Tomada de Conciência Corporal e Prevenção de Dificuldades em Escrita

Autores: Geiva Carolina Calsa, Lilian Alves Pereira e André Ricardo Oliveira

Resumo

As experiências e brincadeiras corporais assumem um papel fundamental no desenvolvimento infantil, pois enfatizam a valorização do corpo na constituição do sujeito e da aprendizagem escolar. A psicomotricidade contribui especialmente para o processo de alfabetização à medida que proporciona ao aluno condições necessárias para que se perceba como realidade corporal. Vários estudos destacam que o corpo é o ponto de referência para os seres humanos conhecerem e interagirem com o mundo. Serve como base para o desenvolvimento cognitivo e para a aprendizagem escolar, além disso, mostram que dificuldades de escrita em diferentes faixas etárias podem ser prevenidas por meio de atividades motoras. A partir disso, o presente trabalho teve por objetivo elaborar e aplicar uma metodologia de ensino envolvendo jogos corporais para o desenvolvimento da área motora (esquema corporal, orientação espacial e temporal), mental (tomada de consciência) e prevenção de dificuldades de aprendizagem em escrita. Para tanto, fizeram parte da pesquisa 60 crianças com faixa etária entre 4 e 5 anos de um Centro de Educação Infantil do município de Maringá. Verificou-se que as crianças investigadas, em especial, as que apresentaram dificuldade de aprendizagem em escrita reproduziram as mesmas características de dificuldade na organização espacial. A partir dos resultados obtidos, verificou-se que há uma necessidade de abordar os esquemas motores nas primeiras séries escolares como prevenção à dificuldade de aprendizagem de escrita.

1.INTRODUÇÃO

Observando o cenário atual da Educação Infantil, percebemos certa incoerência no que diz respeito a seleção dos conteúdos que serão trabalhados no ano letivo. Na maioria das vezes, prioriza-se a alfabetização com atividades de memorização e repetição que, quando muito, são trabalhadas com a ludicidade. Esse trabalho é realizado, porém, sem maiores justificativas senão a do brincar pelo brincar.

De acordo com Fonseca (2005), em relação às atividades corporais, o que ocorre frequentemente é o inverso do que deveria acontecer. Isso é observado nas escolas organizadas como espaços cada vez mais limitados para atividades corporais, enquanto aumentam os recursos para as salas de aula. A preocupação excessiva com a alfabetização vem limitando o corpo das crianças, e esquecendo que a base para a aprendizagem da criança situa-se no próprio corpo. Sobre esse aspecto o autor afirma que:

Antes de aprender a matemática, o português, os ensinamentos formais, o corpo tem que estar organizado, com todos os elementos psicomotores estruturados. Uma criança que não consegue organizar seu corpo no tempo e no espaço, não conseguirá sentar-se adequadamente numa cadeira, concentrar-se, segurar num lápis com firmeza e reproduzir num papel o que elaborou em pensamento (FONSECA, 2005, p.257).

Parece faltar nas escolas a percepção de que a psicomotricidade é uma atividade essencial para o desenvolvimento infantil. Diante desse contexto, muitos pesquisadores têm buscado atividades que possam ser usadas na escola e que tenham resultados satisfatórios tanto para a formação motora da criança como para a alfabetização. Fonseca (2005) considera o corpo como sendo o primeiro dicionário repleto de experiências psicomotoras anteriores, para as quais a criança pode recorrer em seu processo de alfabetização formal.

A psicomotricidade contribui para a formação global do indivíduo por meio de atividades que vão além do simples divertir-se e também promovem o criar, interpretar e dialogar com o mundo em que vivem (LIMA e BARBOSA, 2007). Por esse fato, é cada vez maior o número de estudos científicos que recomendam que as atividades psicomotoras estejam em destaque no programa escolar, principalmente nas séries iniciais. Por oferecer esse tipo de formação, a psicomotricidade é capaz de prevenir as dificuldades de aprendizagem na escrita, freqüentes no cotidiano escolar.

Levando em conta tais aspectos, este projeto teve como objetivo elaborar e aplicar uma metodologia de ensino envolvendo jogos corporais para o desenvolvimento da área motora (esquema corporal, orientação espacial e temporal), mental (tomada de consciência) e prevenção de dificuldades de aprendizagem de escrita em alunos da educação infantil de um Centro de Educação Infantil localizado no município de Maringá-PR. Neste artigo, contudo, são apresentados os dados referentes aos resultados da bateria de testes sobre noções topológicas adaptados de Piaget (1993) e testes sobre habilidades psicomotoras baseados em Oliveira (2008) realizados com 60 crianças de educação infantil

Do mesmo modo que Fávero e Calsa (2003, p.115) “[...] não se pretende com isto dizer que a psicomotricidade possa ser a solução para todos os problemas de aprendizagem, e nem tão pouco afirmar que um desenvolvimento psicomotor inadequado pode ser a causa de todas as dificuldades escolares”. O que se pretende é apresentar a psicomotricidade, que unida a fatores como a tomada de consciência, pode vir a constituir-se uma importante aliada na prevenção das dificuldades de aprendizagem na escrita.

2.PSICOMOTRICIDADE E ESCRITA

As variadas definições de psicomotricidade se assemelham pela afirmação da relação movimento e intelecto. Destacaremos a seguir definições que assinalam essas características.

Para Alves (2007), a psicomotricidade é um termo usado para classificar o movimento organizado e integrado, empregando as experiências vividas pela criança e está ligada ao processo de maturação, na qual o corpo é considerado a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. Além disso, é uma ciência que tem como objeto de estudo o homem e seu corpo em movimento, levando em consideração seu mundo interno e externo.

De acordo com Fonseca (1995), a psicomotricidade é um meio de ajustamento perceptivo-motor que se utiliza de processos mentais, fundamentais para a ação preventiva e terapêutica das dificuldades de aprendizagem. É conhecida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio, que traduz a relação entre sua atividade psíquica e motora (SANCHES et al, 2004).

O desenvolvimento psicomotor deveria ocorrer de maneira mais evidente na infância, por parte dos educadores. Infelizmente, a atual situação é oposta; pois a falta de estímulo psicomotor é gritante no âmbito escolar. Fonseca (1987, p. 21 citado por PEREIRA, 2005) revela que:

[...] a ausência de espaço e a privação de movimento é uma verdadeira talidomida da atual sociedade, continuando na família (urbanização) e na escola. A não-aceitação da necessidade de movimento e da experiência corporal da criança põe em causa as atividades instrumentais que organizam o cérebro (FONSECA, apud PEREIRA, 2005, 21).

O autor mostra que as atividades psicomotoras podem ser consideradas a base os demais aprendizados escolares. Ferronatto (2006) destaca essa ligação entre o motor e o intelectual envolvidos na psicomotricidade, explicando que ela é “[...] um caminho, é o desejo de fazer, de querer fazer e de poder fazer, e que o homem não é exclusivamente um ser motor [...] não é exclusivamente um ser psíquico [...] o homem é psicomotor” (p.51).

Le Boulch (1992, p. 25) ressalta que a psicomotricidade ajuda a criança a compreender o mundo, por meio de uma organização intermediada pelo próprio corpo: “[...] A educação psicomotora deve constituir um privilégio desde a mais tenra infância, conduzida com perseverança, permite prevenir certas inadaptações difíceis de melhorar quando já estruturadas [...]”. A educação psicomotora é usada como forma de prevenir as dificuldades escolares e na reeducação de casos em atraso motor. Portanto, o papel da psicomotricidade é proporcionar a criança uma vivência corporal, desenvolvendo aspectos cognitivos e afetivos para esta aprendizagem.

De acordo com Negrine (1980), uma das aprendizagens escolares básicas devem ser os exercícios psicomotores e sua evolução é determinante para a aprendizagem da escrita e da leitura. Outros estudos destacam a necessidade de, desde o ensino pré-escolar, ser oferecidas atividades motoras direcionadas ao fortalecimento e consolidação das funções psicomotoras, importantes para o êxito nas atividades da leitura e escrita, como apontado por Furtado (1998), Nina (1999), Cunha (1990), Oliveira (1992) e Petry (1988). Dentre os estudos citados, Petry (1988) destaca que as dificuldades de aprendizagem em crianças de inteligência média podem se manifestar quanto à caracterização de letras simétricas pela inversão do “sentido direita-esquerda”, como, por exemplo, b, p, q ou por inversão do “sentido em cima em baixo”, d, p, n, u, ou, ainda, por inversão das letras oar, ora, aro.

Para Negrine (1980, p. 61), as dificuldades de aprendizagem vivenciadas pelas crianças “são decorrentes de um todo vivido com seu próprio corpo, e não apenas problemas específicos de aprendizagem de leitura, escrita, etc.” Nessa afirmação, a autora deixa claro que os aspectos psicomotores exercem grande influência na aprendizagem, pois as limitações apresentadas pelas crianças na orientação espacial podem tornar-se um fator determinante nas dificuldades de aprendizagem.

Ajuriaguerra (1988) afirma que a escrita é uma atividade que obedece a exigências precisas de estruturação espacial, pois a criança deve compor sinais orientados e reunidos de acordo com normas, a sucessão faz destes sinais palavras e frases, tornando a escrita uma atividade espaço-temporal.

Conforme Fonseca (1995b), um objeto situado a determinada distância e direção é percebido porque as experiências anteriores da criança levam-na a analisar as percepções visuais que lhe permitem tocar o objeto. É dessas percepções que resultam as noções de distância e orientação de um objeto com relação a outro, a partir das quais as crianças começam a transpor as noções gerais a um plano mais reduzido, que será de extrema importância quando na fase do grafismo. Em outra obra (FONSECA, 1983), o autor assinala que na aprendizagem da leitura e da escrita a criança deverá obedecer ao tempo de sucessão das letras, dos sons e das palavras, fato este que destaca a influência da estruturação temporal para a adaptação escolar e para a aprendizagem.

Segundo Tomazinho (2002, p. 50), o desenvolvimento corporal é possível graças a movimentos, percepções, expressões e brincadeiras corporais dos indivíduos. As experiências e brincadeiras corporais assumem um papel fundamental no desenvolvimento infantil, pois enfatizam a valorização do corpo na constituição do sujeito e da aprendizagem, assim a “[...] pré-escola necessita priorizar, não só atividades intelectuais e pedagógicas, mas também atividades que propiciem seu desenvolvimento pleno”.

De acordo com Oliveira (1996, p. 182), a psicomotricidade contribui para o processo de alfabetização à medida que procura proporcionar ao aluno as condições necessárias para um bom desempenho escolar, permitindo ao sujeito que se assuma como realidade corporal e possibilitando-lhe a livre expressão. A psicomotricidade caracteriza-se como uma educação que se utiliza do movimento para promover aquisições intelectuais. Para a autora, a inteligência pode ser considerada uma adaptação ao meio ambiente e para que esta aconteça é necessário que o indivíduo apresente uma manipulação adequada dos objetos existentes ao seu redor, “[...] esta educação deve começar antes mesmo que a criança pegue um lápis na mão [...]”.

Fávero (2004) ressalta que o desenvolvimento psicomotor não é o único fator responsável pelas dificuldades de aprendizagem, mas um dos que pode desencadear ou agravar o problema. As dificuldades de aprendizagem relacionadas à escrita alteram o rendimento escolar. Crianças com dificuldades de escrita podem apresentar disfunção nas habilidades necessárias para a aprendizagem escolar em outras áreas do conhecimento fatores, estes que, podem ser acentuados pelos déficits psicomotores. A escrita exige o desenvolvimento de habilidades psicomotoras específicas e um esforço intelectual superior às aprendizagens anteriores à fase do letramento da criança. Na escrita ocorre a comunicação por meio de códigos que variam de acordo com a cultura, e sua aprendizagem se dá por meio da realização de atividades tanto espontâneas como sistematizadas.

Segundo Fávero (2004), a escrita espontânea envolve um grau maior de dificuldade, pois o modelo visual e auditivo está ausente e envolve a tomada de decisões acerca do que vai ser escrito e como será escrito. Antes do indivíduo escrever é preciso gerar uma informação, organizá-la de forma coerente para posteriormente escrevê-la e revisar o que foi escrito. É preciso diferenciar as letras dos demais signos e determinar quais são as letras que devem ser empregadas. Além disso, a escrita pressupõe um desenvolvimento motor adequado, pois certas habilidades como a espacial e temporal são essenciais para que essa atividade ocorra de maneira satisfatória.

Os estudos de Fávero (2004) confirmam as conclusões anteriores de Ajuriaguerra (1988), Ferreiro (1985) e Cagliari (2000), que ao estudarem a aquisição da escrita, constataram que esta aquisição não deve ser restrita a simples decodificação de símbolos ou signos, pois o processo de aquisição da língua escrita é complexo e anterior ao que se aprende na escola.

A escrita envolve, segundo Ajuriaguerra (1988), além das habilidades cognitivas, as psicomotoras, uma vez que o ato de escrever está impregnado pela ação motora de traçar corretamente cada letra e constituir a palavra. Quando se coloca em questão o desenvolvimento motor é necessário, além da maturação do sistema nervoso, a promoção do desenvolvimento psicomotor, objetivando o controle, o sustento tônico e a coordenação dos movimentos envolvidos no desempenho da escrita.

3.DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

Neste artigo será relatada parte de uma dissertação de mestrado desenvolvida na Universidade Estadual de Maringá que pretende verificar a influência do desenvolvimento de intervenção psicopedagógica de caráter construtivista com ênfase na área psicomotora e tomada de consciência da ação sobre a ampliação de conceitos topológicos de crianças de 4 a 5 anos da educação infantil. Para tanto, foi realizada uma bateria de testes sobre noções topológica elementares adaptados de Piaget (1993), os testes aplicados foram da intuição das formas que averigua do papel da imagem no espaço, do espaço gráfico (desenho da figura humana) que teve a função de investigar as características do desenho nesta pesquisa foi incluída para identificar as relações topológicas primitivas (vizinhança, separação, ordem, envolvimento e continuidade) e do desenho das formas geométricas, cujos dados coletados também foram analisados sob o aspecto topológico. Os testes sobre habilidades psicomotoras baseados em Oliveira (2008) abordaram em especial, os relativos ao esquema corporal e à coordenação espaço-temporal.

4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Para a compreensão dos dados obtidos nos testes de habilidades psicomotoras é importante ressaltar que a idade cronológica foi um fator relevante para identificar se o estágio em que a criança se encontrava era ou o não o esperado. Todas as crianças entrevistadas apresentavam idade entre 4 e 5 anos, ou seja, os resultados esperados corresponderiam aos níveis IA e IB, conforme Oliveira (2008).

Nos testes para a avaliação das habilidades de esquema corporal, das 29 (48%) crianças encontradas no nível IA, 11 (18%) mostraram-se atrasadas conforme o esperado para sua idade cronológica. As maiores dificuldades apresentadas pelos alunos neste nível foram no teste do desenho da figura humana, relaxamento do corpo e imitação dos movimentos contrários. Nessas atividades foi possível observar a falta de controle tônico (falta da capacidade de relaxar-se, alguns bloqueios, grandes tensões musculares, falta de capacidade de controle gestual e orientação de verticalidade e horizontalidade).

Nos testes para a avaliação das habilidades de orientação espacial, das 32 (53%) crianças encontradas no nível IA 12 (20%) mostraram-se atrasadas de acordo com o esperado para sua idade cronológica. Nessa avaliação os alunos apresentaram dificuldades na adaptação e organização espacial, reprodução de estruturas espaciais e memorização visual.

Nos testes para a avaliação das habilidades de orientação temporal, das 38 (63%) crianças encontradas no nível IA, 17 (28%) apresentaram-se atrasadas de acordo com o esperado para sua idade cronológica. Duas (3%) crianças foram classificadas no nível I, e também são consideradas atrasadas para a sua idade cronológica. Todas as crianças 19 (31,7%) classificadas no estágio IB são consideradas atrasadas para sua idade cronológica e poderiam estar em estágio posterior.

A maior dificuldade encontrada pelas 19 crianças (31,7%) consideradas atrasadas, de acordo com sua a idade cronológica, foi na realização da prova de identificação do antes e depois, estações do ano e dias da semana e de reprodução de estruturas rítmicas. Os dados encontrados nas avaliações dos testes de orientação espacial e orientação temporal apresentaram resultados semelhantes evidenciando a inter-relação entre espaço/tempo.

Para Piaget (1993) a elaboração do espaço se deve essencialmente a coordenação dos movimentos e que é no período sensório-motor que o espaço servirá de apoio para a organização das relações espaciais com as pessoas e os objetos. Neste sentido, para entender o movimento humano deve-se entender além da estruturação espacial a estruturação temporal, cujo valor educativo é de extrema importância, pois cada indivíduo começará a tomar consciência do desenvolvimento de suas ações, de acordo com o tempo.

5.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados foram ao encontro dos dados obtidos em pesquisas anteriores como as desenvolvidas por Oliveira (1992) que identificou dentre as dificuldades de aprendizagem às que são relacionadas ao desenvolvimento psicomotor e Fávero (2004) que constatou que a maioria dos alunos das duas escolas investigadas (pública e particular) que apresentaram dificuldades de aprendizagem em escrita também apresentava desenvolvimento psicomotor abaixo do esperado para sua idade cronológica. Além disso, foi possível verificar que as dificuldades nas habilidades psicomotoras encontradas por Oliveira (1992) em crianças de 6-7 anos e por Fávero (2004) em crianças de 8-9 anos, também foram encontradas nas crianças de educação infantil, no caso dessa pesquisa crianças de 4-5 anos, o que demonstra que essas dificuldades psicomotoras podem iniciar na primeira infância. A partir dos dados obtidos considera-se necessário que escola realizar um trabalho de intervenção psicopedagógica preventiva baseada na psicomotricidade – espaço, tempo e esquema corporal – e no processo de tomada de consciência, já que acredita-se que o mesmo é capaz de alterar as estruturas cognitivas dos sujeitos, condições consideradas fundamentais para o desenvolvimento do autoconhecimento, da autonomia e da intencionalidade das ações.

Os resultados apresentados pela pesquisa mostraram que durante o período de intervenção psicopedagógica os alunos foram capazes de apresentar uma melhora tanto em sua consciência corporal como na qualidade verbal da explicação e justificativa de seus movimentos no espaço e tempo. Além disso, verificou-se que a intervenção baseada nos pressupostos do processo de tomada de consciência sobre os movimentos do corpo mostrou-se ser capaz de favorecer o movimento cognitivo dos alunos no sentido da reorganização de seus conhecimentos prévios sobre esse tema.

Os dados obtidos nesse estudo reforçam a possibilidade de aproximar o rendimento de alunos com desempenho insatisfatório ao daqueles com desempenho satisfatório, em um curto período de tempo fazendo uso do processo de tomada de consciência e da psicomotricidade. Para tanto, pode-se considerar a tomada de consciência como sendo a passagem da ação prática para o pensamento refletido, consiste na transformação dos esquemas de ação em conceitos.

Considera-se oportuna a continuidade de investigação uma vez que novas metodologias de ensino de caráter preventivo de dificuldades de aprendizagem são necessárias para um melhor êxito do processo de escolarização.

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Geiva Carolina Calsa– Doutora em educação pela UNICAMP – Professora titular da Universidade Estadual de Maringá – PR
Lilian Alves Pereira– Pedagoga e Psicopedagoga – Mestranda pela Universidade Estadual de Maringá - PR
André Ricardo Oliveira – Mestrando pela Universidade Estadual de Maringá – PR