um desejo de mudá-lo; pode ser um protesto contra os pais ou contra as relações conflitivas entre ele, e mesmo, encobrir uma carência afetiva (necessidade de ser notada).

Nunca é demais lembrar que não existe uma resposta pronta, uma solução rápida, uma receita mágica que se ajuste a todos os casos e a todas as crianças, porque a ausência de limites é apenas um sintoma que esconde o verdadeiro problema. O adulto primeiro tem que descobrir o significado (aquilo que a criança está manifestando através do sintoma) para depois ir a busca da abertura de um canal de comunicação que lhe permita lidar com ela, vincular-se afetivamente a ela. Para que isso aconteça, é muito importante conhecer a criança, sua realidade social, percebê-la e ouvi-la (linguagem verbal e não-verbal). Com um olhar e uma escuta também afetivos.

Com efeito, precisamos nos perguntar o que significa estabelecer limite? O que deve ser proibido e o que deve ser permitido? Quando uma conduta deve ser tolerada? Até que ponto o adulto não está impedindo a autonomia da criança, quando coloca um limite, uma norma? Não estará ele limitando a criança, enquanto sujeito da própria história?

Acredito que o estabelecimento de limites é algo indispensável para a formação de personalidade infantil, pois isto significa dar a noção de realidade à criança. Mas essa noção deve ser oportunizada com uma boa dose de sensibilidade e bom senso e, às vezes, até tolerância, para não cair no terreno dos excessos. É importante que o adulto estabeleça limites na medida certa e no momento certo, pois o excesso de negativas é prejudicial à formação e ao desenvolvimento da criança, porque pode vir a tolher sua expansão motora, sua capacidade criativa e o exercício de sua maneira peculiar de lidar (e desafiar) o mundo.

A psicóloga Simone Muller Cardoso (1998), comenta que por outro lado, o excesso de tolerância também o é. A frouxidão de compromissos não permite à criança o desenvolvimento do senso crítico e a superação do egocentrismo e, ainda, sugere a indiferença por parte dos adultos. Oferecer ampla autonomia pode ser sinal de falta de interesse e/ou preocupação para com a criança.

Entendo que a criança precisa compreender seus limites da sua independência e também ter a sensação de a segurança de que os adultos (pais e professores) estarão sempre disponíveis para ajudá-la a situar-se, podendo oferecer referenciais, modelos. É importante considerar que todas as pessoas que estão em contato com a criança estão servindo de padrão de identificação. Percebe-se, contudo, que muitos educadores não servem de modelo significativo de identificação para suas crianças: ou porque se sentem inaptos para educar, pois não possuem conhecimento e habilidades e, por isso, não demonstram firmeza em seus propósitos, ou porque temem exercer autoridade (super protegem a criança), ou até, porque não, ajustam seus conhecimentos e experiências à faixa etária da criança. Isso quer dizer: não possuem entendimento sobre o desenvolvimento infantil, fazem exigências que as crianças não estão aptas a cumprir.

A autora Simone Cardoso (1998), ainda enfatiza que se deve pensar que o conceito de autoridade é diferente do conceito de autoritarismo. Enquanto a autoridade é indispensável para que a criança perceba seus pais e professores como figuras fortes de apoio e identificação, internalizando-os de forma positiva, como adultos capazes de auxiliá-la a controlar seus impulsos destrutivos sem se sentir humilhada e com baixa auto-estima, o autoritarismo usa de promessas e ameaças para impor, à força, um tipo de comportamento à criança.

O ideal seria o adulto criar as normas junto com a criança e as sanções ao não cumprimento destas normas. Além de comprometê-la, responsabiliza-a pelas conseqüências de seus atos, caso não as cumpra. É importante que ela possa cumprir a norma ou deixar de participar da tarefa até que esteja se sentindo apta a isso. Assim, o adulto a está auxiliando a tomar consciência das conseqüências de suas atitudes. Não se trata apenas de suprimir um comportamento indesejável (indução pelo medo, ou pela imposição), mas de difundir a adesão ao comportamento desejado.

Não se trata de colocar limites à afetividade (nos sentimentos da criança), mas na forma de expressá-la, sem, com isso, dar adjetivos à criança, referindo-se ao seu caráter. Trata-se de descrever o comportamento específico inaceitável e os sentimentos do adulto a respeito dele. Deve-se cuidar para não usar chantagem emocional com a criança.

Conforme observa o psicanalista Gilberto Safra (apud, CARDOSO 1998) o uso freqüente desse recurso para sensibilizar a criança faz com que ela pense que tudo o que faz não é bom. Mais: ela se culpará por provocar dor em quem mais ama.

Os psicólogos Gottman e Declaire (1997), no seu livro: “A inteligência Emocional e a Arte de Educar Nossos Filhos”, falam a respeito da expressão dos sentimentos da criança, eles argumentam que o importante é que ela aprenda e os seus sentimentos não são um problema, mas o mau comportamento, sim é um problemão.

Os autores oferecem algumas sugestões aos adultos, tais como: a) tentar perceber a emoção da criança e ajudá-la a entender o que está sentindo; b) levar a sério os sentimentos da criança; c) auxiliar a criança a nomear e verbalizar suas emoções, utilizando palavras que ajudem a identificar o que sente; os sentimentos negativos se dissipam quando a criança fala sobre suas emoções, dá nome a elas e se sente compreendida.

Outras sugestões para os pais e professores: a) o adulto deve apontar à criança o seu excesso. Sempre que a criança está se excedendo, deve chamá-la para um ambiente reservado, onde possa se acalmar e relaxar. Depois de mais calma, conversar com ela sobre o seu comportamento, mostrando que o mesmo a está prejudicando. Uma conversa franca e aberta é mais eficiente, às vezes, do que uma punição; b) distinguir o que faz parte da personalidade da criança (da sua maneira de ser) daquilo que seria ausência de limites. Em síntese: conhecer a criança e seu funcionamento; c) não ceder aos apelos da criança, não estimular a discussão nem demonstrar autoritarismo excessivo. Ser firme e enérgico sem ser agressivo ou usar de força física. Não fazer ameaças (principalmente se não cumpri-las) e não apelar para os gritos; d) é importante o adulto não perder o autocontrole diante da criança, mostrando-se seguro e confiante, e não tecer muitas justificativas a respeito da negativa, porque isso aumenta a ansiedade da criança; e) ir a busca das causas; se for o caso, buscar orientação de um especialista.

Com toda a teoria que busquei entender nas referências bibliográficas, consegui ter uma noção sobre o tema que quero a seguir trabalhar com os alunos, para então verificar se esses alunos apresentam problemas de TDAH.

Metodologia

A minha pesquisa foi quantitativa, devido ao estudo de caso que realizei para analisar o percentil de TDAH dos alunos. Algumas crianças vivem no mundo da lua, outras parecem plugadas na tomada, por esse motivo e por escutar queixas de uma professora da primeira série de uma escola municipal, procurei pesquisar sobre esse assunto para poder ajudá-la e poder buscar novas informações sobre o assunto que hoje está em alta nos bancos escolares, pois, alunos agitados e desatentos sempre causam muita preocupação, por isso é preciso observá-los atentamente.

Mas não basta apenas observá-las. É preciso apossar-se de instrumentos que de fato indiquem se há algum transtorno nessas crianças.

Optei então, pela escala da autora Edyleine Benczik (2000), na qual pudemos avaliar: Déficit de Atenção; Hiperatividade/ Impulsividade; Problemas de Aprendizagem e Comportamento Anti-social. A escala é composta de perguntas positivas e negativas relacionadas com cada item acima citado.

Foram avaliadas pela escala, seis crianças, sendo três meninas e três meninos, ambas com sete anos de idade e estudam em uma Escola Municipal. Seus nomes são fictícios para preservar a identidade dos alunos. A queixa da professora é de que todos são agitados e apresenta dificuldades de atenção/ concentração.

Depois de respondido pela professora, somei os pontos e conferi na tabela geral, e em seguida na classificação de percentis, a qual nos diz que se o percentil for até 25 pontos, o aluno está abaixo da expectativa, apresenta menos problemas que a maioria das crianças. Se for de 26 a 75, o aluno encontra-se na média ou dentro da expectativa. Quando o resultado superar 76 a 94, está acima da expectativa, o aluno apresenta mais problemas que a maioria das crianças. Se ultrapassar a 95 percentis, há maior probabilidade de apresentar o transtorno.

Convêm lembrar que só o psicólogo pode fazer uma avaliação precisa sobre os alunos. Porém essa pesquisa foi orientada por uma profissional, a qual comenta que se deve advertir o professor quanto à leitura apurada e cuidadosa dos itens porque estes estão dispostos de maneira diferente, sendo os itens negativos e os positivos ao TDAH.

Outro cuidado, ainda a ser tomado, é que o professor deverá conhecer o aluno por pelo menos seis semanas. Dessa forma, evita-se uma observação inadequada da criança. Caso o aluno tenha mais de um professor, pede-se a todos os professores que preencham a escala, assim o psicólogo poderá compreender melhor quem entende a conduta da criança como problemática e se há ou não consenso de opiniões.

Outro fato é de que, quem deve corrigir a escala é o psicólogo e não o professor. Ao professor cabe apenas o preenchimento correto da escala, mediante uma observação minuciosa. Ao psicólogo cabe orientar o professor quanto às instruções de preenchimento correto da escala, a correção e a análise dos resultados.

Benczik (2000), autora da escala comenta que os itens estão dispostos na escala em quatro áreas para facilitar e proporcionar uma compreensão mais detalhada das áreas em que a criança apresenta dificuldades e em que intensidade isso ocorre. Depois de somado os pontos o avaliador pode conferir na tabela geral, ou quando quer obter um resultado mais preciso pode recorrer à tabela de crianças que estudam em escolas públicas ou particulares, ou ainda se for do sexo masculino ou feminino. A margem de diferença é mínima. (Tabelas em anexo).

Ela enfatiza que a medida quantitativa permite ao profissional maior confiança para análise dos dados e do quadro sintomatológico detectado, porém é importante que se faça também uma avaliação qualitativa dos comportamentos apresentados no ambiente escolar.

Resultados e Discussão

O meu estudo com as crianças, iniciou com a tabela de verificação por parte da professora. Com essa tabela verifiquei se os alunos apresentam ou não dificuldades ou transtornos. Logo após, realizei uma observação rápida na sala de aula, para confirmar o diagnóstico. Em seguida trabalhei com os alunos na hora atividade, retirando-os da sala para trabalhar atividades diferentes os costumeiros da sala de aula. Após, coloco os resultados e discussões sobre o trabalho realizado com os educandos nesses dias.

Conforme escala da tabela geral de TDAH-versão professores (em anexo), usei as siglas: DA-Déficit de atenção; H I-Hiperatividade e Impulsividade; PA-Problemas de Aprendizagem e CS- Comportamento Anti- social. O resultado foi o seguinte:

Conforme a figura 1, a aluna Kelly a apresentou déficit de atenção com um percentil de 75, isto quer dizer que ela está na média ou dentro da expectativa. No que diz respeito a hiperatividade/impulsividade o resultado foi de 95 percentil. Neste caso, há maior probabilidades da aluna apresentar o transtorno. Quanto a problemas de aprendizagem a aluna não apresenta dificuldades. Em se tratando do comportamento anti-social, ela está dentro da média.

No caso de Ruth, conforme (Figura 2), o percentil de déficit de atenção obteve um resultado de 90, portanto ela pode apresentar mais problemas que a maioria das crianças. No que tange a hiperatividade/impulsividade alcançou um percentil de 90. Com esse resultado essa aluna também pode apresentar mais problemas que as outras crianças. Ela apresenta dificuldades em relação à aprendizagem. Quanto ao comportamento parece não apresentar problemas com os colegas e a professora.

A aluna Deisi, conforme (Figura 3), obteve um percentil de 95 na área de déficit de atenção. Esse dado indica que essa criança apresenta um quadro severo de desatenção, com grande possibilidade de transtorno. Quanto a hiperatividade/impulsividade, Deisi apresenta sintomas em uma intensidade preocupante (percentil=90). Também em relação à aprendizagem enfrenta dificuldades. No comportamento social a aluna apresenta muitas dificuldades em se relacionar com os colegas e a professora.

O aluno Allan, como mostra a (Figura 4), só apresentou um percentil que chama atenção no caso da hiperatividade/impulsividade, o qual atingiu o percentil de 90. Dessa forma o aluno pode apresentar mais problemas que a maioria das crianças.

Conforme (Figura 5) na área de déficit de atenção o aluno Ivan, pode apresentar maior problemas que os outros alunos. Quanto a hiperatividade também chama a tenção com o (percentil=95). Em relação à aprendizagem e ao comportamento social, o aluno está dentro da expectativa de sua idade.

Na amostra da (Figura 6) o Rui apresenta maior probabilidade de apresentar problemas de desatenção, pois, atingiu um percentil de 95. Em relação a hiperatividade/impulsividade, está acima da expectativa, com isso apresenta maior problemas que a maioria das crianças. Quanto à área da aprendizagem Allan está com sérias dificuldades, precisa de mais ajuda. O comportamento social está dentro da média esperada.

Benczik (2000), autora da escala, nos lembra que só o uso dessa escala não permite-nos um diagnóstico completo. Os dados obtidos tornam-se apenas um dos dados da avaliação psicológica.

Esses resultados obtidos refletem a opinião do professor sobre o comportamento da criança no ambiente escolar. Sabemos que o profissional deverá investigar pelo menos mais um contexto para auxiliar no diagnóstico para TDAH. Deve-se investigar os pais, por exemplo, se esses sintomas aparecem também na situação doméstica e em qual intensidade.

Depois de obter os resultados, retirei os alunos envolvidos na observação para verificar se eles apresentariam os problemas apresentados na sala de aula. Mediante essa escala trabalhei com essas crianças dias alternados em sala separada. Realizaram atividades como: pintura, jogos e dramatizações. Percebi que esses alunos precisam de um acompanhamento paralelo de atividades, pois estavam realizando uma atividade e já estavam pedindo o que iríamos fazer adiante.

Em relação ao tempo, o trabalho deve ser o mais curto possível, porque cansam facilmente. Eles se mostraram inquietos durante todas as atividades, pareciam estar elétricos.

Concordo com a consultora Iza Locatelli (apud, FURTADO 2004) quando ressalta que a principal característica dos alunos que possuem transtorno de déficit de atenção é a dificuldade de se concentrar, de manter o foco. “Eles não param quietos e são confusos na organização das idéias e dos trabalhos. Fogem das tarefas que exigem esforço mental e se esquecem de cumprir atividades diárias. Em sala de aula, causam a impressão de que não escutam uma palavra do que é dito, pois estão sempre dispersos, ‘no mundo da Lua’. Em geral passam de uma atividade a outra sem se concentrar em nenhuma delas – e sem terminá-las”.

Alunos que apresentam essa síndrome distraem-se com qualquer estímulo, como uma buzina de automóvel ou uma pessoa que passa. Em brincadeiras e jogos, não dão atenção às regras, se remexem na cadeira, falam demais e interrompem quem está falando. Enfim, estão sempre “a mil”. É comum esses estudantes serem excluídos do grupo e os professores perderem a paciência com eles. Por isso, não esperemos resolver o problema sozinho. Vamos precisar da ajuda dos pais, de um psicólogo, psicopedagogo, psiquiatra e de colegas mais experientes.

No primeiro momento trabalhei com desenho e pintura. Pedi a eles que desenhassem o que viesse a mente. Acredito que o ato de desenhar ou pintar é carregado de significados e reflete, para além do efeito visível, um retrato da criança, pois tudo o que ela desenha diz respeito a experiências anteriores em relação ao objeto de desenho.

Segundo Maria Aroeira (1996), o mundo visto sob seus olhos deixa entrever sonhos dúvidas e sentimentos. Por isso, quando observamos a produção artística de uma criança podemos perceber ali uma série de elementos indicativos de seu desenvolvimento emocional, intelectual, percentual e social.

No desenho pude observar que a maioria deles desenharam a natureza, casas, bem como desenhos repetitivos. Para a autora Maria, uma criança emocionalmente insegura está centrada na representação objetiva. Ao desenhar uma casa, não irá descrevê-la de maneira afetiva, designando-a como “minha casa” ou contando histórias que passam ali. Para essa criança, a casa é destituída de dimensão emocional; é apenas uma casa. Outro traço é quando a criança faz desenhos repetitivos de forma mecânica ela está fugindo da realidade. Ela cita Lowenfeld, o qual diz que sob a monotonia de desenhos repetitivos, sem quaisquer variações, a criança tem a sensação de segurança. (LOWENFELD, 1997).

Num segundo momento distribui jogos para que, em duplas escolhessem e brincassem. Conforme Piaget (apud, AROEIRA, 1996), o jogo facilita a apreensão da realidade e é muito mais um processo do que um produto. Por meio dele a criança percebe como se dão as relações humanas, pois explora e desenvolve noções sobre o mundo físico, estabelecendo novas cadeias de significados, e amplia sua percepção do real.

Wallon (apud, AROEIRA, 1996), coloca o jogo como uma forma de organizar o acaso, de superar repetições. No jogo a criança manifesta suas disponibilidades funcionais de modo efusivo e apaixonado, e experimenta diversas possibilidades de ação.

Segundo o autor Vygotsky, (AROEIRA, 1996), por sua vez, destaca que no jogo a criança encena a realidade utilizando regras de comportamento socialmente constituídas. Nessa situação, os objetos perdem sua força determinadora sobre o comportamento da criança; ela passa a agir independentemente daquilo que vê. Desse modo, está lidando com uma situação imaginaria na qual novos significados são associados aos objetos).

O jogo permite que se estabeleça regra. A regra surge da necessidade de jogar com alguém, da intenção de partilhar experiências, por isso implica relação com outra pessoa. Envolve, portanto, conteúdos e ações preestabelecidas que regularão a atividade.

Na dramatização trabalhei com fantoches de pessoas e animais. Os alunos escolheram e apresentaram espontaneamente sobre o que quisessem falar. Portanto, usei uma janela de teatro de fantoches. Percebi, com essa atividade que eles foram muito criativos e expressaram seus sentimentos em relação à escola, quanto à sala de aula e a vida cotidiana de suas casas. Contaram piadas e historias imaginada e ouvida por alguém.

Nesse trabalho observei que os alunos se mantinham ouvintes, mas interferiam no que o colega estava dizendo ou fazendo, davam opiniões para que realizasse do jeito deles e ficavam apressando o colega para chegar a vez deles apresentarem.

Segundo a autora Idalina Ladeira (1993), quando os bonecos são utilizados diretamente pelos alunos, tendo o professor apenas como guia e orientador, tornam-se valiosos auxiliares da ação pedagógica, pois desenvolve múltiplos aspectos educacionais, salientando-se os relativos a comunicação.

Para a criança, o boneco, de inicio, é um brinquedo, ela explora de todas as formas, satisfazendo o seu eu. Mais tarde, além da criação inteiramente livre, pode haver diálogos proporcionados por histórias lidas ou ouvidos. Também leva a descoberta das potencialidades da voz, devido à entonação da voz, devido a circunstancias vividas pelo personagem.

O teatro de bonecos educa a audição. Ensina a criança a prestar atenção ao mundo sonoro, a ouvir com interesse o que os outros falam, a perceber a beleza da música e do ritmo.

Ladeira e Caldas (1993), enfatizam que o teatro de bonecos pode revelar ao professor aspectos do desenvolvimento da criança que não são observados durante os trabalhos escolares tradicionais; a partir daí, conhecendo-a melhor o professor poderá proporcionar-lhe atividades educativas mais adequadas as suas possibilidades.

É importante lembrar que o teatro de bonecos desenvolve a aprendizagem de atitudes. Eles se colocam no lugar dos personagens, dão vazão aos seus impulsos, exprimem suas fobias e seus conflitos, vivem ativamente diversas situações, aliviam suas tensões, agem espontaneamente, pondo a mostra sua verdadeira personalidade ao fazer o boneco falar, cantar ou brigar. Elas se sentem valorizadas. Ganham consciência de suas possibilidades e de suas limitações. Podendo ser estimuladas pelo professor. Foi importante a realização dessas atividades para comprovar que a criança que apresenta um transtorno como o déficit de atenção, hiperatividade/impulsividade, problemas de aprendizagem ou comportamento anti-social, deve ser trabalhada com diferentes possibilidades de tarefas. O ideal seria com poucos alunos na sala para que o professor pudesse trabalhar com esses alunos mais individualmente. Enquanto não é possível ter esse indicativo acima citado o professor terá que buscar conhecimentos, apoio com pessoas especializadas para poder contribuir com seus alunos com déficit de atenção e hiperatividade.

Portanto, uma sala de aula eficiente para crianças desatentas deve ser organizada e estruturada. A estrutura supõe regras claras, um programa previsível e carteiras separadas. Os prêmios devem ser coerentes e freqüentes. Um programa de reforço baseado em ganho e perda deve ser parte integral do trabalho da classe. A avaliação do professor deve ser freqüente e imediata. Interrupções e pequenos incidentes têm menores conseqüências se ignorados. O material didático deve estar adequado à habilidade da criança. Estratégias cognitivas que facilitam a autocorreção, assim como melhoram o comportamento nas tarefas, devem ser ensinadas. As tarefas devem variar, mas continuar sendo interessantes para os alunos. Os horários de transição, bem como os intervalos e reuniões especiais, devem ser supervisionados. Pais e professores devem manter uma comunicação freqüente. Os professores também precisam estar atentos à qualidade de reforço negativo do seu comportamento. As expectativas devem ser adequadas ao nível de habilidade da criança e deve-se estar preparado para mudanças.

Os professores devem ter conhecimento do conflito incompetência x desobediência, e aprender a discriminar entre os dois tipos de problema. É preciso desenvolver um repertório de intervenções para poder atuar eficientemente no ambiente da sala de aula de uma criança com TDAH. Essas intervenções minimizam o impacto negativo do temperamento da criança. Um segundo repertório de intervenções deve ser desenvolvido para educar e melhorar as habilidades deficientes da criança com TDAH.

Sugestões para Intervenções do Professor

Segundo o autor San Goldstein4, há uma grande variedade de intervenções específicas que o professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH a se ajustar melhor à sala de aula: Proporcionar estrutura, organização e constância (exemplo: sempre a mesma arrumação das cadeiras ou carteiras, programas diários, regras claramente definidas); Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo. Encorajar freqüentemente, elogiar e ser afetuoso, porque essas crianças desanimam facilmente. Dar responsabilidades que elas possam cumprir faz com que se sintam necessárias e valorizadas. Começar com tarefas simples e gradualmente mudar para mais complexas.

Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de madeira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude. Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno, é necessário que o trabalho de aprendizagem em grupos pequenos venham favorecer oportunidades sociais. Com isso, grande parte das crianças com TDAH consegue melhores resultados acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de grupos pequenos. Comunicar-se com os pais, pois, geralmente, eles sabem o que funciona melhor para o seu filho. Ir devagar com o trabalho. Doze tarefas de 5 minutos cada uma traz melhores resultados do que duas tarefas de meia hora. Mudar o ritmo ou o tipo de tarefa com freqüência elimina a necessidade de ficar enfrentando a inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar a autopercepção.

Também o autor Goldstein, salienta a importância de favorecer oportunidades para movimentos monitorados, como uma ida à secretaria, levantar para apontar o lápis, levar um bilhete para o professor, regar as plantas ou dar de comer à mascote da classe. Adaptar suas expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH. Por exemplo, se o aluno tem um tempo de atenção muito curta, não esperar que ele se concentre em apenas uma tarefa durante todo o período da aula.

Para o autor é necessário efetuar recompensa dos esforços, a persistência e o comportamento bem sucedido ou bem planejado. Proporcionar exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. A avaliação freqüente sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante. Favorecer freqüente contato aluno/professor. Isto permite um “controle” extra sobre a criança com TDAH, ajuda-a a começar e continuar a tarefa, permite um auxílio adicional e mais significativo, além de possibilitar oportunidades de reforço positivo e incentivo para um comportamento mais adequado.

Segundo Goldstein, os limites devem ser claros e objetivos; ter uma atitude disciplinar equilibrada e proporcionar avaliação freqüente, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado. Assegurar que as instruções sejam claras, simples e dadas uma de cada vez, com um mínimo de distrações. Evitar segregar a criança que talvez precise de um canto isolado com biombo para diminuir o apelo das distrações; fazer do canto um lugar de recompensa para atividades bem feitas em vez de um lugar de castigo. Desenvolver um repertório de atividades físicas para a turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos.Estabelecer intervalos previsíveis de períodos sem trabalho que a criança pode ganhar como recompensa por esforço feito. Isso ajuda a aumentar o tempo da atenção concentrada e o controle da impulsividade através de um processo gradual de treinamento.

Será importante reparar se a criança se isola durante situações recreativas barulhentas. Isso pode ser um sinal de dificuldades de coordenação ou auditivas que exigem uma intervenção adicional. Preparar com antecedência a criança para as novas situações. Ela é muito sensível em relação às suas deficiências e facilmente se assusta ou se desencoraja.

Segundo o psicólogo Goldestein o desenvolvimento de métodos devem ser variados, utilizando apelos sensoriais diferentes (som, visão, tato) para ser bem sucedido ao ensinar uma criança com TDAH. No entanto, quando as novas experiências envolvem uma miríade de sensações (sons múltiplos, movimentos, emoções ou cores), esse aluno provavelmente irá precisar de tempo extra para completar sua tarefa. O professor não precisa ser mártir, basta reconhecer os limites da sua tolerância e modificar o programa da criança com TDAH até o ponto de se sentir confortável. O fato de fazer mais do que realmente quer fazer traz ressentimento e frustração.

Além disso, deverá permanecer em comunicação constante com o psicólogo ou orientador da escola. Ele é a melhor ligação entre a escola, os pais e o médico.

Diante de todos esses indicativos do autor fica evidenciado que o professor é o principal elemento norteador do processo de adaptação e construção do conhecimento do aluno em sala de aula. Dessa forma não será difícil conviver com alunos que apresentem o transtorno de TDAH.

O Papel da Psicopedagogia

Como vimos, a criança hiperativa, muitas vezes, pode estar atrasada, em termos de conteúdo teórico, quando comparada com as outras crianças da sua classe. Sabemos que os sintomas do TDAH, como a desatenção e a falta de autocontrole, podem promover dificuldades especificas na aprendizagem.

Conforme Edyleine (2002), o acompanhamento psicopedagógico é importante já que auxilia no trabalho, atuando diretamente sobre a dificuldade escolar apresentada pela criança, suprindo a defasagem, reforçando o conteúdo, possibilitando condições para que novas aprendizagens ocorram.

Com efeito, enfatiza que as técnicas mais utilizadas são os jogos de exercícios sensorio-motores, como a amarelinha, bola de gude ou de bolas, ou de combinações intelectuais, como damas, xadrez, carta, memória, quebra-cabeça, entre outros.

Os jogos com regras permitem a criança, além do desenvolvimento social quanto a limites, a participação, o saber ganhar, perder, o desenvolvimento cognitivo, e possibilita a oportunidade para a criança detectar onde está, o porquê e o tipo de erro que cometeu, tendo a chance de refazer, agora, de maneira correta.

Podem ser usadas técnicas que envolvam escritas, como escrever um livro e ilustrá-lo, pode despertar nela em criar algo seu e admirar seu trabalho final, podendo isso, ser estendido às lições em sala de aula.

Uma outra técnica é a de despertar na criança o gosto pela leitura, através de assuntos e temas de seu interesse e também aguçar a curiosidade por conhecer novos livros, revistas e gibis.

A utilização de contos de fadas e suas dramatizações podem ser um recurso a mais. Podem ser utilizados desde a fase do diagnóstico até a fase de intervenção educativa, adaptando-se as tarefas, em razão do nível de aprendizado em que a criança se encontra. Edyleine (2000), salienta que essa técnica permite ao psicopedagogo coletar tanto dados cognitivos quanto psicanalíticos.

Conclusão

Espero com este trabalho colaborar com todos aqueles setores da educação que enfrentam o desafio de construir experiências significativas para alunos com déficit de atenção e hiperatividade, mostrando a importância de conhecer e saber como intervir.

O aluno na maioria das vezes só é percebido que pode apresentar problemas na escola, porque para os pais ele é muito inteligente, por isso não para quieto e não aceita que seu filho pode ter TDAH.

Logo, vejo que, suspeitas de comportamentos acontecidos de forma rotineira devem ser avaliadas por equipes multidisciplinares, não com o objetivo de punir, mas de acompanhar e ajudar. Essas equipes costumeiramente são compostas de profissionais que farão com que as pessoas envolvidas sintam-se acolhidas e não investigadas.

Todo esse cuidado também não significa que o problema realmente exista, apenas relaciona possibilidades que com essa conduta podem melhorar ou descartar a reclamação - problema. Além de levar ao reclamante mais informações ou sugestões mais agradáveis.

O professor pode tomar a iniciativa e pesquisar primeiro para depois que registrar com cuidado, notificar as pessoas diretamente interessadas entregando-lhes seu registro como um documento de observação, deixando um espaço aberto ao acompanhante e o diálogo com a impressão de apoio e não de julgamento ou rótulo.

A partir da observação dos alunos, percebi que eles precisam de atenção especial por parte do educando, o qual possa trabalhar com atividades diversificadas que preencham o seu tempo e que os mesmos criem regras a serem seguidas, bem como as punições se não o fizerem.

Penso que a presença de professores compreensivos e que dominem o conhecimento a respeito do transtorno, a disponibilidade de sistemas de apoio e oportunidades para se engajar em atividades que conduzem ao sucesso na sala de aula são imperativas para que um aluno com TDAH possa desenvolver todo o seu potencial.

Porém, a formação de um educador é um processo e não um fim. O mundo é muito vasto, muito já se pensou, escreveu e criou em diferentes áreas do conhecimento. Não há limites para a leitura, a pesquisa e a reflexão. No espaço que dispunha, apenas busquei entender o que é a hiperatividade e como separar de outros problemas pesquisei bibliografias e profissionais especializados que indicaram caminhos a serem seguidos.

Fica então uma sugestão para pesquisa; como chegar próximo do mundo misterioso e simbólico da criança? Conseguimos captar, aprender a alma da criança? Como fazer isso? Como voltar o olhar, a observação das imagens que a criança traz e da sua percepção?


Para aqueles que desejam continuar refletindo, pesquisando, trilhando enfim caminhos para sua formação, deixo uma reflexão, pois, nós educadores, costumamos abraçar a teoria que nos dá apoio e temos dificuldades de olhar para dentro de nós mesmos e para as crianças com as quais convivemos diariamente, não as crianças dos livros das teorias, mas aquelas de carne, osso e alma que vêm a nós, que nos escolheram para aprender alguma coisa e para ensinar-nos outras tantas lições se pudermos ouvi-las. Fica aqui uma fala do psicólogo Herbert de Souza, para que ela nos faça repensar a nossa prática educativa. “Se não vejo na criança uma criança, é porque alguém a violentou antes e o que eu vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado”.

4 Psicólogo, diretor do centro de neurologia, aprendizagem e comportamento em Salt, Lacke, City, Utar, USA, autor de inúmeros livros sobre TDAH

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Neiva Terezinha Chaves Leite: Graduada em Pedagogia e Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela FACIAP/UNIPAN de Cascavel –Pr. E-mail: neivaleite@pop.com.br

Josiane Peres Ferreira: Doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS – Início: 2006. Mestre em Psicologia Social e Personalidade pela PUCRS – Conclusão: 2002. Especialista em Orientação Educacional (2000) e Graduada em Pedagogia (1998) pela UNIPAR de Umuarama-Pr. Coordenadora do Curso de Pedagogia da FACIAP/UNIPAN de Cascavel-Pr desde 2005. Professora do Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional da FACIAP e orientadora do Artigo.