Síndrome de Ramsay-Hunt: Paralisia Facial Severa

Autora: Tatiana Duarte Brito

A Síndrome de Ramsay-Hunt foi descrita pelo autor em 1907, tendo como agente causador o vírus Varicela-Zoster. A infecção por este vírus acarreta comprometimento de nervos cranianos tais como, o V, IX, X, XI, XII e principalmente do VII par - sendo que o acomentimento do gânglio geniculado afeta as porções motora e sensorial deste nervo.

O quadro clínico da Síndrome de Ramsay-Hunt se apresenta por erupções vesiculares no pavilhão auditivo, região retro-auricular, face e/ou boca; otalgia; dor intensa e contínua e Paralisia Facial unilateral. Pode ainda haver sintomas auditivos e vestibulares, além de perda da sensação gustativa nos dois terços anteriores da língua.

Segundo a literatura, o diagnóstico deve ser feito precocemente através de suspeita clínica e confirmação laboratorial, tornando possível a administração de terapia medicamentosa a tempo hábil (relata-se o uso de aciclovir e analgésico), visando inibir a reprodução do DNA viral e aliviar a dor, prevenindo assim maiores complicações. O prognóstico é melhor quanto mais cedo houver interação medicamentosa, contudo o efeito de tais medicamentos para a regressão da paralisia é controverso.

A manifestação mais relevante da síndrome é, sem dúvida, a paralisia facial pois a face constitui o meio pelo qual nos apresentamos ao mundo à medida que revela a expressão de nossos sentimentos e idéias, possibilitando a comunicação verbal - através da fala, e a não verbal - através da mímica facial. A paralisia facial é uma desordem que desfigura a face do indivíduo acarretando inúmeros efeitos negativos em sua vida pois gera um importante impacto emocional devido ao comprometimento de sua imagem, prejudicando assim seus relacionamentos pessoal e social. Além de prejudicar a estética, prejudica os processos de comunicação e execução da função alimentar.

Os sinais da paralisia no indivíduo com Ramsay-Hunt são os mesmos encontrados em casos de Paralisia de Bell, porém se apresentam mais severos pois, nesta síndrome, a paralisia facial não é produto de uma encefalite e sim de um direto envolvimento do nervo facial com degeneração de suas fibras nervosas. Desta forma, observa-se sequelas mais severas sobre a musculatura facial, implicando num prognóstico pior.

A Fonoaudiologia assume então o seu papel, intervindo para minimizar as alterações na musculatura facial, restabelecendo o trofismo e a função muscular. A propedêutica fonoaudiológica deve se adequar de acordo com a fase em que se encontra a paralisia: fase flácida ou de sequelas. Na fase flácida o trabalho miofuncional visa atrasar a atrofia, promover aumento da vascularização local, estimular a recuperação do movimento ordenado e adequar funções de alimentação e fala. Já na fase de sequelas, o objetivo consiste em diminuir a contratura da musculatura facial, melhorar sua elasticidade e diminuir a ocorrência de sincinesias. Exercícios isométricos, isotônicos e mímicos, massoterapia, alongamento, relaxamento, dissociação, crioterapia e termoterapia são alguns dos exemplos de abordagens que o fonoaudiólogo pode usar no tratamento da paralisia facial. É importante ressaltar que a intervenção fonoaudiólogica precoce favorece um melhor prognóstico sobre a musculatura da face.

O campo da Motricidade Oral expandiu-se, modernizou-se e englobou o trabalho de reabilitação da Paralisia Facial, mostrando não só a importância da reorganização das funções estomatognáticas, mas também a relevância em se restabelecer uma estética realmente funcional. A atuação fonoaudiólogica à medida que reabilita a face do indivíduo, favorece a reestruturação de sua imagem, o que interfere consequentemente na sua dinâmica social e emocional.

* Fga. Tatiana Duarte Brito (CRFaMG 1792)
Graduação: Unicentro Izabela Hendrix - 1998 / Pós-graduada em Motricidade Oral pela Feluma no curso "Motricidade Oral com Enfoque em Fonoaudiologia Hospitalar"
Local de Trabalho: Centro de Referência em Reabilitação da Prefeitura de Betim
Colaboraram na produção do texto as estagiárias do quarto ano de Fono do Izabela: Alessandra Bicalho e Isabela Cheib.

Publicado em 31 de maio de 2010