Stress - Distúrbio Emocional Prejudicial à Saúde

Autora: Josiane Peres G. Alves Ferreira & Sandra Maria Zavodini

RESUMO

O presente trabalho tem como principais objetivos à compreensão de como o adulto ou criança se sentem quando se encontram num estado de stress prejudicial, suas causas conseqüências e maneiras positivas de evitar o stress, bem como buscar despertar no leitor o interesse e o conhecimento pelo autodiagnóstico de seu estado emocional e físico, para que através de conhecimentos básicos possa estar dispondo entre outros meios de sua própria ajuda para melhorar seu stress, e assim conviver com satisfação consigo mesmo e com outras pessoas nos mais variados ambientes. Num segundo momento será enfocado o tema stress na vida da criança, procurando ampliar a visão de pais e professores em relação à saúde mental e emocional da criança, bem como suas contribuições para evitar que a criança se estresse. Utilizamos para este fim, algumas referências bibliográficas, artigos e revistas, onde vários autores entre eles psicólogos e psiquiatras abordam temas relacionados ao stress, contribuindo assim para o desenvolvimento deste artigo.

Introdução

Muitos estudos vêm sendo realizados na área da saúde, e nos últimos tempos pode-se perceber o avanço em pesquisas relacionadas com o mental, emocional e comportamental, ou seja, o psicológico dos indivíduos. Percebe-se que as pessoas estão apresentando sérios problemas de relacionamento consigo próprio e principalmente com os que se encontram ao redor, como família, amigos e companheiros de trabalho. No entanto tal preocupação não está sendo maior somente por parte dos médicos e psicólogos, mas também da população em geral que se depara com pessoas que sofrem de algum distúrbio emocional ou distúrbio de comportamento dentro da própria família.

Quando se fala em problemas voltados ao emocional, comportamental e psicológico, existem muitos tabus, algumas pessoas não reconhecem tais distúrbios como algo que precisa ser tratado e que necessita de acompanhamento médico, onde esse servirá de apoio para que o paciente possa enfrentar as situações de desagrado emocional de uma forma mais tranqüila e equilibrada.

Algumas das doenças emocionais que mais estão afetando as pessoas são, a depressão o stress e a ansiedade. Alguns fatores como: a correria do dia a dia, a instabilidade econômica do país, a falta de segurança entre outras, contribuem para o aparecimento de insegurança, ocasionando os desconfortos emocionais.

Como os distúrbios emocionais são muitos, vamos nos deter nesse artigo ao stress, que é o distúrbio emocional mais comum nos dias atuais, mas que ainda não está sendo tratado de maneira adequada, na maioria das vezes por falta de informações e ou instruções, as pessoas sofrem, por não entenderem o que se está passando com o seu emocional, acarretando assim problemas físicos.

Geralmente o Stress se manifesta devido a uma carga excessiva de estímulos estressantes, ou seja, situações angustiantes que o indivíduo passou ou está passando, como a morte de alguém importante, o término de um relacionamento, eventos estressantes, onde se enquadram viagens, casamentos, mudança de cidade ou país, situação financeira, doenças ou a simples dificuldade de encarar o dia a dia, e de se adaptar no meio social (Lipp, et al, 1998).

Observa-se que para uma pessoa estar estressada não são necessárias somente situações tristes, mas como também situações alegres e felizes. Segundo Néri (2004), uma das causas do stress é a pressão que está nos ambientes, entre eles, trabalho, família, escola, e meio social em geral, esta pressão, essa exigência, faz com que o indivíduo entre em conflito consigo próprio, aumentando o stress existente em seu organismo.

São várias circunstâncias que podem desencadear num quadro de stress, e se não for identificado a tempo pode ter graves conseqüências, pois o indivíduo estressado desencadeia vários problemas psicológicos e físicos, que poderá se não for tratado com seriedade levar o mesmo a um enfarto ou a um suicídio, principalmente pelo quadro depressivo que acompanha o stress.

Não somente adultos, mas também as crianças são alvo de desconfortos emocionais e entre eles o stress, que tem sérios efeitos e uma grande repercussão na vida da criança, sendo prejudicial no desempenho escolar, como também nos relacionamentos com professores, colegas e a família. Enfim tanto para o adulto como para a criança o quadro de stress e angustia é bastante prejudicial, sendo que praticamente a criança não desenvolve mais suas atividades diárias com satisfação e entusiasmo.

Sendo assim no decorrer deste trabalho enfocaremos na primeira parte questões como: O que é stress, os sintomas e conseqüências e algumas medidas para combater o mesmo; e na segunda parte discutiremos com mais ênfase o stress em crianças, alguns motivos que levam as crianças estarem estressadas e como a família e a escola/professor podem evitar que a criança se estresse.

Stress: Sintomas, Conseqüências e Medidas Para Combatê-lo

Inicialmente abordaremos neste trabalho questões relacionadas à definição de stress, assim como várias causas e conseqüências que levam o indivíduo a desenvolver em seu organismo um stress prejudicial a sua saúde mental e física e ainda enfocaremos diversas medidas/maneiras que podem ajudar a pessoa a evitar ou combater o stress.

Desde os tempos antigos o ser humano é exigido por si próprio e por outras pessoas, para que desenvolva e apresente de forma satisfatória suas atividades, seus comportamentos, suas atitudes, enfim em todo meio social que o individuo participa deve demonstrar equilíbrio e satisfação em suas ações. À medida que vai exigindo, cobrando, a pessoa em muitas situações se sente pressionada a dar uma resposta de comportamento ou atitude que não está preparada emocionalmente ou fisicamente para fazê-la, assim o organismo reage negativamente, produzindo grande quantidade de adrenalina que afeta principalmente o aparelho circulatório, respiratório e digestivo.

Para Lipp, et al (1998, p. 19-20) o stress é:

[…] um desgaste geral do organismo. O desgaste é causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se vê forçada a enfrentar uma situação que, de um modo ou de outro a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo a faça imensamente feliz. Qualquer situação que desperte uma emoção forte, boa ou má, que exija mudança, é um estressor, isto é, uma fonte de stress.

Partindo do princípio que o stress se manifesta de maneiras diferentes em cada pessoa, e que cada indivíduo tem sua tolerância devido ao fator genético, personalidade, resistência emocional e física, de acordo com a citação acima, percebe-se que o organismo, o emocional e o físico necessitam estar em devido equilíbrio para que a pessoa possa estar bem, mas a partir do momento que ocorre qualquer situação em que a pessoa se sinta em conflito consigo própria sem saber como resolver a situação que lhe está sendo apresentada, ou que sinta angustia, medo por não saber como que a situação atual estará no futuro, ou se ela é capaz ou não de tomar resoluções corretas mediante a determinados assuntos sejam eles bons ou maus, esses conflitos internos de desespero, incertezas, medos, etc., provocam um stress negativo, ou seja, algo que o próprio organismo não tem controle, pois o mesmo fica em alerta o tempo todo, pronto para agir ou fugir, essas reações/respostas manifestam-se através de doenças físicas e/ou emocionais. Sendo assim o stress surge quando à quantidade de exigências e tensões que o indivíduo sofre são maiores que a resistência que a pessoa dispõe.

Como afirmam alguns autores é visto que não são diretamente as situações que causam o stress prejudicial, mas sim como cada indivíduo interpreta cada situação e que reação tem mediante as dificuldades e aos prazeres que se apresenta na vida de cada um.

Quanto aos sintomas e conseqüências do stress, é possível afirmar que o indivíduo que está vivenciando um grau de stress prejudicial à sua saúde apresenta no decorrer da evolução do stress sintomas e reações, tanto fisiológicos como emocionais os quais se manifestam conforme apresentados na figura 1.


Verificamos através dos sintomas descritos acima que o indivíduo que se encontra num estado de stress está vulnerável a apresentar sérios problemas de saúde, tanto emocionais quanto físicos, devido ao desencadeamento de sintomas negativos, a tendência é isolar-se devido à perseguição psicológica que sofre, assim como dificultar a convivência com as demais pessoas que se encontram ao redor. Pois pelo fato das reações de irritabilidade, tensão, pressão, a pessoa sente dificuldade nos relacionamentos, sendo que para ela tudo e todos “irritam”, prejudicando o relacionamento pessoal e interpessoal.

Assim também os sintomas físicos atrapalham e muito o desempenho e as atividades diárias do indivíduo, sua atenção se volta as dores, desconfortos, cansaços, diminuindo assim seu ritmo e capacidade de manter uma vida equilibrada e saudável.

É visto que os sintomas e reações variam de uma pessoa para outra, alguns apresentam uma quantidade maior de sintomas e outras menores, de qualquer forma esses sintomas, se não forem identificados como prejudiciais a saúde e em seguida procurar ajuda, poderá desencadear em doenças ainda mais graves.

Conforme nos apresenta Lipp, et al (1998), quando o indivíduo se depara com certas situações difíceis/ameaçadoras, o organismo fica em estado de alerta, pois de certa forma seu equilíbrio é abalado, e precisa ser recuperado, e para que haja novamente o equilíbrio o organismo passa por uma adaptação que vai desgastá-lo ou estressá-lo.

Toda vez que o organismo sofre um desequilíbrio interno, seja devido ao preparo para a luta ou por outra razão, a pessoa tenta automaticamente recuperá-lo através de uma adaptação. Sempre que isso ocorre, a energia adaptativa é utilizada. A energia adaptativa de cada pessoa é limitada; por isto é que quando o desequilíbrio é crônico ou intenso e grande parte da energia adaptativa da pessoa é utilizada, um desgaste físico e/ou mental ocorre gerando envelhecimento precoce, uma série de doenças e até a morte (LIPP et al, 1998, p. 27).

Hoje em dia, apesar do stress ser comum entre as pessoas, devido principalmente à pressão psicológica de exigências que o indivíduo sofre, ainda muitos não conseguem identificar o que acontece com seu corpo e com sua mente, como também não sabem analisar/avaliar se seu stress está num estado prejudicial, desta maneira muitas pessoas padecem por falta de informações e de auto conhecimento sobre seu organismo. Sendo assim o organismo depois de muitos desgastes às vezes desnecessários, pede socorro através dos diversos sintomas e diversas reações como já salientamos acima, são várias doenças emocionais que sobrecarregam a pessoa, assim como doenças físicas que se não forem tomadas às devidas providências, o indivíduo gradativamente sobrecarregará seu organismo com doenças sérias e crônicas que poderá levá-lo a morte.

Feita a análise sobre os sintomas e conseqüências do stress, passaremos a refletir sobre as formas de combater ou evitar o stress. Para a pessoa que já tem seus hábitos definidos, que já é acostumada perante determinadas situações, ter certas reações estressantes, é mais difícil encontrar maneiras de controlar seu stress, isso não significa que é impossível, mas é preciso ter consciência que o trabalho de auto-controle, exercícios, alimentação e terapias, acontecerá num processo mais lento e longo.

D’Andrea (2001) comenta que para Freud o ser humano traz em sua vida adulta muitas características da infância, assim como traumas e ocasiões decepcionantes, deprimentes, de rejeição etc., que ficam guardadas em seu subconsciente, e que na vida adulta se manifesta de várias maneiras, são situações que não foram bem resolvidas, que causaram dores, mágoas e que ficaram reprimidas. Portanto muitos dos problemas emocionais têm a ver com a genética, com a infância, enfim com a personalidade que a pessoa desenvolveu no decorrer de sua vida. O que não pode acontecer é que as pessoas aceitem e fiquem de braços cruzados mediante a situações que lhe fazem mal ou que as prejudiquem, sabemos que problemas todos nós temos, sejam pequenos ou grandes, mas que de qualquer forma devem ser resolvidos da melhor maneira possível sem causar grandes danos à saúde.

É mediante a essas dificuldades do dia-a-dia que muitas pessoas se perdem emocionalmente ficando estressadas, pois exigem demais de si próprias, principalmente as pessoas que tem características perfeccionistas e autoritárias que querem transformar o mundo e querem que tudo seja da maneira que elas acreditam que tem que ser, esses indivíduos são os que mais sofrem e mais apresentam problemas emocionais. Sabemos que é impossível que as situações da vida aconteçam em perfeita harmonia, o ser humano é passível de erros, e uma pessoa pensa, age e vive diferentemente das outras.

Num primeiro momento para se evitar um grau de stress que prejudique o dia-a-dia, é a pessoa aceitar-se assim como ela é, e principalmente aceitar as outras pessoas que fazem parte da sua vida, como a família, os amigos, o esposo/esposa, os companheiros de trabalho, aceitar que cada pessoa tem sua opinião e que ninguém é obrigado a fazer nada porque alguém acha que é correto, as atitudes de cada um deve ser a partir da sua estrutura emocional, pois cada pessoa precisa saber o que é bom ou não para si, por isso ninguém pode obrigar a ninguém a ser o que a outra pessoa quer que o outro seja.

A partir do momento que a pessoa se aceita e aprende a aceitar o próximo, sua carga de exigências se torna mais leve, e tem condições de estar revendo suas atitudes, crenças, ações, valores, e interpretações das situações que lhe são apresentadas no dia-a-dia, ou seja, terá mais condições de selecionar o que é bom para sua vida.

Momentos estressantes sempre farão parte da vida das pessoas, sejam momentos bons que proporcionem satisfação, ou sejam eles ruins e difíceis, o importante a partir de informações e auto-conhecimento é saber como agir e lidar com essas situações para que o organismo não entre em conflito causando várias doenças. É importante que o indivíduo aprenda através de terapias e/ou exercícios a se controlar emocionalmente e a procurar manter-se em equilíbrio nos momentos que lhe pareça que as situações estão lhe ameaçando.

De qualquer forma são várias as maneiras para tentar aliviar o stress e até mesmo prevenir, podemos destacar: uma boa caminhada, um banho quente e demorado pela manhã, à busca da auto-estima, reeducação alimentar, exercícios anti-stress, amor próprio, para quem for cristão conversar e buscar a DEUS, conversar com os amigos, ter momentos de lazer com a família, auto-controle “quando possível”, evitar bebidas alcoólicas e cigarros, colocar músicas orquestradas ou qualquer outra da preferência, para relaxar (CICCO, 2004). Num grau mais avançado procurar ajuda médica, assim como tratamentos terapêuticos, como por exemplo: terapia em grupo, terapia familiar, Psicoterapia, Apoio e Aconselhamento, entre outras.

Através de todas essas maneiras de prevenção e combate do stress prejudicial, um outro ponto muito importante, é que a pessoa queira mudar e melhorar sua vida emocional e física, pois a partir do momento que não se quer mudar e buscar ajuda, ninguém poderá fazer nada para “salvá-la”.

O Stress Infantil

Nesta segunda parte do artigo enfocaremos o stress em crianças, percebendo assim alguns motivos que favorecem a criança estar estressada, e como a família e a escola (professores), podem contribuir e evitar que a criança fique estressada.

Tendo conhecimento do que é stress e sua repercussão no organismo do ser humano, vamos trazer essas situações para a criança, analisando o seu comportamento e relacionamento em seu dia-a-dia com a família, escola, amiguinhos, etc.

A criança tem sua estrutura cognitiva, motora, emocional, diferente do adulto, mas por sua vez têm suas emoções, dúvidas, aflições, angústias, e necessidades diversas, que podem conforme a estrutura genética e o ambiente em que vive transformar em algo estressante para a criança.

As crianças precisam de algumas condições básicas para viver e desenvolver-se de maneira adequada e equilibrada. Para que o indivíduo desenvolva sua parte emocional, intelectual, motora, afetiva, ele necessita crescer em um ambiente tranqüilo, no qual lhe ofereça necessidades básicas como alimentação adequada, carinho, paz, tranqüilidade, segurança, etc., é em primeiro lugar, essencialmente a família que deve oferecer e ou proporcionar esse ambiente adequado para o bom desenvolvimento/desempenho da criança, pois são essas “condições” que fazem diferença no desenvolvimento da criança e também fará na vida adulta.

É visto que muitas crianças não usufruem um ambiente adequado, gostoso e agradável, hoje em dia a maioria dos pais trabalha fora, tanto o pai como a mãe ficam ausentes do lar durante o dia inteiro, e quando chegam em casa a noite, os filhos estão sedentos de atenção, carinho, de disciplina, afeto e muitas outras necessidades que toda criança tem, mas por sua vez os pais chegam em casa cansados e exaustos, querendo apenas deitar num sofá e descansar, deixando de lado seu papel de pai que deve participar e interagir na vida da criança, digo de pai porque a maioria é assim, sendo que geralmente as mães mesmo que trabalham fora acabam se desdobrando em “dez” para tentar dar um pouco de atenção aos filhos, mas que na realidade esse pouco não é suficiente, pois cada vez mais as crianças estão sedentas principalmente de atenção e afeto.

Um outro aspecto negativo que atrapalha o bom desenvolvimento infantil são às brigas, as desestruturas familiares, como também pais que vão além em suas sandices como maltratar os filhos com pressões psicológicas/emocionais, palavras agressivas e destruidoras, como também espancamentos (esse muito mais grave que deve ser denunciado aos órgãos competentes).

Esses motivos apresentados são apenas alguns dentre os vários motivos que prejudicam o crescimento emocional e intelectual da criança, infelizmente essas crianças já desde pequenas são traumatizadas pelo ambiente em que vivem, como também são crianças estressadas, que apresentam vários sintomas nos quais esses pais não dão a devida atenção, como relata a Psicanalista Andreneide Dantas (2005, p. 5) “é muito comum que crianças com alguns sintomas não sejam ouvidas na infância pois seus pais, acredita-se que com o tempo passa; ou é só uma fase, quando se tornam adultos, começam as dificuldades de relacionamento, com o grupo de amigos, com drogas e no trabalho”. Além do quadro de stress, possivelmente essas crianças no futuro ficarão a mercê da marginalidade, prostituição e principalmente não acreditarão em sua própria capacidade de lutar ou correr atrás de seus sonhos e objetivos.

À grande maioria dos delinqüentes, dos “derrotados”, são conseqüência do que seus pais lhes proporcionaram na infância, tudo pode começar com sintomas de stress, mas que poderá desencadear doenças emocionais ainda mais sérias como depressões, neuroses, psicoses e assim por diante.

Sabemos que esses motivos descritos acima não estão nem um pouco longe da realidade, mas por sua vez, nos voltaremos a motivos que causam stress nas crianças menos severo e que geralmente passam despercebidos pelos pais, como: a dificuldade de se separar dos pais quando tem que ir para a escola, a convivência com os novos amigos, e o novo ambiente “a escola”, como também crianças sobrecarregadas com diversas atividades nas quais os pais acreditam estar fazendo bem aos filhos.

Assim como o adulto à criança apresenta quadros estressantes, geralmente situações novas nas quais ainda não tenha vivido são as mais angustiantes para a criança. O primeiro contato com a escola para alguns causa medo, angústia, insegurança, pois é um momento novo que a criança terá que enfrentar e se adaptar. Algumas crianças são muito apegadas aos pais, principalmente as super protegidas não conseguem se imaginar longe dos pais e sem sua proteção e defesa. Por isso quando chega a hora de começar a freqüentar a escola, choram, gritam e não querem nem saber de largar os seus pais por nenhum momento. Essa separação é estressante para a criança, pois tudo é novo, a segurança e proteção que tinha dos pais “acaba” e ela se sente completamente desprotegida e insegura, e só com o tempo ela começara a se adaptar ao novo ambiente e novo mundo.

De certa forma a criança deixa de ter a proteção dos pais e aos poucos vai buscando a proteção da professora e dos colegas que passam a ser mais um ponto de referência para a criança. Essa fase de adaptação é constrangedora para a maioria das crianças, algumas se acostumam logo, outras demoram mais, de qualquer forma a intervenção da professora nesta hora é muito importante, pois ela tem que ir conquistando as crianças para que elas percam o medo e a angustia, diminuindo assim o stress, e aos poucos a criança terá a escola como um ambiente gostoso e que satisfaz de certa forma suas expectativas.

A criança quando apresenta sintomas de stress, entre outros ela pode manifestar seu desconforto emocional de duas maneiras, ou ela fica quieta, num canto, fica diferente em suas atividades diárias, ou ela se torna agressiva e impulsiva, seus sintomas ficam bem parecidos com a da criança hiperativa.

O importante nesses momentos é principalmente os pais e posteriormente o professor estar atento às manifestações e reações que a criança apresenta, pois muitas vezes a criança está pedindo “socorro”, e os pais por falta de conhecimento acabam não dando a importância devida.

Um outro motivo que atualmente está esgotando e estressando as crianças, são as inúmeras atividades que os pais querem que seus filhos desenvolvam ainda no tempo de criança. Hoje em dia é muito comum principalmente nas grandes cidades onde a exigência do mercado de trabalho é maior, que os pais fazem de seus filhos “adultos em miniatura”, ou seja, as crianças deixam de viver sua infância, onde a brincadeira, o lúdico, a experiência com os colegas é muito importante para seu desenvolvimento, para entrarem, já desde pequenos num mundo de exigências, de hora marcada, de responsabilidades exageradas e assim por diante, pode-se dizer que muitas crianças estão “pulando”, “passando por cima”, da sua infância para se preparar com mais intensidade para a vida adulta, para o mercado de trabalho competitivo e capitalista do mundo atual.

As atividades excessivas que os pais oferecem as crianças, geralmente são para suprir a sua ausência devido a trabalhar fora ou qualquer outro motivo, no entanto a criança sente a falta de carinho e afeto de qualquer maneira, mesmo que sua agenda seja lotada com tantas atividades como: natação, balé, inglês, espanhol, piano, informática, teatro, aulas extras como a matemática e o português, e assim por diante, mesmo assim nada pode suprir a necessidade que a criança possui da convivência familiar, além do mais todas essas atividades acabam estressando a criança como também tirando sua liberdade de ser simplesmente “criança”.

Compactuamos nesse caso com Rezende (2003), que cita a fala do pediatra Salzman, “Exagero nas atividades esportivas e intelectuais podem logo, logo sinalizar sinais de esgotamento e de estresse. É preciso que os pais saibam que se as crianças não forem sadias, não serão adultos capazes de competir por coisa alguma”. É visto, no entanto que as crianças necessitam serem respeitadas segundo sua capacidade infantil, a criança tem que ter a liberdade de brincar, de descansar, para que seu desenvolvimento mental, intelectual, motor e físico se desenvolvam de maneira correta, proporcionando assim que sejam adultos equilibrados e capazes de interagir de maneira satisfatória no “mundo” no qual viverão. É engano dos pais acharem que muitas atividades fazem bem para a criança, ao contrário disso, percebe-se que o exagero causa esgotamento e stress.

Sendo assim os pais acabam por exigir demasiadamente da criança, querendo, no entanto, além de todas as atividades, que a criança seja sempre a melhor no que faz. Tem que ser melhor na escola, melhor nas competições, melhor no inglês, etc., com isso a criança acaba ficando estressada e imaginando/absorvendo, que ela só é importante para os pais quando apresenta nota alta, ou quando ganha as diversas competições das quais participa, acreditando que o amor é uma troca de favores, ou seja, se for bem na escola e etc., “meus pais me amarão”, com certeza é uma forma equivocada da criança entender esse amor, mas devido às pressões e exigências é assim que ela acaba interpretando. Rezende (2003) comenta que quando a criança não está bem, um dos sintomas mais aparente é ir mal na escola, ou seja, são encaminhadas para psicólogos como se tivessem problemas escolares, mas na realidade elas estão estressadas. Dando continuidade a essa idéia a autora cita a fala da psicopedagoga Nívia Basile, onde retrata bem essa questão do stress da criança. “A maioria delas está estressada e uma minoria tem dificuldade real no colégio”. Geralmente essa maioria na qual a psicopedagoga se refere são crianças que têm pais muito exigentes e que cobram dos seus filhos desempenhos anormais para a idade de cada um. “As crianças se sentem amadas somente pelo seu desempenho e acabam ficando revoltadas” (BASILE, apud REZENDE, 2003, p. 6).

Percebemos que muitas crianças que chegam aos consultórios psicológicos estão na maioria das vezes sobrecarregadas pelas exigências dos pais, um dos motivos é que devem ser melhores em tudo, outros motivos é o excesso de atividades que as crianças são de certa forma conduzidas a realizar sem um critério de controle mental e físico por parte dos pais, como também crianças revoltadas e magoadas pela demonstração equivocada de amor que alguns pais passam. Pois eles exigem tanto, que a criança acredita que só é amada se der algo em troca.

Contribuições da Família e da Escolar em Relação ao Stress Infantil

Conforme exposto no item anterior, é visto que principalmente nos dias atuais devido às diversas exigências que as crianças são submetidas, é comum que estas crianças apresentem sintomas de stress prejudicial à saúde. Partindo do principio que a família e a escola são o ponto central de equilíbrio da sociedade, é dever dos pais juntamente com a escola estar atentos a todas as manifestações, reações e pedidos de “socorro” das crianças, percebendo suas mudanças repentinas de hábito, como também dificuldades agravantes na escola.

Abordamos a questão familiar porque é na família e subseqüentemente na escola que a criança encontra o sustento/apoio para aos poucos ir construindo seu processo de desenvolvimento mental, psicológico, motor e físico.

Quando falamos no desenvolvimento da criança não podemos deixar de salientar a importância que tem o lúdico a brincadeira para criança, pois é através dos jogos, das brincadeiras que a criança desenvolve com mais eficácia o motor, o cognitivo, o físico e o emocional. A Psicopedagoga Maria do Rosário Silva de Souza, no seu artigo sobre A Importância do Lúdico no desenvolvimento da Criança, retrata essa questão quando aborda que: “O brinquedo é oportunidade de desenvolvimento. Brincando, a criança experimenta, descobre, inventa, aprende e confere habilidades. Além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração e atenção” (SOUZA, 2000, p.1).

É brincando que a criança se realiza, se desenvolve, se expressa, enfim o brincar proporciona a criança ser criativa, dinâmica e ajuda a construir sua sociabilidade, como também a brincadeira evita o stress na criança. É uma maneira de a criança crescer saudável e se tornar um adulto mentalmente equilibrado. “A ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do ser, é o espaço e o direito de toda criança para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos”. (SOUZA, 2000, p. 1).

A autora ressalta sobre a importância que os pais e os professores/educadores têm nesse processo de desenvolvimento da criança, pois estes não devem de forma alguma impedir/bloquear o momento lúdico da criança, ou contrário deve incentivar e participar juntamente com a criança nesta construção do seu desenvolvimento, principalmente proporcionando a criança, momentos, sejam em casa ou na escola para que a criança extravase através da brincadeira.

Além da brincadeira, para a criança se desenvolver saudavelmente são necessários outros pontos importantes, como o amor e a participação dos pais em suas vidas, assim à criança se desenvolverá de maneira satisfatória, formando/construindo sua personalidade e seu caráter.

É principalmente na vida infantil que os pais precisam estar presentes no cotidiano dos filhos, é uma fase na qual a criança está descobrindo o mundo, por isso necessita ter um ponto de referência e apoio na família. Uma família estruturada com pais presentes, onde estes não estão somente presentes de “corpo”, mas que sejam realmente participativos e que se preocupem com a criança, com seus afazeres, com a escola, com o lazer, e que principalmente disponham de muito amor e muita afetividade, esse envolvimento com a vida da criança é essencial para que ela se sinta amada e importante, assim ela terá confiança na família e em si própria, contribuindo para evitar muitas doenças emocionais psicológicas e físicas, entre elas o stress.

A partir do momento que os pais exigem de seus filhos muitas atividades a cumprir, ou que sejam pais ausentes que não se importam com amor e afetividade para com os filhos, possivelmente ela desenvolverá um quadro de stress prejudicial a sua saúde. Pois assim como o adulto à criança tem limites e necessita de muito amor, carinho, compreensão e comprometimento da família.

Com relação a escola, principalmente em sala de aula o professor como mediador do conhecimento e como entendedor das fases de desenvolvimento da criança, deve procurar estar atento aos comportamentos diferenciados da criança, tentando assim identificar e evitar possíveis momentos estressantes para a criança. O professor precisa procurar respeitar o limite da criança, pois cada um tem seu tempo certo para se desenvolver cognitivamente e fisicamente, umas são mais cedo outras são mais retardatárias, isso não significa que a criança tenha problemas, mas apenas que ainda não chegou sua “hora”. Ë esse respeito ao limite da criança que contribuirá para que ela se sinta respeitada e como também para que a criança possa criar um vínculo de confiança com o professor.

O professor precisa estar atento às crianças que de certa forma apresentam problemas e dificuldades nas aulas, porque às vezes a criança pode realmente estar com dificuldades na aprendizagem, na leitura no cálculo, mas às vezes a criança está estressada e é por isso que não vai bem na escola, e as dificuldades que ela apresenta em sala de aula é uma fuga dos seus “problemas e do seu stress”. Sendo assim o professor deve comunicar imediatamente aos pais, e encaminhar a criança para uma análise com um profissional competente da área, ou seja, o psicólogo.

Tanto o professor, como principalmente os pais devem estar atentos às diversas reações das crianças, pois elas são frágeis e não podem ser exigidas e tratadas como adultos, precisam de muito amor, carinho e atenção. Basile (apud REZENDE, 2003, p. 6), deixa bem claro qual é o melhor remédio para evitar o stress em crianças, como relata:

Acreditar na escola onde se colocou o filho – sem tentar completar a educação com mil cursos extras -, não ser um pai ou uma mãe exigente demais e atentar para o volume de atividades na agenda do pequeno (e, principalmente, se lhe sobra tempo para brincar) são fatores importantes para evitar o estresse da criança. Mas o principal continua sendo aquela velha lição passada de geração para geração: amar muito a criança e estar presente sempre que possível, Assim, não há estresse que resista.

Esta fala da autora alerta os pais para que esses antes de exigirem ou cobrar dos seus filhos, que eles realmente os percebam como crianças, que necessitam de tempo para brincar, correr, estudar, e que precisam principalmente de afetividade, companheirismo e interesse dos pais por seus afazeres. Assim a criança se sentirá amada e com certeza terá uma infância tranqüila e gostosa, tornando-se assim um adulto afetuoso e equilibrado.

Considerações Finais

A partir da realização deste trabalho, percebemos o quanto é importante às pessoas estarem informadas quanto a sua saúde mental e física. A informação é na maioria das vezes o ponto de partida para se estar evitando um quadro de stress prejudicial, pois quando o indivíduo é informado ele tem condições de perceber as alterações que ocorrem em seu organismo e assim tomar as devidas providências para reverter o seu estado de stress prejudicial.

Quanto ao stress em crianças é de suma importância os pais estarem atentos às diversas reações da criança, assim como na escola o professor deve contribuir nesse processo de dispensar atenção diferenciada para cada aluno, tendo dessa forma condições de identificar os problemas de saúde das crianças. No entanto a partir do momento que os pais e ou professores perceberem qualquer alteração/reação comprometedora, devem encaminhar a criança para um profissional competente no qual fará um diagnóstico mais exato do estado de stress da criança.

Referências

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D’ANDREA, Flavio Fortes, Desenvolvimento da Personalidade, 15ª edição, Editora BCD União de Editoras S.A., Rio de Janeiro, 2001.

LIPP, Marilda Novaes, et al. Como Enfrentar o Stress, 5ª ed. São Paulo: Ícone, 1998.

NERI, Aguinaldo. Stress: O que é isso?, Disponível em: <http://www.senioridade.com.br/stress1.htm >, Acesso em: 08/10/2004.

REZENDE, Rosângela. Reportagem sobre estresse infanto-juvenil, São Paulo, 1998, Disponível em: <http://www.escolavesper.com.br/stress_infantil.htm>, Acesso em: 29/10/2003.

SOUZA, Maria do Rosário Silva. A importância do lúdico no desenvolvimento da criança, Campinas – São Paulo, 2000, Disponível em: <http://www.saudevidaonline.com.br/artigo68.htm> , Acesso em 17/10/2002.

WILKINSON, Profes.Greg. Guia da Saúde Familiar Stress, ISTOÉ, Rio de Janeiro, Edição especial da revista ISTOË, p. 1-90, 2001.

Josiane Peres G. Alves Ferreira & Sandra Maria Zavodini - Josiane Peres Gonçalves Alves Ferreira: Doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS; Mestre em Psicologia Social e Personalidade pela PUCRS; Especialista em Orientação Educacional e Graduada em Pedagogia ; Coordenadora do Curso de Pedagogia da FACIAP/UNIPAN de Cascavel-Pr; Professora do Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional da FACIAP.mailto:FACIAP.
Sandra Maria Zavodini: Especialista em Psicopedagogia Clínica e Instititucional pela FACIAP/UNIPAN de Cascavel; Formada em Pedagogia pela mesma Instituição.