Dor

Autora: Kátia Bromisk

Experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões. A dor é sempre subjetiva. Cada indivíduo aprende a utilizar este termo através de suas experiências. Esta definição tem o mérito de ressaltar o aspecto emocional e desvincula a dor de uma lesão obrigatória de tecidos. Partimos do princípio que sempre existe dor quando alguém se queixa dela, existindo ou não estímulo nociceptivo.

A simbolização da dor ocorre em três níveis:

1- O ego percebe que existe uma ameaça a sua integridade ou ao organismo;
2- A pessoa percebe que pode fazer da dor um pedido de ajuda;
3- Pode ser utilizada como forma de manipular seus pares, seja no sentido de auto-satisfação ou de punição ao outro.

Fatores internos e externos modificam quantitativa e qualitativamente a percepção da dor. Dentre esses se destacam o estado emocional e de vigilância, fatores sociais, culturais e ambientais, o significado que a experiência dolorosa tem para o indivíduo e o contexto no qual ela surgiu.

De acordo com o tempo de duração a dor pode ser diferenciada em:
- aguda - função de alerta, conseqüência de lesão tecidual e desaparece com a resolução do processo patológico;
- crônica - causada por processo patológico crônico somático, podendo também ser decorrente de fatores ambientais ou psicopatológicos. Tal subgrupo representa desafio não só por serem pacientes difíceis de relacionamento médico-paciente, mas por apresentarem concomitância de patologias físicas e mentais, com as quais os médicos normalmente tem dificuldade de lidar.

Na dor crônica surge desesperança, hipocondria, raiva, negação e dependência. Dúvidas quanto ao futuro e gravidade do transtorno patológico. A perda da dignidade e da posição sócio-econômica pode agravar a ansiedade. Pode surgir depressão como conseqüência da incapacidade física, preocupação com a evolução da doença, desfiguração, isolamento e ruptura da dinâmica familiar e social, atingindo a auto-estima e as perspectivas futuras dos pacientes, trazendo desesperança e pessimismo.
Em idosos a dor crônica geralmente está presente, relacionada a doenças degenerativas. Não há evidências concretas de que o sofrimento emocional relacionado a dor seja menor no idoso do que no jovem, mas sim de que pode ser importante causa de angústias e depressão.

A dor tem sido percebida como um mecanismo defensivo com finalidade de evitar ou afastar algo que seja considerado desagradável, ou mesmo usada como forma de obter gratificações (ganho secundário). Alguns traços de personalidade se destacam em tais casos:

1. proeminência de culpa;
2. história de sofrimentos freqüentes;
3. impulsos agressivos reprimidos;
4. surgimento da dor frente uma perda real ou imaginária.

Estes pacientes apresentam aspectos psicológicos comuns, o que faz com que o tratamento psicológico adequado a tal paciente seja o grupal.

O grupo é o tratamento adequado também porque:

- surgiria o aprendizado da fala, pois esses pacientes tem dificuldades de expressar seus sentimentos;
- o grupo serviria como apoio para lidar com a dor;
- utilização do grupo como espaço educativo;
- a idéia verbalizada em grupo seria a de que trabalhar a dor ajuda a não se entregar a doença, distrai e faz crescer a auto-estima.

BIBLIOGRAFIA:

1. FORTES, S.L.C., Grupos com Pacientes com Dor Crônica, capítulo 22; In: "Grupo e Corpo", Filho, J.M., Porto Alegre, Editora Artes Médicas, 2000.

2. HELMAN, C.G., Cultura, Saúde e Doença - Cap. 7, Porto Alegre, Editora Artes Médicas, 1994.


3. LOBATO, O., O Problema da dor, capítulo 16, In: FILHO, J.M., "Psicossomática Hoje", Porto Alegre, Editora Artes Médicas, 1992.

4. TEIXEIRA, M.J., Dor: Conceitos Gerais, São Paulo, Editora Limay, 1994.