A Prevenção Fonoaudiológica das Alterações da Linguagem Oral e Escrita em Escolas de Ensino Fundamental

Autora: Magali de Lourdes Caldana

Introdução

A atuação fonoaudiológica , em sua história, tem recebido fortes influências de ciências da àrea da saúde e, portanto, direcionado o seu “fazer clínico” para uma prática a serviço da “doença”, caracterizando-se no sentido da avaliação e terapia fonoaudiológica que buscam a normatização das alterações da comunicação oral e escrita. Tal fato é compreensível, pois a fonoaudiologia “surgiu em resposta a uma necessidade de atendimento a pessoas que apresentam uma série de problemas ligados à comunicação humana” (Zorzi, 1999). Porém, a fonoaudiologia clínica, vem se interligando com a fonoaudiologia educacional, através de pesquisas e atuações que enfocam os aspectos preventivos da comunicação.

A atuação fonoaudiológica na área educacional objetiva não somente detectar as alterações da linguagem oral e escrita, mas sim, de dar possibilidades para a otimização do desenvolvimento , ou seja, “criar condições favoráveis e eficazes para que as capacidades de cada um possam ser exploradas ao máximo, não no sentido de eliminar problemas, mas sim baseado na crença de que determinadas situações e experiências podem facilitar e incrementar o desenvolvimento e a aprendizagem” (Zorzi, 1999).

Desenvolvimento

Considerando estes pressupostos teóricos, o trabalho fonoaudiológico em escolas, não limita-se somente na realização de triagens, mas em propiciar situações favorecedoras para o desenvolvimento da comunicação oral e escrita. Assim, a atuação com os alunos consiste preferencialmente no desenvolvimento de programas para a otimização do desenvolvimento.

Faz parte do trabalho preventivo fonoaudiológico, do estágio supervisionado em Fonoaudiologia Preventiva e Escolar do Curso de Fonoaudiologia da Universidade de Ribeirão Preto, os grupos de promoção da linguagem oral e escrita, que são compostos por 5 crianças e 2 estagiarias e assim se caracterizam:


- Grupo de fala: crianças com dificuldades na apropriação dos aspectos fonético-fonológico, porém sem caracterizar uma alteração articulatória; que apresentam hábitos de sucção não-nutritiva; respiração bucal;

- Grupo de linguagem: crianças com história familiar, ambiental e emocional que não favoressem o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem oral;

- Grupo de leitura e escrita: composto por crianças que apresentam dificuldades na apropriação da língua escrita;

Conclusão

O trabalho em grupo tem por objetivo favorecer o processo interacional entre criança-criança e criança-adulto e proporcionar situações que otimizam o desenvolvimento da linguagem oral e o processo de aprendizagem da escrita. Os grupos podem acontecer no espaço físico da escola, desde que haja disponibilidade, e no período de permanência dos alunos nas mesmas.

Desta forma, o fonoaudiólogo neste trabalho preventivo proposto atua no sentido de desenvolver potencialidades, não enfatizando somente os aspectos patológicos.


Bibliografia Consultada

DE ANDRADE, C.R.F. Fonoaudiologia preventiva. São Paulo: Lovise, 1996. 165p.

FERREIRA, L.P. (org.) O Fonoaudiólogo e a escola. São Pulo: Summus Editorial, 1990. 132p.

GIROTO, C.R.M. Perspectivas atuais da fonoaudiologia na escola. São Paulo: Plexus,1999. 118p.

IGNÁCIO, R.K. Criança querida: O dia-a-dia das creches e jardim de infância. São Paulo: Antroposófica, 1995, 110p.

LAGROTTA, M.G.M.; CÉSAR, C.P.H.A.R. A Fonoaudiologia nas instituições. São Paulo: Lovise, 1997. 204p.

MINA, R. Uma creche em busca de inclusão. São Paulo: Memnon, 1998. 93p.

ZORZI, J.L. Possibilidades de trabalho do fonoaudiólogo no âmbito escolar-educacional. Jornal do Conselho Federal de Fonoaudiologia. Brasília, ano IV, n° 2, p.: 1417, julho 1999.

Magali de Lourdes Caldana
Especialização em Patologias da Comunicação – Universidade do Sagrado Coração – Bauru/SP.
Mestre em Distúrbios da Comunicação – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Doutoranda em Lingüística pela Universidade Estadual
Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP
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