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Diversão e Aprendizado Através dos Contos de Fada Autora: Renata Cristine de Oliveira Quem nunca mergulhou na magia dos contos de fadas, na qual tudo é possível? Todos nós, em algum momento de nossas infâncias, já vivemos sob os encantos dos contos de fadas. Esses contos, do boca-a-boca, passaram aos livros, aos filmes, cartoons, etc. Os contos ganharam inúmeras releituras, algumas deturpadas, outras surpreendentes, e não deixaram perder-se no tempo nomes como o dos Irmãos Grimm, na Alemanha, e Hans Christian Andersen, na Dinamarca, entre outros. Os contos de fadas
existem há milênios. Antes de terem sido voltados para
as crianças, os contos de fadas foram originalmente criados tendo-se
como público-alvo os leitores adultos. A transferência
dos contos de fadas do universo adulto para o infantil possui dois fatores
principais. O primeiro é que, até o século XVII,
a criança não era percebida como um ser socialmente distinto
do adulto, ela compartilhava o mesmo tipo de roupa, os cômodos,
o trabalho e também os ambientes sociais. Assim, circulando entre
adultos, as crianças entravam em contato com os contos de fadas
e, invariavelmente, sentiam-se atraídas para seu universo imaginativo.
Cabe destacar também o papel que as governantas, vindas da camada
popular, desempenharam nesse processo ao contarem as narrativas folclóricas
para os filhos dos nobres que ficavam aos seus cuidados. Vale mencionar que o papel das estórias infantis, especificamente dos contos de fadas, é abrir novas perspectivas para a criança, a fim de que se torne leitor da escrita e dela para o mundo e para a vida, alargando seus horizontes. [...] ao mesmo tempo em que diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão à vida da criança (BETTELHEIM, 1980, p.20). Os Contos de fadas têm contribuído para que o processo de educar não se restrinja apenas ao aprender, mas contemple também o viver e a possibilidade de participar criativamente do mundo cultural. Através do faz-de-conta, do imaginário e do símbolo, a criança mergulha na vida, sentindo-se na dimensão de suas possibilidades. Através do processo de identificação com os personagens, a criança passa a viver o jogo ficcional, projetando-se na trama da narrativa. Acrescenta-se à experiência o momento catártico, em que a identificação atinge o grau de elação emocional, concluindo de forma liberadora todo o processo de envolvimento. Portanto, o próprio jogo de ficção pode ser responsabilizado, parcialmente, pelo fascínio que (o conto de fadas) exerce sobre o receptor (AMARILHA, 1997, p. 18). Amarilha (1997, p. 19) também ressalta que “pelo processo de ‘viver’ temporariamente os conflitos, angústias e alegrias dos personagens da história, o receptor multiplica as suas próprias alternativas de experiências do mundo, sem que com isso corra risco algum”. Os contos de fadas asseguram à criança que, por mais que ela possa ter problemas, será capaz de superá-los como o herói dos contos. Por fim, considera-se importante enfatizar que, no espaço dos contos de fadas, a criança é convidada a explorar, a sentir e a experimentar. A sua leitura, além de produzir um contínuo aprendizado, desenvolve a reflexão e o espírito crítico. Neste sentido, o papel do educador será o de mediador entre os (as) alunos (as) e o texto, promovendo a discussão, o entendimento, o debate de diferentes opiniões, a argumentação e a reflexão do grupo. Referências
bibliográficas Renata
Cristine de Oliveira - Psicóloga e Psicopedagoga; Especialista
em Saúde Pública; Mestranda em Educação,
Cultura e Organizações Sociais (Linha de Pesquisa em Saúde
Coletiva) pela FUNEDI/UEMG. Recebe bolsa de auxílio para Mestrado
por meio do Convênio FUNEDI-UEMG-ESTADO DE MINAS GERAIS |