Deglutição Atípica

A deglutição atípica consiste na passagem do bolo alimentar da boca para o estômago. Segundo Altmann (1990) é a primeira função a aparecer, por volta das doze semanas de vida intra-uterina, podendo ser observada quando o feto deglute o líquido amniótico.

Para que esta função ocorra de maneira adequada é imprescindível a integridade anatômica do Sistema Nervoso Central e das estruturas do aparelho estomatognático. A alteração do padrão correto de deglutição é chamada de deglutisses atípicas e podem ser causadas por fatores como: uso de mamadeiras e chupetas por período prolongado, maus hábitos como sucção digital, respiração bucal, alergias, hipertrofia de amídalas e adenóides, desvios de septo, manutenção de dieta pastosa, características genéticas de face e cavidade bucal e ainda problemas psicológicos.

Por volta de 1960, os ortodontistas, segundo Hanson, iniciaram um programa de reabilitação muscular na tentativa de contar as recidivas após os tratamentos ortodônticos. O fonoaudiólogo foi inserido neste programa criando exercícios e aprimorando os que já existiam, com o objetivo de adequar as funções orais (respiração, fala, mastigação e deglutição) que se apresentem inadequadas.

Deste modo, cabe ao atuar na prevenção das alterações de deglutição, encaminhar seus pacientes ao otorrinolaringologista para a solução dos possíveis problemas respiratórios, assim como aos ortodontistas para a intervenção precoce, além de atuar na reabilitação destas funções, considerando as limitações de cada paciente.

Profª Ana Lúcia Nogueira de Faria Ramos, fonoaudióloga do Hospital dos Defeitos da Face e professora da Universidade Bandeirante (UNIBAN).

Fonte: Jornal da APCD, Novembro 2001, pág. 12